Autoridades investigam acidente de avião com mais de 200 pessoas no Sudão

Da Redação Em São Paulo

Atualizado às 10h20

Autoridades do Sudão investigam as causas do acidente com o avião da Sudan Airways, que transportava 217 pessoas e explodiu na terça-feira ao pousar e bater na pista do aeroporto internacional de Cartum.

Testemunhas contaram ter visto mais corpos queimados serem retirados das ferragens nesta quarta-feira de manhã. A Autoridade de Aviação Civil sudanesa confirmou que o número oficial de mortos subiu para 30 após a chegada de mais dois cadáveres ao necrotério do hospital de Cartum. Outros 25 passageiros continuam desaparecidos.

Declarações desencontradas
Em entrevista à agência de notícias Reuters na noite de terça-feira, o general Mohamed Osman Mahjoub afirmou que as autoridades sudanesas contaram 123 sobreviventes dos 217 que estavam a bordo do avião e que 28 mortos estavam no necrotério local.

Mais cedo, Mahjoub havia dito que 120 dos 217 ocupantes do aparelho haviam morrido. A rede de TV "Al Jazeera" veiculou a morte de mais de 100 pessoas. Com as últimas declarações, não há confirmação sobre o estado de outras 64 pessoas que estavam a bordo da aeronave.



Fogo na turbina
O vôo da Sudan Airways vinha de Damasco, na Síria e Amã, na Jordânia. Segundo fontes do aeroporto de Cartum, o incêndio começou na turbina da asa direita do aparelho, pouco antes da aterrissagem.

Quando tocou em terra, o avião saiu da pista, que estava molhada, e o piloto abriu as portas de emergência. Posteriormente, o tanque de combustível explodiu e as chamas tomaram todo o avião.

A TV sudanesa mostrou imagens do avião em chamas na escuridão, enquanto bombeiros tentavam controlar o fogo com mangueiras. O aparelho, que a TV disse ser um Airbus, transportava 203 passageiros e 14 tripulantes.

Um passageiro disse que o avião havia tentado pousar, mas que o comandante suspendeu a operação e avisou aos passageiros que isso se devia ao mau tempo. O avião voou até Port Sudan, na costa do mar Vermelho, antes de voltar a Cartum, cerca de uma hora depois. "Quando tentou pousar houve uma colisão", relatou esse passageiro.

No momento do acidente, uma tempestade de areia prejudicava a visibilidade na cidade, segundo moradores.

Outro sobrevivente, Al Haj Bashir, disse que o pouso em Cartum "não foi normal" e que ocorreu "uma explosão na asa direita" dois ou três minutos depois da chegada em terra.

Um repórter da agência Associated Press que estava no local disse que, no momento do pouso, o avião mudou bruscamente de direção e então começou a pegar fogo. Ambulâncias e caminhões de bombeiros correram para apagar o fogo e resgatar os feridos.

  • Arte UOL

    Acidente ocorreu em Cartum, capital do Sudão, no oeste africano

"O avião aterrissou de maneira segura no aeroporto de Cartum e no momento que o piloto falava com a torre para saber onde parar uma explosão aconteceu", explicou o diretor do aeroporto, Yusuf Ibrahim, que também disse que vários passageiros sobreviveram.

O deputado sudanês Muhamad Abbas Fadami, que estava no avião, disse à rede de TV "Al Jazeera" que ele e outros passageiros conseguiram sair do aparelho pela porta de emergência antes de o fogo se espalhar.

Fogo atingiu cabine e fuselagem da aeronave
O ministro dos Transportes, Mabrouk Mubarak Salim, confirmou ter havido uma explosão no motor direito. "Até agora não temos informação precisa, mas achamos que o tempo foi a principal razão do que aconteceu."

O incêndio no avião já foi debelado. No auge, o fogo parecia consumir a cabine e a fuselagem. As autoridades disseram que o piloto ficou levemente ferido, mas que entre os demais tripulantes só um foi achado com vida. Um porta-voz disse que a contagem de sobreviventes está confusa, porque eles acabaram se dispersando e muitos foram embora do aeroporto.

Pelo menos um ônibus transportou passageiros do avião para longe do local do acidente, contou um engenheiro à agência Reuters. Médicos também afirmaram que alguns feridos foram levados a um hospital da cidade.

Há cinco anos, um Boeing 737 da Sudan Airways caiu logo após decolar de Port Sudan, matando 104 passageiros e 11 tripulantes.

(Com informações da Reuters, EFE, BBC Brasil e da AP)

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