Crise humanitária em Gaza se agrava "de hora em hora", diz ONU

Das agências internacionais

A crise humanitária na faixa de Gaza piora "de hora em hora", alertou nesta quinta-feira a Agência das Nações Unidas para os Refugiados Palestinos (UNRWA), que suspendeu todas suas atividades humanitárias depois que obuses do Exército israelense atingiram um de seus comboios, deixando um morto.
  • Reuters

    Dezenas de tanques israelenses, apoiados por helicópteros, entraram no sul do território palestino pelo ponto de passagem de Kisufim e seguiram para a cidade de Khan Yunis


"A crise humanitária se agrava de hora em hora", colocando 1,5 milhão de palestinos bloqueados no território em uma "situação crítica", declarou o porta-voz da agência em Gaza, Christopher Gunnes.

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, viajará ao Oriente Médio para tratar do conflito na Faixa de Gaza, informou o Itamaraty nesta quinta-feira. Entre os dias 11 e 13 de janeiro ele vai visitar Israel, Palestina, Síria e Jordânia.


A UNRWA considerou insuficiente a interrupção diária dos confrontos, por parte do Exército israelense, pelo período de três horas. "Do ponto de vista operacional, três horas não fazem nenhuma diferença", declarou a porta-voz da agência em Genebra, Elena Mancusi Materi. "Temos de distribuir a comida para 750.000 refugiados em Gaza e não podemos fazer isso em três horas", ressaltou.

Endossando o coro dos atores humanitários, a UNRWA voltou a insistir na necessidade de um cessar-fogo permanente para permitir que as operações de ajuda às vítimas aconteçam com toda segurança. "A situação continua muito volátil e muito perigosa para nossos funcionários", insistiu Gunnes.

Segundo a UNRWA, os corredores humanitários propostos pelas Forças Armadas israelense ainda devem ser estabelecidos "corretamente". Os eixos viários utilizados pelos militares israelenses atrapalham a organização da ajuda, ou a possibilidade, para seus beneficiários, de se deslocar para receber os víveres. Hoje, um milhão de pessoas estão sem luz, e 750.000 estão sem água, acrescentou Gunnes.

"Dispomos de reservas alimentares para alguns dias, não por semanas", insistiu, acrescentando que, se o ponto de passagem de Karni com Israel não for reaberto, "não há nenhuma dúvida de que as pessoas ficarão com cada vez mais fome".

"As pessoas já estão nos dizendo que têm fome, e essa insegurança alimentar cresce", completou o porta-voz da agência da ONU, lembrando que alguns lugares da Faixa de Gaza continuam isolados e afastados de qualquer ajuda humanitária.

A situação sanitária também é dramática. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o sistema médico palestino está "à beira do colapso", com hospitais sobrecarregados, pessoal médico esgotado fisicamente de trabalhar sem parar, por quase duas semanas. Os hospitais estão funcionando, graças a geradores, que poderão parar a qualquer momento devido à falta de combustível, acrescentou a OMS.

"Todos os programas de vacinação foram interrompidos em 27 de dezembro", anunciou a OMS, que teme o ressurgimento de doenças normalmente combatidas por essas vacinas, caso os programas não sejam retomados logo.

"UE deve obrigar Israel a parar com a matança"
O conselheiro da Delegação-Geral da Palestina em Portugal, Moussa Abunaim, apelou nesta quinta-feira à Europa para "obrigar" Israel a parar com a "matança" do povo palestino e cumprir os acordos firmados.

"A União Européia deve pressionar os israelenses para pararem com esta matança do povo palestino e obrigar Israel a cumprir os acordos firmados, nomeadamente as resoluções das Nações Unidas e as resoluções do conselho de segurança", disse Abunaim à Lusa, no final da cerimônia da tomada de posse do tunisino Mongi Boussina como acadêmico correspondente estrangeiro da Academia das Ciências de Lisboa.

Ao classificar de "crime" o ataque israelense contra o povo da Palestina na Faixa de Gaza, o conselheiro Moussa Abunaim considerou que "os israelenses não cumprem nada e não querem a paz".

"O que se está a passar agora é um crime contra o povo da Palestina, é uma matança verdadeira contra o povo civil, contra as mulheres e contra as crianças, contra um povo que está embargado há dezesseis meses sem comida, sem água, sem luz, sem medicamentos, sem hospitais, sem nada. Um povo que está a ser atacado por Israel que está munido pelo último e mais moderno armamento", lamentou.

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