Apesar do Plano Colômbia, narcotráfico ainda é presente no país

Da Redação
Com agências internacionais

O atual presidente da ColÔmbia, Álvaro Uribe, chegou ao poder em 2002 propondo uma política linha dura contra as guerrilhas de esquerda, especialmente as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), marxista. Negociou nos últimos três anos a desmobilização de 30 mil paramilitares de direita. Durante sua gestão, mais de 7 mil guerrilheiros se entregaram.

Uribe promete que, se reeleito, convocará as Farc para uma "negociação de paz".

Entre as medidas do programa de segurança do atual presidente incluem-se recompensa para os soldados que capturarem guerrilheiros, recompensa para os que denunciarem participantes da guerrilha, a redução da pena para os que se entregarem e a promessa de que não serão extraditados para os Estados Unidos, cumprindo pena na própria Colômbia - esta última medida vem sendo questionada pelos juristas do país e organismos internacionais.

Popularidade
A popularidade do advogado Uribe permaneceu praticamente inalterada ao longo de seu governo, apesar dos escândalos de corrupção e sobre a infiltração paramilitar e de traficantes em órgãos públicos de segurança.

O presidente atribui a popularidade aos resultados de sua política de segurança, que reduziu a violência aos níveis mais baixos em 20 anos. Segundo o governo, os homicídios caíram de 36 mil por ano em 2002 para pouco mais de 17 mil em 2005 (24% menos do que em 2004).

Já os seqüestros caíram de 3 mil para menos de mil anuais no mesmo período uma queda de 72% em relação a 2003, e também a mais baixa em duas décadas, ainda segundo a Fundação Segurança e Democracia -a mais importante do país na área de investigação e de dados do setor. A maioria dos seqüestros na Colômbia é atribuída a grupos guerrilheiros ou paramilitares.

Outro fator que contribuiu para a popularidade foram os bons resultados econômicos. Beneficiado pela perda desvalorização do dólar, o país cresceu no ano passado 5,2% e duplicou as exportações em quatro anos, para US$ 24 bilhões. Ainda em 2005, o crescimento dos investimentos privados atingiu 15%.

Esses resultados ajudaram na queda do desempego para 11,8%, enquanto a taxa de pobreza caiu de 60% a 49% - ainda que, nesse caso, a oposição diga que o índice só diminuiu graças a uma mudança na fórmula de cálculo pelo governo.

Críticas a Uribe
Há um porém sobre os resultados macroeconômicos. Para alguns especialistas, a situação fiscal do país pode se tornar inviável devido aos gastos na luta contra grupos armados, em especial as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia). Seguindo uma tendência de alta desde 1990, o gasto de defesa corresponde hoje a 4% do PIB - tradicionalmente, não superava 2%.

Os candidatos de oposição afirmam que as conquistas de Uribe foram superestimadas, e questionam sua recusa a buscar uma saída negociada para o conflito armado que afeta a Colômbia há mais de 40 anos.

Serpa e Gaviria questionam ainda a negociação de Uribe com as Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC), grupo de extrema direita criado
nos últimos 20 anos para combater a guerrilha, e consideram excessivos os benefícios que ele concedeu aos líderes paramilitares.

Também criticam a aliança estreita entre Uribe e o governo americano, e o acusam de ter perdido a soberania em assuntos como a luta contra o narcotráfico.

Outros questionamentos referem-se à participação do ex-diretor do DAS (Departamento Administrativo de Segurança) Jorge Noguera em uma suposta fraude nas eleições de 2002, em favor de Uribe. As denúncias também envolviam Noguera em um complô para supostamente assassinar o presidente venezuelano Hugo Chávez.

O DAS foi acusado pelo governo da Venezuela de patrocinar reuniões de opositores de Chávez e de participar do assassinato, em Caracas, do promotor Danilo Anderson, em 2004.

Tráfico, ainda um problema
O narcotráfico ainda aparece como uma das questões não resolvidas no país. Quase seis anos depois da implementação, o Plano Colômbia, de combate às drogas, não atingiu seus objetivos.

Segundo dados da ONU, a Colômbia continua sendo o maior produtor mundial de cocaína, responsável por 56% da produção. No entanto, a produção de coca caiu 36,8% entre 2001 e 2004, para 390 toneladas. Tal redução é inferior à meta de 50% e maior que o nível de produção anterior ao plano.

Para a implementação do plano, os EUA injetaram no país mais de US$ 3 bilhões entre 2000 e 2005. O plano foi criado quando Bill Clinton era presidente dos Estados Unidos e Andrés Pastrana, da Colômbia.

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