Pneumonia, paralisia e pólipo: breve história da saúde presidencial dos EUA

Alan Rappeport

Do New York Times

  • Getty Images/iStockphoto

O caso de pneumonia de Hillary Clinton e as críticas sobre o quão pouco ela e seu adversário, Donald Trump, tornaram públicos seus históricos médicos, projetaram para o centro da campanha presidencial questões sobre a transparência a respeito da saúde esta semana, com ambos os candidatos prometendo divulgar registros mais detalhados nos próximos dias.

Embora a atenção pública nas campanhas modernas venha especulando sobre a saúde dos candidatos à presidência de forma mais implacável, há muito tempo que as preocupações com a forma dos candidatos são uma marca da política americana, com muitos deles tentando esconder suas enfermidades e adversários fazendo o possível para explorar sinais de fraqueza.

De ignorar ferimentos de bala até viver com uma paralisia, muitos presidentes e outros candidatos ao cargo enfrentaram enfermidades. A seguir, alguns dos exemplos mais proeminentes da História.

Reprodução/ The Metropolitan Museum of Art
Reprodução/ The Metropolitan Museum of Art

William Henry Harrison

A revelação de que Hillary estava com pneumonia logo despertou comparações com William Henry Harrison, o nono presidente, cujo mandato foi o mais breve da história do país. Harrison morreu de pneumonia, de acordo com seu médico, em 1841, um mês depois de realizar seu discurso inaugural de duas horas em um dia de ventania.

O fato de ele estar insuficientemente agasalhado em um tempo ruim foi apontado como o culpado por causar uma doença que logo saiu de controle. Os médicos o trataram com ópio e outros medicamentos que se revelaram inúteis.

Os historiadores continuam a debater a verdadeira causa da morte de Harrison, e alguns estudiosos cogitam se seu histórico de dispepsia, e não a pneumonia, não teria sido o verdadeiro culpado. De acordo com uma teoria, a falta de um sistema adequado de esgoto na Casa Branca pode ter contaminado sua fonte de água com patógenos que envenenaram o presidente.
Arquivo/ AP
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Theodore Roosevelt

A equipe de campanha de Hillary disse que ela vinha deixando em segundo plano a pneumonia depois que foi diagnosticada na sexta-feira (9). Para Douglas Brinkley, um historiador da Rice University, o desejo de colocar a política à frente da saúde lembra Theodore Roosevelt.

Em 1912, Roosevelt, um ex-presidente, estava concorrendo novamente pelo Partido Progressista quando levou um tiro no peito antes de um discurso que ele faria em Milwaukee. O manuscrito do discurso, que estava no bolso de seu casaco, amorteceu o tiro e salvou sua vida. Com dor, ele fez uma versão abreviada do discurso assim mesmo, declarando que "precisa mais do que isso para matar um alce ("bull moose", expressão que virou o apelido do Partido Progressista)."

"Ele achava que se fosse ao hospital e parecesse fraco, isso diminuiria suas chances de vitória", disse Brinkley sobre Roosevelt, que no final perdeu a eleição.
Arquivo/ The New York Times
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Woodrow Wilson

O presidente Woodrow Wilson teve um derrame debilitante em 1919, que o deixou incapacitado e levantou questões sobre quem estava realmente no comando do Executivo.

Estudiosos como Edwin A. Weinstein, um neuropsiquiatra, passaram anos analisando correspondências antigas de Wilson para determinar que ele havia sofrido derrames menores em 1898, que podem ter sido um prenúncio de seus futuros problemas de saúde.

A transparência era especialmente problemática naquela época, visto que a mulher de Wilson, Edith, e seu médico supostamente orquestraram um acobertamento para evitar que a população soubesse de sua condição cada vez pior de saúde.
Arquivo/ The New York Times
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Franklin D. Roosevelt

A saúde sempre fora uma preocupação para Franklin D. Roosevelt, que tinha paralisia em parte do corpo e tomava o cuidado de manter sua cadeira de rodas fora das vistas do público. Mas foi quando ele disputou seu quarto mandato como presidente em 1944 que seus adversários se aproveitaram de sua fragilidade com a esperança de finalmente derrotá-lo.

Documentos da biblioteca presidencial de Roosevelt mostram como a "campanha de boatos" de seu adversário Thomas E. Dewey tentava pintar Roosevelt como um "homem velho e cansado" e como Roosevelt aumentou a agressividade de sua campanha para provar que ele ainda tinha vigor. Extra-oficialmente, os médicos de Roosevelt haviam alertado que ele tinha pressão alta e corria um grande risco de insuficiência cardíaca.

Em abril de 1945, Roosevelt teve um colapso e morreu de hemorragia cerebral.
Meyer Liebowitz/The New York Times
Meyer Liebowitz/The New York Times

John F. Kennedy

Em 1960, John F. Kennedy se declarou como o "candidato presidencial mais saudável do país". Mas, apesar de sua aparência bela e jovial, Kennedy vinha enfrentando uma série de enfermidades, inclusive a Doença de Addison, uma doença autoimune que afeta as glândulas suprarrenais.

Apesar de esforços de sua família para esconder o problema, que pode ser fatal, patologistas que conduziram sua autópsia revelaram em 1992 que Kennedy, assassinado aos 46 anos de idade, vinha tomando suplementos de reposição hormonal para controlar essa condição rara. Houve quem sugerisse que ele poderia ter perdido a eleição de 1960 para Richard Nixon se a extensão de seus problemas de saúde fosse conhecida.

Um lote maior de históricos médicos revelados em 2002 mostraram que Kennedy também vivia em considerável desconforto, tomando analgésicos, remédios contra a ansiedade, estimulantes e pílulas para dormir. Ele também foi hospitalizado por problemas nas costas e intestinais, e tinha osteoporose.
AP
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Ronald Reagan

O presidente mais velho a assumir o cargo, Ronald Reagan, sofreu uma tentativa de assassinato e a remoção de pólipos cancerosos de seu cólon.

Alguns historiadores culparam a cirurgia de cólon, realizada em 1985, pelas decisões infelizes que Reagan tomou em relação ao escândalo do Irã-Contras enquanto ele se recuperava. Reagan transferiu o poder brevemente para o vice-presidente George Bush, mas logo voltou ao trabalho.

"Reagan cometeu um erro grave ao reassumir seus poderes e seus deveres", diz Robert Gilbert, um professor emérito de ciências políticas na Northeastern University e especialista em doenças na Casa Branca.

De acordo com Gilbert, os auxiliares de Reagan impediam que as pessoas o vissem porque ele não estava bem, e ele tomou decisões enquanto estava hospitalizado, decisões das quais ele não se lembrava posteriormente.
Tradutor: UOL

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