Cúpula do Mercosul termina com avanços na integração regional

Da Redação*

O processo de integração regional avançou com a aprovação do Programa de Integração Produtiva, para associar e criar valor entre as empresas da região, e um fundo para pequenas e médias empresas do cone sul durante a 35ª Cúpula de Chefes de Estado e de Governo do Mercosul. O encontro reuniu os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (Brasil), Cristina Kirchner (Argentina), Nicanor Duarte (Paraguai), Evo Morales (Bolívia), Hugo Chávez (Venezuela), Michelle Bachelet (Chile) e Tabaré Vázquez (Uruguai) e os ministros representantes de Equador, Colômbia e Peru na cidade de Tucumán, na Argentina.

A crise dos alimentos foi o principal assunto discutido, mas dois anúncios oficiais também marcaram a reunião: o fim da exigência do passaporte e o repúdio à lei de imigração da União Européia. O bloco assinou ainda a criação de um código alfandegário comum, o fim da dupla cobrança de impostos e as negociações de preferências comerciais com a União Aduaneira Sul-Africana, a Jordânia e a Turquia.
  • EFE

    O Mercosul condenou durante a Cúpula a xenofobia européia. O documento oficial repudia a nova lei de imigração da União Européia e rechaça a criminalização do estrangeiro ilegal.

    Bachelet e Vázquez lembraram suas ascendências de imigrantes para reafirmar compromisso com os direitos humanos. Leia Mais



Alimentos e biocombustíveis
A crise mundial de alimentos "não é um problema de oferta. Há na América Latina uma capacidade de produção enorme, mesmo em energia, mas precisamos avançar rápido". A fala da presidente do Chile, Michelle Bachelet revela o tom da discussão no âmbito do Mercosul, que aproveita o momento para tentar conquistar espaço como o grande celeiro do mundo.

Durante a Cúpula, os líderes sul-americanos fizeram um apelo ao mundo industrializado para que os subsídios à agricultura e à exportação sejam reduzidos significantemente. Em discurso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que os países desenvolvidos ignoram a "coincidência" entre a crise de crédito hipotecário nos Estados Unidos (e sua repercussão nos bancos europeus) e a especulação em torno dos alimentos. Ele lamentou que esses governos não se responsabilizem por sua participação na crise e pediu que o Mercosul faça uma discussão "verdadeira sobre as necessidades e a crise alimentar" por meio de um grupo proposto pela Venezuela. "Temos que ter cuidado para (evitar) que uma crise que está a quilômetros se transforme em uma crise nossa", falou.

A presidente argentina, Cristina Kirchner, também atacou a especulação que se concentrava no setor financeiro se transferiu para o segmento de alimentos e energia e disse que o aumento nos preços "põe em risco não a economia de um país", mas sim "os alimentos e a soberania alimentar dos povos". Para ela, o mundo vive cenas típicas da Idade Média, com pessoas desesperadas em busca de um pedaço de pão. "Antes as conseqüências da especulação eram pagas pelas macroeconomias, com déficits fiscais. Agora são pagas pelos homens de carne e osso", afirmou.

Os países-membros do Mercosul também aproveitam os altos preços do petróleo para ganhar espaço com energias alternativas, como os biocombustíveis. Em discurso, Lula enfatizou que o Mercosul deve analisar o tema como de longo prazo e criticou que os subsídios das potências tenham limitado a oferta de alimentos. Já Bachelet disse não acreditar que o etanol seja responsável pelos problemas relacionados à falta de comida.


Diferenças
No entanto, Brasil e Argentina, que concentram 80% do comércio do Mercosul, não se entendem quando o assunto é relação bilateral. A Argentina defende o protecionismo e os impostos sobre as exportações de grãos, que provocaram a ira dos agricultores locais, enquanto o Brasil cobra a regularização dos embarques de trigo e maior abertura dos mercados à produção dos países desenvolvidos.

Em encontro com Cristina Kirchner, Lula usou a construção da hidrelétrica binacional de Garabi para tentar acertar diferenças com a Argentina. Eles se armou de argumentos, como a antecipação do cronograma de construção da hidrelétrica e um fundo de US$ 50 milhões para financiar pequenas e médias empresas para cobrar a liberalização do comércio mundial no âmbito da Rodada Doha, cujas discussões estão estagnadas há anos devido ao impasse em torno do nível de abertura em setores de interesse de países desenvolvidos e países emergentes.

A presidente da Argentina, por sua vez, apelou ao Brasil para conter a crise de energia. Ela pediu a Lula a redução nos preços e a ampliação da quantidade de energia enviada pelo Brasil.


Moedas nacionais
Por outro lado, brasileiros e argentinos caminham para a eliminação do dólar das transações comerciais. A adoção de moedas nacionais foi anunciada para setembro, quando as conversões sejam feitas entre diretamente entre pesos argentinos e reais brasileiros.

Durante a Cúpula, os últimos detalhes da medida foram acertados e os dois países disseram estar prontos para abandonar a moeda americana, o que representa um passo efetivo em direção a moeda única.

A iniciativa foi lançada em julho de 2005 e demorou quase três anos para que se projetassem os sistemas de compensação monetária que serão aplicados pelos bancos centrais dos dois países. A utilização da moeda nacional será facultativa, mas representa custos menores de corretagem de câmbio.

* Com agências internacionais

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