Oposição boliviana retoma negociação com governo e assina pré-acordo

Rodrigo Bertolotto
Enviado especial do UOL Notícias
Em Santa Cruz de la Sierra (Bolívia)

Depois de abandonar as negociações de manhã, com a prisão do governador Leopoldo Fernández (Departamento de Pando), o negociador da oposição boliviana assinou nesta noite de terça o acordo para seguir as conversas com o governo de La Paz.

Durante cerimônia em Santa Cruz de La Sierra, Mario Cossío deu sua rubrica aos pontos de negociação que manterá com Evo Morales nesta quinta-feira (18) na cidade de Cochabamba, terreno neutro entre os governadores da planície, que pedem mais autonomia e verbas, e o palácio presidencial de Quemado, que acusa de golpe de Estado as ações de invasão, bloqueio de caminhos e protestos nos últimos dias nas regiões fronteiriças a Brasil, Argentina e Paraguai.

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    "Ia assinar o documento às 9h, como tínhamos acertado, mas fiquei sabendo da detenção de nosso colega de Pando e me retirei. Agora assino, mesmo preocupado pela ação do governo das últimas horas. É um sinal que queremos a pacificação", disse Cossío, que é governador do Departamento de Tarija, região em que aconteceram os bloqueios de estrada mais fortes e a explosão em gasoduto que reduziu a exportação de gás ao Brasil.

    Com presença de bispos católicos, Cossío assinou ao lado de Rubén Costas, o governador de Santa Cruz de La Sierra, que é o departamento que mais se opõe ao governo de La Paz e que se diz mais prejudicado com a distribuição de renda, afinal, é o que tem a indústria e o agronegócio mais rico do país em grave crise política.

    Evo Morales saiu fortalecido da reunião em Santiago de presidentes sul-americanos, mas o documento incluía a volta à negociação com a oposição, com a participação de entidades "facilitadoras", para acalmar os ânimos exaltados de tanta rivalidade partidária, ideológica, geográfica e até étnica entre as regiões.

    Nesta quarta-feira (17), um grupo de camponeses irá marchar desde os bloqueios de estrada até Santa Cruz de la Sierra. A marcha pode marcar um novo momento perigoso para a negociação.

    Os EUA mandaram dois aviões a La Paz para levar seus cidadãos para Lima, no Peru, além de recomendar que os norte-americanos não viajem à Bolívia, que expulsou seu embaixador na semana passada.

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