Quarenta pessoas morrem após novo ataque de Israel atingir escola da ONU; Exército conhecia local, declara porta-voz

Do UOL Notícias*
Em São Paulo

Atualizado às 16h38

11 DIAS DE CONFLITO

  • Reuters

    Exército de Israel ampliou a incursão terrestre em Gaza

  • Reuters

    Bombardeio israelense atingiu escola das Nações Unidas

  • Reuters

    Palestino ferido em ataque é socorrido; ao menos 40 morreram

Pelo menos 40 pessoas que tinham se refugiado na escola Al-Fakhoura, situada no campo de refugiados de Jabalya, norte da faixa de Gaza, e administrada pela ONU, foram mortas nesta terça-feira (6) em um bombardeio israelense, anunciou uma fonte médica, ampliando o saldo divulgado anteriormente.

Este é o segundo ataque contra uma escola da ONU nas últimas 24 horas. Ontem à noite, três pessoas da mesma família morreram em um bombardeio na escola Asma, em Beit Lahia, onde mais de 400 palestinos estão refugiados.

A porta-voz da ONU para os refugiados palestinos, Elena Mancusi, declarou, em Genebra (Suíça), que o Exército de Israel sabe onde estão as instalações da ONU: "nossas instalações de saúde, escolas ou armazéns são conhecidas pelas forças israelenses para prevenir ataques do ar ou incursões. Eles sabiam que era um abrigo. Este foi um ataque contra uma instalação da ONU", acusa Mancusi.

A representante da ONU questionou a afirmação de Israel de que os ataques são dirigidos somente contra milicianos do Hamas, e afirmou que este não foi o primeiro ataque a uma instalação da ONU durante a ofensiva de Israel em Gaza. Mancusi lembra que no terceiro dia da ofensiva em Gaza, um centro de formação da ONU também foi alvo de um bombardeio, que deixou oito mortos, entre eles menores de idade.

No 11º dia de bombardeios contra a faixa de Gaza, o número de mortos entre os palestinos chegou a 630, enquanto os feridos chegam a 3 mil, segundo fontes hospitalares. Mancusi lembra que, entre os mortos, há trabalhadores de seu organismo, estudantes de escolas administradas pela ONU e centenas de refugiados.

"Somos testemunhas de um ataque sem precedentes por parte de uma das potências militares mais sofisticadas em uma das zonas urbanas de maior densidade demográfica do mundo", acrescenta Mancusi.

John Ging, diretor da UNRWA (agência de socorro da ONU na Palestina), também lamentou a situação na faixa de gaza. "Esta é uma situação muito, muito trágica. É sem precedentes na escala e na futilidade. É conflito desnecessário e completamente sem justificativa", afirmou.

"Nenhum lugar é seguro para civis na faixa de Gaza. Eles estão fugindo de suas casas e eles estão certos quando se analisa o número de feridos. Mesmo as 14 mil pessoas que procuraram proteção em nossas escolas e abrigos não estão seguras", acrescentou Ging.

Na última segunda-feira, o "fogo amigo" de um tanque de Israel matou três soldados israelenses e feriu 24 outros, o que gerou mais críticas à ação militar e ao governo em Israel. O Exército disse que um outro oficial israelense também morreu e existe a chance de que ele também tenha sido morto por falha do próprio Exército.

Ao menos cinco foguetes disparados a partir da faixa de Gaza atingiram Israel na terça-feira, incluindo um que atingiu a cidade de Gadera, a 28 km de Tel Aviv, disse a polícia. Uma menina de 3 anos ficou ferida. Os militares israelenses afirmaram ter matado 130 militantes do Hamas desde sábado (3), quando começou a ofensiva por terra.

Dez israelenses, incluindo três civis atingidos por foguetes, morreram no conflito.

"Sofrimento insustentável"
O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) e a ONU, as duas maiores organizações de ajuda em casos de guerra, afirmaram hoje que o acesso às vítimas do conflito é o grande desafio humanitário na faixa de Gaza, onde o sofrimento da população é "insustentável".

Mancusi diz que os constantes bombardeios e combates no território palestino tornam muito difícil e irregular o acesso dos feridos aos atendimentos médicos, da população aos alimentos básicos, enquanto o abastecimento de água depende de que uma rede de distribuição muito precária não entre em colapso. Se uma parte desse sistema ceder, pelo menos 500 mil pessoas na faixa de Gaza - um terço da população - ficariam sem água potável.

A situação é ainda mais dramática, acrescenta Mancusi, se for levado em conta que a população vítima da guerra "é proibida de fugir em busca de segurança", em referência ao ferrenho bloqueio israelense nas passagens de fronteira.

