Falta de informação, desespero, comoção e atrasos em vôos marcaram o dia no aeroporto de Barajas

Érica Chaves Especial para o UOL Em Madri

Parentes e amigos dos passageiros do vôo JK 5022 ainda estavam no aeroporto de Barajas em Madri quando souberam que um avião havia caído logo depois de decolar. Pessoas que passaram de carro próximo ao local descreveram o que viram. "Notei que havia uma bola de fogo perto do chão e uma enorme fumaça preta", descreveu um motorista.

O primeiro vôo que saiu do terminal T-4 foi para Barcelona uma hora depois do acidente, às 3h30 (hora de Madri) e os passageiros chegaram a seu destino ainda sem saber o que havia ocorrido. "Só sei que um avião caiu e há muita fumaça em Barajas, minha mãe me ligou para saber se eu estou vivo", contou um passageiro recém chegado a seu destino após a queda da aeronave que estava em chamas em Madri.

Apesar disso, os que conheciam os passageiros do avião em chamas imaginavam que algo grave havia ocorrido, já que não conseguiam completar a ligação para eles. Fontes oficiais e parentes ainda não sabiam o número de sobreviventes quando os jornalistas chegaram ao T-4 fazendo perguntas. No aeroporto Gran Canária, destino do vôo JKK 5022, também se aglomeravam parentes que esperavam por aqueles que não pousariam.

Os atrasos nos vôos que se seguiam e a falta de informação provocaram um pequeno cenário de caos no imenso T-4. Alguns passageiros disseram que estavam com medo de embarcar, mas ainda havia aqueles que compravam bilhetes nos guichês da Spanair.

De diferentes regiões de Madri e da zona metropolitana da capital espanhola foram mobilizados 22 ambulâncias da Cruz Vermelha, 170 policiais, 70 bombeiros e 230 agentes de saúde para atender os feridos . Eles eram também os mais comovidos, junto com amigos e parentes em desespero.

Muitos diziam que só haviam visto algo semelhante no atentado terrorista de 11 de Maio no terminal de trem em 2004, quando morreram 191 pessoas e outras 1.824 ficaram feridas. "Estou inconsolável, tragédias assim não deveriam acontecer", disse um bombeiro que esteve no local do acidente e viu corpos espalhados em até 100 metros de distância. O acidente ocorreu antes das duas da tarde, mas o fog só foi sufocado às 4h30.

Das 1.258 decolagens previstas em Madri até as cinco da tarde, só 677 alçaram vôo, segundo a Aena (Agencia de Aeroportos Espanhóis e Navegação Aérea). Cerca de sete horas depois do acidente, o terminal apresentava relativa tranqüilidade. Os parentes dos passageiros do vôo acidentado foram levados para uma sala reservada. Eles estavam sendo atendidos por psicólogos e esperavam a lista oficial que que acabou sendo divulgada mais tarde pela empresa aérea Spanair.

Ainda havia registro de atrasos no embarque porque o aeroporto passou a operar com uma "freqüência de decolagem menor do que a de costume", segundo o governo espanhol. A pista 36L, perto da qual ocorreu a explosão, está inativa "mas não provocou grandes mudanças nos processos porque é usada principalmente para vôos para as Canárias, que não são tão freqüentes", completa.

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