Hamas aceita, com condições, propostas de trégua da UE

Das agências internacionais*

O movimento islâmico palestino Hamas anunciou nesta quinta-feira que aceita, com condições, as propostas feitas pela União Européia (UE) para instaurar uma trégua com Israel na Faixa de Gaza.

"O Hamas aceita esta iniciativa desde que a agressão israelense acabe, desde que o bloqueio seja levantado, que todos os pontos de passagem sejam abertos e que tenhamos garantias internacionais de que o ocupante não voltará a começar esta guerra terrorista", declarou em um comunicado o porta-voz do Hamas, Fawzi Barhum.

Israel realiza bombardeios na Faixa de Gaza nesta quinta-feira, pelo sexto dia consecutivo, apesar da pressão cada vez maior da comunidade internacional por um cessar-fogo.

Aviões israelenses atacaram prédios do governo na Faixa de Gaza no primeiro dia do ano, e o Hamas disparou mais foguetes contra os israelenses, depois que os dois oponentes rejeitaram apelos internacionais para um cessar-fogo.

Tropas e tanques israelenses se concentram perto da fronteira do território controlado pelo Hamas. O jornal Haaretz publicou nesta quinta-feira que os militares de Israel recomendaram uma ação terrestre em grande escala, mas de curta duração, contra a região.

Morte de líder político do Hamas
No sexto dia de conflitos, Israel atacou 20 alvos do Hamas na Faixa de Gaza. Autoridades médicas palestinas afirmaram que três civis foram mortos e 100 pessoas ficaram feridas.

De acordo com o Hamas, as sedes dos ministérios da Educação e dos Transportes foram praticamente destruídas. O Parlamento palestino foi também atingido, segundo o grupo.

O ataque aéreo matou Nizar Rayyan, importante líder político do Hamas, e mais quatro pessoas, incluindo membros de sua família, informou o Hamas.

Rayyan era declaradamente um defensor de novos ataques suicidas contra o Estado judaico.

Desde que a ofensiva de bombardeios começou no sábado, Israel focou principalmente os comandantes mais importantes do Hamas, mas não seus líderes políticos.

Os foguetes do Hamas, por sua vez, atingiram as cidades de Beersheba, Ashdod e Ashkelon. Ainda não há relatos sobre vítimas.

Diplomatas dizem que o mais sangrento conflito na Faixa de Gaza em quatro décadas pode ficar ainda pior. Até agora, os ataques aéreos israelenses mataram pelo menos 399 palestinos, um quarto deles, segundo dados das Nações Unidas, era formado por civis. Mais de 1.700 ficaram feridos.

Três civis israelenses e um soldado foram mortos por foguetes disparados da Faixa de Gaza, desde que Israel iniciou a onfensiva no sábado, com o objetivo declarado de acabar com esses ataques a foguete.

A ONU afirmou nesta quarta (dia 31 de dezembro) que vai retomar a distribuição de alimentos e medicamentos em Gaza na quinta-feira.

Um porta-voz do Comitê Internacional da Cruz Vermelha disse à BBC que a situação dos hospitais em Gaza está em "seu limite máximo" e que eles precisam urgentemente de ajuda.

Israel
O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, afirmou nesta quinta-feira que Israel não quer realizar em Gaza "uma guerra longa", seis dias depois do início da ofensiva contra o Hamas nesse território palestino.

"Não nos interessa realizar uma guerra longa e não queremos ampliar o frente", declarou Olmert aos jornalistas durante uma viagem a Beersheva, no sul do país.

A ministra israelense das Relações Exteriores, Tzipi Livni, chegou nesta quinta-feira a Paris, onde se reunirá com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, seis dias depois do início de uma ofensiva israelense contra o Hamas na Faixa de Gaza, informou a embaixada de Israel na França.

A chefe da diplomacia israelense falará com o presidente francês no Palácio do Elysées às 16H00 (13H00 de Brasília).

Livni tinha previsto almoçar primeiro com seu colega francês, Bernard Kouchner, segundo a embaixada israelense.

A chanceler israelense tentará explicar a recusa quarta-feira por Israel à idéia de um cessar-fogo com o Hamas proposta pela França em nome da União Européia e do Quarteto para o Oriente Médio (UE, Estados Unidos, ONU E Rússia).

ONU sem consenso
O Conselho de Segurança das Nações Unidas não conseguiu chegar a um consenso sobre uma resolução pedindo um cessar-fogo na Faixa de Gaza.

Um esboço de resolução, apresentado em uma reunião de emergência a pedido da Liga Árabe, acabou não sendo submetido formalmente a votação por causa de divergências entre os representantes dos países que integram o conselho.

Embaixadores de Estados Unidos e Reino Unido reclamaram que o texto, apresentado por Líbia e Egito, não fazia referência aos ataques palestinos contra Israel que, segundo eles, motivaram a atual ofensiva israelense.

Mais cedo, o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, já havia rejeitado pedidos para uma trégua de 48 horas para permitir o fluxo de ajuda humanitária na Faixa de Gaza.

Em Nova York, o emissário palestino nas Nações Unidas (ONU), Rijad Mansour, exigiu uma resolução para garantir uma trégua imediata.

Mas a embaixadora israelense, Gabriela Shalev, disse que seu país vai continuar a fazer o que for necessário para se proteger contra o que chamou de "terrorismo".

O embaixador dos Estados Unidos na ONU, um dos dos membros permanentes do Conselho de Segurança com direito a veto, disse acreditar que depende de Israel e do movimento palestino Hamas concordar com um cessar-fogo, e que a ONU não deve impor um acordo.

*com AFP, BBC e Reuters; atualizada às 11h44

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