"Há um movimento para impedir o êxito da China nas Olimpíadas", diz ex-embaixador

Ana Sachs
Da Redação

A largada oficial das Olimpíadas de Pequim, iniciada quando a tocha olímpica foi acesa na Grécia nesta semana, acontece pouco depois dos confrontos mais violentos dos últimos 20 anos no Tibete. Para Amaury Porto de Oliveira, ex-embaixador do Brasil em Cingapura, especialista em assuntos asiáticos e membro do Instituto de Estudos Avançados e do Gacint (Grupo de Análise da Conjuntura Internacional) da USP (Universidade de São Paulo), isso não é coincidência.

Porto de Oliveira acredita que os recentes conflitos no Tibete têm o claro objetivo de tumultuar e prejudicar a realização dos Jogos Olímpicos, que significam publicidade gratuita em todo o globo para o país e a divulgação da imagem da "China moderna". "Há todo um movimento para impedir o êxito da China nas Olimpíadas", disse ao UOL.

Setores como os neoconservadores americanos estariam insatisfeitos com a situação e teriam interesse na desestabilização da região às vésperas das competições, apontou o especialista. "Há muitas forças no sistema internacional que não estão contentes com o fortalecimento da China. Ela atemoriza muita gente que estava acostumada da conduzir o mundo", analisou.

Porto de Oliveira embasa sua tese na avaliação de que o momento é bastante contrário a qualquer tentativa real de independência do Tibete. "O Dalai Lama [líder espiritual dos tibetanos] não tem condições políticas ou materiais para reivindicar a independência, sobretudo em um momento em que Taiwan perdeu essa causa."

No último final de semana, o candidato pró-China à presidência de Taiwan, Ma Ying-jeou, venceu as eleições presidenciais no país com 58% dos votos. "O movimento independentista perdeu força", analisou.

Para ele, os conflitos no Tibete estão longe de ser uma insurreição verdadeira, comparável ao levante que aconteceu em Mianmar no ano passado. "São arruaceiros, sujeitos quebrando vidraças, tacando fogo em lojas, virando carros. Isso é baderna, não é uma insurreição", afirmou.

Boicote
Porto de Oliveira acredita que novas manifestações como a que aconteceu na abertura dos Jogos Olímpicos na Grécia devem se repetir antes e até durante das competições. "Até as Olimpíadas vamos ter esse tipo de coisa. Isso vai acontecer toda hora", disse.

O ex-embaixador descarta, no entanto, um boicote aos jogos, "porque os países Ocidentais dependem cada vez mais da China". "O próprio Estados Unidos reiteraram que não vão pedir boicote, e o Comitê Olímpico dizia que nenhum país membro tinha pedido boicote. O primeiro tremor foi a declaração do Nicolas Sarkozy [presidente da França, que não descratou boicote] que sabe se lá que interesses está defendendo e pressões ele está sofrendo", apontou.

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