Bolívia decreta prisão de governador por não obedecer estado de sítio

Rodrigo Bertolotto* Enviado especial do UOL Em Santa Cruz de la Sierra (Bolívia)

Atualizada às 13h45

O governo da Bolívia anunciou o pedido de prisão do governador do Departamento de Pando, Leopoldo Fernández, por desacatar o estado de sítio decretado na quinta-feira após os conflitos de deixaram 30 pessoas mortas e quase uma centena de feridos entre oposicionistas e partidários do presidente Evo Morales.

  • Reuters

    Fazendeiros pró-governo se enfrentam com oposicionistas em cidade no sudoeste de Santa Cruz

A prisão não foi ainda confirmada. Um dos relatos que circulam no país afirma que Fernández se refugiou no Brasil. A capital do Departamente de Pando, Cobija, fica próxima à fronteira com o Estado do Acre.

A detenção é uma das ações no meio da ocupação militar que está acontecendo desde as primeiras horas deste domingo.

O poderoso comitê civil de Santa Cruz, bastião da oposição ao presidente boliviano Evo Morales, anunciou neste domingo a suspensão dos cortes de estradas e outros protestos como "sinal de boa vontade" para pacificar o país, que passa por uma grave violência política.

"Como um sinal de boa vontade para o diálogo e, esperando que o governo nacional também mostre o mesmo sinal de parar a violência no país (...) hoje vamos suspender os bloqueis de estrada", anunciou à imprensa estrangeira o presidente do comitê, Branko Marinkovic.

"Serão levantados todos os pontos de bloqueio no departamento", acrescentou, antes de afirmar que "os demais departamentos farão o mesmo".

Mais cedo, tropas bolivianas começaram a vigiar as ruas da cidade amazônica que foi palco de sangrentos choques entre apoiadores e opositores do governo, com quase 30 mortos.

O efetivo militar foi levado a Cobija após ficar acampado no aeroporto local por mais de um dia, desde sexta-feira. As forças foram fazer cumprir o estado de sítio imposto pelo presidente Evo Morales no distrito de Pando, que tem a pequena cidade como capital.

Os relatos dão conta que as tropas chegaram em dois aviões Hércules e com quatro tanques. Houve tiroteio com pistoleiros que apóiam o governador local.

O governador Fernández pediu que a população reagisse a tomada militar. "Resistirei" foi a frase que Fernández pronunciou sobre a medida de La Paz, estampada em vários jornais da região.

O estado de sítio determina que não aconteçam reuniões com mais de duas pessoas e há toque de recolher da meia-noite até a manhã - o que não estava acontecendo em Pando. Os militares tentam agora pôr em prática a decisão, afinal, as autoridades locais não a seguiam.

A ação deve complicar ainda mais o diálogo entre o presidente Morales e os governadores oposicionistas. Uma reunião estava marcada para este domingo à tarde, mas os políticos autonomistas afirmaram que se acontecesse uma morte mais romperiam a conversa.

"Antes de ir ou não à reunião em La Paz, queremos viajar a Pando para lhe dar nosso apoio", disse o governador de Santa Cruz, Ruben Costas, principal opositor a Morales. Ele deu a declaração ao lado dos colegas do Departamento de Tarija, Mario Cossío, e de Beni, Ernesto Suárez.

A ordem de prisão foi anuciada pelo ministro da Presidência, Juan Ramón Quintana, na noite de sábado. "Prenderemos Fernández", disse. "A prisão será, mais cedo ou mais tarde, por ele ter violado a Constituição", disse, acusando o político de liderar grupos "paramilitares e mafiosos" que mataram líderes camponeses.

* Com informações da AFP e da Reuters

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