A ONU DIANTE DO CONFLITO

Presidência da União Europeia declara que cessar-fogo em Israel depende do Conselho de Segurança da ONU



Segundo a ONG inglesa Oxfam, os hospitais de Gaza estão a beira do colapso com a constante chegada de feridos civis. Centenas de famílias palestinas se encontram em situação desesperadora enquanto as baixas civis levam o sistema hospitalar ao colapso, diz a ONG em comunicado. "Há carência de medicamentos e equipamento para atender os feridos. Alguns paramédicos morreram por causas dos ataques e várias clínicas fecharam devido à proximidade das zonas de combates", disse o diretor da Oxfam em Jerusalém, John Prideaux-Brune.

"Os hospitais têm muitas dificuldades de funcionar devido ao recorrente corte de eletricidade. O combustível usado para alimentar os geradores está acabando. Dezenas de pacientes estão ameaçados de morrer pela falta de geradores", acrescenta Prideaux-Brune.

O diretor de operações do CICV, Pierre Krahenbuhl, afirmou que a gravidade da situação em Gaza se deve às condições extremamente duras que já imperavam neste território, após 18 meses de bloqueio e restrições às importações impostas por Israel.

"É difícil transmitir o grau de inquietação e ansiedade que esta situação nos provoca. Sem dúvida, estamos diante de uma crise humanitária de grandes proporções", disse Krahenbuhl, em Genebra (Suíça).

O diretor da CICV ressaltou que uma das prioridades é garantir que os feridos recebam atendimento médico, já que muitas vítimas morrem enquanto esperam a chegada de uma ambulância. "Se for confirmada a divisão do território de Gaza em duas ou três partes, oferecer esse auxílio médico será ainda mais difícil", acrescentou.

O Brasil enviará, na próxima sexta-feira (9), 14 toneladas de ajuda humanitária a Gaza, incluindo alimentos e remédios. "O movimento das organizações humanitárias no terreno é extremamente difícil e perigoso, apesar da coordenação existente. Insistimos em que a possibilidade de chegar às pessoas e infra-estruturas civis deve melhorar imediatamente. Não temos a mobilidade de que precisamos dentro de Gaza", disse.

Em Amã (Jordânia), durante encontro que reuniu o ministro de Assuntos Exteriores tcheco, Karel Schwarzenberg, a comissária européia de Relações Exteriores e Política Européia de Vizinhança, Benita Ferrero-Waldner, e o rei jordaniano, Abdullah II, a UE e a Jordânia acertaram a criação de um mecanismo conjunto para levar ajuda humanitária aos habitantes da faixa de Gaza, informou a Casa Real Jordaniana.

A comissária européia pediu uma "trégua humanitária" em Gaza para poder ajudar os habitantes locais. "Não deixaremos as pessoas de Gaza morrer. Pressionamos Israel para que abra as passagens fronteiriças", acrescentou.

Olmert rejeita proposta da UE por cessar-fogo
O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, voltou a rejeitar a proposta da União Europeia (UE) por cessar-fogo. Olmert comunicou a recusa em seu escritório em Jerusalém e disse que "respeita" as Nações Unidas e suas instituições, mas rejeitou suas chamadas a uma trégua e se mostrou partidário da iniciativa promovida pelos Estados Unidos de "colocar uma manta internacional sobre o fogo em Gaza".

"Olhem onde estão disparando, já alcançaram Gedera", disse Olmert, em referência a uma localidade situada a 40 quilômetros de Gaza onde chegou hoje, pela primeira vez, um foguete palestino, que provocou ferimentos leves em um bebê, segundo o site do jornal israelense "Yedioth Ahronoth".

"Antes da trégua disparavam a uma distância de 20 quilômetros, agora chegam até 40 quilômetros. Se houver outra trégua, alcançarão 60 quilômetros ou mais", disse o chefe do Governo israelense.

Olmert acrescentou que "respeita" as Nações Unidas e suas instituições, mas rejeitou suas chamadas a um cessar-fogo e se mostrou partidário da iniciativa promovida pela Administração americana de "colocar uma manta internacional sobre o fogo em Gaza".

Segundo o primeiro-ministro, o mais importante neste momento é "frear o contrabando de armas" a partir do Egito por túneis subterrâneos "e o fortalecimento do Hamas".

"Já fizemos gestos suficientes, agora exigimos uma ação que traga segurança aos residentes do sul de Israel", acrescentou.


*Com as agências internacionais

FAIXA DE GAZA

  • Arte UOL

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