Movimentos sociais do Mercosul querem apoio à decisão do Equador de auditar dívida

Mylena Fiori Enviada Especial da Agência Brasil Em Salvador (BA)

A sociedade civil organizada sul-americana pedirá aos chefes de Estado da região que apóiem a decisão do Equador de auditar sua dívida externa. O consenso foi obtido após dois dias de debates entre os cerca de 500 representantes de movimentos sociais que participaram da Cúpula dos Povos do Sul, encerrada nesse domingo (14) em Salvador (BA).

O documento manifesta apoio a todas as iniciativas de auditoria de dívidas ilegítimas - como pretendem fazer, a exemplo do Equador, Venezuela, Paraguai e Bolívia. Não cita, no entanto, a decisão do governo equatoriano de não pagar empréstimo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) referente à construção da Hidrelétrica San Francisco.

"Vemos com satisfação que na região está se impulsionando a autonomia, o fortalecimento dos mercados internos, o abandono do dólar como referência nas trocas internacionais, a dotação de capacidade financeira própria e a revisão de esquemas ilegítimos de endividamento, como ilustra o caso da auditoria no Equador", diz o documento que será levado amanhã à Cúpula Social - instância institucional de diálogo entre governos e sociedade civil do Mercosul e Estados associados.

Os movimentos sociais fazem ainda um chamamento aos governos da região para que busquem soluções, "dentro dos marcos da justiça e da solidariedade", para a demanda do povo paraguaio de renegociação dos tratados da Hidrelétrica Binacional de Itaipu e da Usina Yuciretá, na fronteira entre Paraguai e Argentina.

Ainda adverte sobre o perigo da presença da 4ª Frota dos Estados Unidos na região e pede a retirada de militares estrangeiros do Haiti - o contingente integra a Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah), da qual o Brasil faz parte.

A declaração final da Cúpula dos Povos solicita também a plena reintegração de Cuba à comunidade latino-americana e caribenha (Cuba foi excluída da Organização dos Estados Americanos (OEA) em 1962, pouco depois da revolução), o fim do bloqueio econômico imposto à ilha pelo governo norte-americano e a libertação dos cinco cubanos presos "injustamente" nos Estados Unidos, acusados de espionagem.

O documento, de cinco páginas, também defende a integração como remédio contra a crise financeira mundial e pede a alteração do modelo produtivo com aprofundamento da reforma agrária, a soberania dos países sobre seus bens naturais e suas fontes energéticas e o livre fluxo de pessoas, não apenas de bens e mercadorias.

Os movimentos sociais ainda estão se articulando na tentativa de apresentar suas demandas aos 33 presidentes que participarão da Cúpula da América Latina e do Caribe sobre Integração e Desenvolvimento (Calc), amanhã (16) e quarta-feira (17) na Costa do Sauípe (BA).

A Cúpula dos Povos ocorre simultaneamente à Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul e reúne apenas movimentos sociais do países do bloco e dos Estados associados. Já a Cúpula Social reúne representantes da sociedade civil e dos governos. O modelo da Cúpula Social nasceu em Córdoba, na Argentina, em julho de 2006, durante o 1º Encontro por um Mercosul Produtivo e Social.

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