Rússia e UE formalizam controle nos envios de gás pela Ucrânia

Das agências internacionais

Atualizada às 14h31

A Rússia e a União Européia (UE) assinaram neste sábado (10) o protocolo para a criação da comissão que controlará os envios de gás por território ucraniano, declarou o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, que disse que a Ucrânia será devidamente informado do fato.

"Quando o mecanismo de controle entrar em vigor, abriremos imediatamente o gás", afirmou em entrevista à imprensa, após se reunir com seu colega tcheco, Mirek Topolanek, cujo país exerce a presidência rotativa da União Européia (UE).

Putin ressaltou que a Rússia voltará a interromper o fornecimento se constatar novos "roubos" de gás. "Olharemos quanto gás entra no território ucraniano e quanto gás sai. Se constatarmos roubos e se parte do gás se perder, reduziremos novamente os fornecimentos na mesma quantidade", acrescentou.

Ele fez estas declarações ao término das negociações que manteve com seu colega tcheco, Mirek Topolanek, nos arredores de Moscou.

Representando a parte russa, o vice-primeiro-ministro Igor Sechin e o executivo-chefe da empresa Gazprom, Alexei Miller, assinaram o documento. Por sua vez, Andris Piebalgs, comissário europeu de Energia, e Martin Rimam, ministro de Indústria e Comércio da República Tcheca, rubricaram o protocolo como representantes do bloco europeu.

Antes, o primeiro-ministro da República Tcheca e presidente em função da União Européia (UE), Mirek Topolanek, havia comunicou que chegara a um "acordo verbal" com a Ucrânia para que observadores russos e europeus possam entrar no país e verificar o envio de gás para a Europa. Topolanek afirmou ter transmitido aos dirigentes ucranianos que "ficaria na região até que o gás voltasse a transitar novamente".

"Temos um acordo verbal sobre posicionamento da comissão de acompanhamento nas estações de entrada e saída do gás, tanto em território ucraniano como em solo russo", disse Topolanek, no início de uma reunião com seu colega russo, Vladimir Putin.

Por outro lado, a empresa russa de gás Gazprom acusou hoje o presidente da Ucrânia de impedir o trabalho da comissão de observadores que deve controlar os fornecimentos de gás russo à Europa através do território ucraniano por ainda não ter assinado o protocolo para a formação dessa comissão.

"Ouvimos a declaração (da parte ucraniana), mas o protocolo sobre a criação da comissão multilateral para o controle do trânsito do gás pelo território da Ucrânia ainda não foi assinado, isto quer dizer que os fornecimentos do nosso gás estão paralisados de novo por decisão ou falta de vontade do presidente da Ucrânia", acusou o porta-voz do grupo Gazprom, Sergeui Kuprianov.

Segundo o porta-voz, apesar de alguns funcionários se encontrarem em Kiev desde sexta-feira, não possuem o estatuto de observadores enquanto o protocolo não for assinado por todas as partes interessadas. Ele acrescentou que o trabalho de controle desses observadores não se deve reduzir à sua presença em Kiev, devendo estar na entrada e na saída da rede de gasodutos e nos depósitos subterrâneos de gás da Ucrânia.

O funcionário da Gazprom lembrou que, segundo um acordo recentemente conseguido, a empresa russa só reiniciará os fornecimentos de gás à Europa através do território ucraniano caso se estabeleça um controle sobre o gás que a Rússia entrega à Ucrânia por parte de uma comissão multilateral integrada por representantes da Gazprom, da empresa ucraniana Naftogaz, por delegados dos Ministérios da Energia da Rússia e da Ucrânia, por representantes das companhias européias que consomem o gás russo e por peritos de uma entidade auditora independente.

Bósnia
A situação na Bósnia começa a melhorar depois que a Sérvia aceitou emprestar um milhão de metros cúbicos de gás natural, uma medida urgente tomada para que a população sérvia não passasse frio e que, por enquanto, aliviou a difícil situação energética criada pelo corte nos envios de gás provenientes da Rússia.

Almir Becarevic, diretor da empresa bósnia para a distribuição de gás, a BH Gas, declarou que o empréstimo da Sérvia ajudará 80 mil famílias em Sarajevo e Zvornik, no leste da Bósnia.

Por conta da crise do gás, dezenas de milhares de famílias na Bósnia ficaram sem calefação nos últimos dias, quando as temperaturas no país caíram para baixo de 0° C.

Em Belgrado, Busan Bajatovic, diretor da empresa sérvia de distribuição de gás Srbijagas, declarou que o fornecimento de gás à Bósnia é um gesto de solidariedade nesta situação de crise.

A Sérvia, que chegou a ficar sem gás na terça-feira, acertou há dois dias com a Hungria e a Alemanha o recebimento diário de quase 5 milhões de metros cúbicos do produto.

Esse volume, junto com os modestos recursos próprios da Sérvia, permitiu a retomada da calefação e a normalização do trabalho de padarias, hospitais e outros edifícios prioritários.

Mais cedo, a Ucrânia anunciou que fornecerá gás natural de suas próprias reservas à Bulgária e à Moldávia. "A Ucrânia fornecerá dois milhões de metros cúbicos diários de gás natural ucraniano de suas próprias reservas a partir de 10 de janeiro", anunciou a presidência em um comunicado.

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