Israel rejeita trégua provisória; 25% dos mortos são civis, diz ONU

Das agências internacionais*

Mísseis do Hamas atingiram Beersheba, maior cidade de Israel, nesta quarta-feira e o país definiu como impraticável a proposta da França de uma trégua de 48 horas que permitiria a chegada de mais ajuda humanitária à Faixa de Gaza.

Potências estrangeiras aumentaram a pressão dos dois lados para que se encerrem as hostilidades e autoridades israelenses deixaram claro que o país não rejeitou a proposta francesa e está aberto para discussões.

Mas diante de uma reunião do gabinete de segurança de Israel, comentaristas políticos prevêem que o sentimento público de ódio sobre a ampliação de ataques de mísseis, incluindo Beersheba, a 40 km da Faixa de Gaza, pode pesar na balança contra qualquer suspensão dos ataques contra o Hamas.

"A proposta (francesa) não contém garantias de qualquer tipo de que o Hamas vá parar com os mísseis e contrabando", disse Yigal Palmor, porta-voz do Ministério de Relações Exteriores.

"Não é real esperar o cessar fogo de Israel unilateralmente com nenhum mecanismo para obrigar a suspensão dos ataques e do terror do Hamas", disse no quinto dia de ataques aéreos.

Mortes de civis
Ao menos 25% dos palestinos mortos desde o início da ofensiva militar israelense na Faixa de Gaza são civis, segundo a Agência das Nações Unidas para ajuda aos Refugiados Palestinos.

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"Pelo menos 25% dos mortos são civis e este percentual ainda pode aumentar", declarou nesta quarta-feira Christopher Gunness, porta-voz da agência.

Desde o início, em 27 de dezembro, da ofensiva israelense contra o movimento islâmico Hamas na Faixa de Gaza, quase 400 palestinos morreram e 1.900 resultaram feridos, segundo fontes médicas em Gaza.

Segundo a mesma fonte, ao menos 42 das vítimas são crianças.

"As condições para os pais e crianças em Gaza são perigosas e espantosas. Para muita gente é uma situação de vida ou morte", afirmou por sua vez em um comunicado Maxwell Gaylard, porta-voz do coordenador especial da ONU para o processo de paz no Oriente Médio.

Gaylard pediu a reabertura "o mais rapidamente possível" das passagens fronteiriças entre Israel e a Faixa de Gaza, onde a agência da ONU deve proporcionar assistência alimentícia "urgente a 750.000 pessoas".

Conferência Islâmica
O Senegal, em nome da Organização da Conferência Islâmica (OCI), pediu nesta quarta-feira à comunidade internacional que "fixe uma data para uma trégua permanente" em Gaza onde os ataques aéreos israelenses contra o Hamas deixaram quase 400 mortos desde sábado.

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"A comunidade internacional pode fixar uma data e uma hora para marcar o fim das violências e o início de uma trégua permanente que conduza a negociações pacíficas e à paz, entre israelenses e palestinos", indicou o ministério senegalês dos Assuntos Estrangeiros em um comunicado transmitido à AFP.

O Senegal preside desde março a OCI.

Segundo o ministério, a dificuldade reside na possibilidade de obter interrupções simultâneas das violências dos dois lados, israelense e palestino.

Este comunicado foi publicado após os contatos que o presidente do Senegal e o presidente em exercício da OCI, Abdoulaye Wade, tiveram com as duas partes nas últimas 48 horas, sobre as violências em Gaza.

"Sem uma trégua, há risco de a escalada atual nos levar ao irreparável", acrescentou o texto.

França
O ministro francês das Relações Exteriores, Bernard Kouchner, se declarou contrário nesta quarta-feira a uma operação terrestre do exército israelense em Gaza, onde os ataques aéreos já mataram quase 400 pessoas, e defendeu um cessar-fogo pedido na véspera pela União Européia (UE).

"Não desejo que haja uma ação terrestre porque acredito que não existe uma solução terrestre e que isto provocará muito mais mortes", afirmou Kouchner, entrevistado pela emissora de rádio francesa RTL, sobre o envio de novos reforços israelenses aos arredores da Faixa de Gaza.

Kouchner lembrou que existe no seio da UE uma convergência para pedir um cessar-fogo imediato. "O cessar-fogo permitiria o acesso de ajuda humanitária, que deve ser permanente e respeitado", acrescentou.

Ao mesmo tempo, reconheceu que há divergências sobre o modo de encarar o conflito.

Israel afirmou que está estudando nesta quarta-feira a proposta internacional para instaurar uma trégua permanente com o Hamas, rechaçando assim a idéia de um cessar-fogo provisório por considerar que não garantiria o fim dos disparos de foguetes palestinos contra seu território.

*com AFP e Reuters

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