Tropas russas invadem a Geórgia para tentar conter avanço sobre a região da Ossétia do Sul; líder rebelde fala em mais de mil mortos

Das agências internacionais

Atualizado às 19h56

  • Arte UOL

    Região da Geórgia envolvida na disputa com separatistas

Tropas russas invadiram nesta sexta-feira uma região com foco de conflito separatista na Geórgia, a Ossétia do Sul. Antes, tropas da Geórgia haviam bombardeado a região, considerada um enclave pró-Rússia, em uma ampliação de um conflito que já perdura desde o início dos anos 90. Um líder separatista fala em mais de 1.400 mortos após o conflito desta sexta. Segundo declaração do secretário do Conselho Nacional de Segurança georgiano, Alexandre Lomaia, à agência AFP, o presidente da Geórgia, Mikhail Saakachvili, decretará o estado de exceção "nas próximas horas".

Com 3.900 km², a Ossétia do Sul, região separatista da Geórgia, localizada na Ásia, está em conflito com o governo georgiano desde o fim de 1990. A disputa começou quando a região se autoproclamou "república soviética", mas o parlamento da Geórgia, que estava se separando da URSS, decretou a dissolução da região autônoma.

Desde então, sucessivos conflitos e tentativas de acordo marcam a disputa pela região. O último teve início nessa sexta, quando as forças de paz russas e as "unidades militares georgianas" travaram "combates intensos" no sul da capital da Ossétia do Sul, Tsjinvali, segundo o comando das forças russas, citado pela agência RIA-Novosti.

O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin declarou que a "guerra já começou", e Mikheil Saakashvili, presidente da Geórgia, acusou a Rússia de uma "bem-planejada invasão", dizendo que ele tinha mobilizado militares da reserva da Geórgia.

A secretária norte-americana de Estado, Condoleezza Rice, pediu em nota que a Rússia retire as tropas e suspenda os bombardeios aéreos, de modo a "respeitar a integridade territorial da Geórgia".

Em Pequim, o presidente George W. Bush prometeu apoio dos EUA à integridade territorial georgiana e reiterou o pedido por um cessar-fogo imediato.

"Nossas forças de paz estão participando de combates ferozes com unidades do exército georgiano nos subúrbios do sul de Tsjinvali," disse um oficial das forças russas mobilizadas na região separatista georgiana da Ossétia do Sul - um enclave apoiado por Moscou.

Em declaração na noite desta sexta-feira, o comandante Marat Kulakhmetov, citado pela agência Interfax, as forças russas de manutenção da paz vão permanecer na república separatista da Ossétia do Sul.

No total, 12 soldados das forças de paz russas morreram e 150 foram feridos por tiros georgianos hoje em Tsjinvali, segundo um porta-voz do comando das forças, citado por Interfax.

Segundo o presidente do território separatista da Geórgia, Eduard Kokoiti, a ofensiva georgiana deixou 1.400 mortos na Ossétia do Sul.

De acordo com Kokoiti, a capital da região separatista, com apenas 30 mil habitantes, ficou "praticamente em ruínas" devido aos bombardeios dos aviões e à artilharia georgiana, que lançou bombas na cidade desde a noite passada.

"Muitos edifícios estão em ruínas. Falta água, não há eletricidade nem luz e a comunicação telefônica quase não funciona", disse Kazbek Friev, comandante do batalhão osseta das Forças Mistas de Paz na Ossétia do Sul, à agência russa "RIA Novosti".

Forças militares russas controlam parte da capital da Ossétia do Sul, Tskhivali, informou o Ministério do Interior da Geórgia. A Rússia enviou tropas a fim de rechaçar o ataque georgiano à região separatista da Ossétia.

Embaixador da Geórgia compara russos com nazistas

    "Controlamos parte da cidade, os russos controlam outra", afirmou o porta-voz do ministério, Shota Utiashvili. No entanto, Utiashvili admite que após os bombardeios russos "com tanques e aviões", o exército georgiano já "perdeu o controle de parte" da cidade.

    Segundo o porta-voz, pelo menos cinco aviões militares russos foram abatidos por caças georgianos. Um bombardeio aéreo, diz Utiashvili, matou três pessoas no aeroporto de Marneuli, cerca de 30 km ao sul de Tbilisi, capital da Geórgia.

    Os russos atacaram também nesta sexta-feira a base militar georgiana de Viaziani (cerca de 15 km ao oeste de Tbilisi), e as localidades de Gori, Kareli e Variani. Não houve mortos nestas ações.

    As autoridades georgianas evacuaram o edifício da presidência e outros escritórios governamentais na capital Tbilisi por temor a um bombardeio russo, anunciou o secretário do Conselho de Segurança Nacional, Alexander Lomaia.

    "Recebemos informes de nosso ministério da defesa de que cinco aviões militares russos decolaram da região russa do Cáucaso (norte) em direção a Tbilisi", afirmou, por telefone.

    Reforço
    • AFP

      Foguetes disparados contra a região separatista da Ossétia do Sul

      A Geórgia irá retirar 1.000 soldados do Iraque para ajudar a combater forças russas em sua região separatista da Ossétia do Sul, disse o diretor do Conselho de Segurança da Geórgia, Kakha Lomaia, na sexta-feira.

      "Nós já comunicamos nossos amigos norte-americanos que iremos retirar metade de nosso contingente de soldados no Iraque nos próximos dias porque estamos sendo agredidos pela Rússia", disse Lomaia à Reuters. "Lá estão nossos melhores soldados."

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