Em última coletiva, Bush oferece mais dinheiro a Obama, e diz esperar 'tom' diferente

Das agências internacionais

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, concedeu nesta segunda-feira sua última entrevista coletiva antes de deixar a Casa Branca, e falou sobre a sua expectativa para a transição do governo para seu sucessor Barack Obama, a posição do país no atual conflito no Oriente Médio e a controversa guerra no Iraque, além da atual crise econômica.

ÚLTIMAS PALAVRAS DE BUSH

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    George W. Bush disse que se "desapontou" com Washington...

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    ... e que espera que Obama seja tratado com "tom diferente"...

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    ... e com todo o respeito que ele merece como novo presidente

Bush, que se despede como um dos presidentes mais impopulares da história do país, confirmou que pedirá ao Congresso a liberação da segunda parte do pacote de resgate financeiro no valor de US$ 700 bilhões, se Obama assim desejar. "Eu disse que se ele acha que os US$ 350 bilhões são necessários, eu os pedirei ainda durante minha gestão", afirmou o presidente.

"Wall Street se embebedou e nós sofremos a ressaca", disse Bush, que afirmou que as medidas tomadas por seu governo "ajudaram a descongelar o mercado de crédito" e ressaltou que este "é o primeiro passo para a recuperação".

O Departamento do Tesouro usou a primeira metade do fundo para comprar ações nos bancos e, assim, oferecer capital. Também estendeu empréstimos às empresas automotivas Chrysler e General Motors. Bush revelou que "não está confortável" com a decisão de oferecer ajuda aos bancos, mas disse que foi necessária.

Obama chegou a anunciar que planeja um plano de resgate da economia de até US$ 800 bilhões para concentrar esforços na criação de ao menos três milhões de empregos. Na quinta-feira passada, Obama anunciou um corte de US$ 1.000 em impostos para 95% das famílias de trabalhadores de classe média norte-americanos.

Em meio a elogios ao seu sucessor, Bush disse esperar "um tom diferente" na Casa Branca com o novo presidente-eleito. "Eu me desapontei muito com Washington e espero que, com ele, o tom seja diferente. Espero que ele seja tratado com todo o respeito, porque é o que ele merece."

Bush também disse acreditar que Obama será um líder muito capaz, e destacou o grande carinho que o democrata demonstra ter por sua família, "além de ser um ótimo orador, muito melhor do que eu", acrescentou, causando risos entre os jornalistas.

Oriente Médio
Tradicional aliado às políticas de Israel, Bush manteve o discurso oficial quando questionado sobre o que seria preciso fazer para que a ofensiva israelense na faixa de Gaza chegasse ao fim. Bush afirmou que é preciso que o grupo islâmico Hamas coloque fim no lançamento de mísseis contra Israel para que o conflito na faixa de Gaza chegue ao fim.

"Um cessar-fogo sustentável só será possível se o Hamas cessar o disparo de foguetes", disse Bush, que voltou a citar o chamou de "direito de defesa de Israel. "Israel tem o direito de defender seu território, e para isso é preciso considerar o risco de vitimar civis."

Iraque e terrorismo
Quando questionado sobre o pior erro de seus oito anos no poder, Bush voltou a lamentar a ausência de armas de destruição de massa no Iraque, o que inicialmente motivou a invasão do país em 2003. No entanto, o presidente defendeu a iniciativa da guerra.

"Agora sabemos disso, mas na época não sabíamos. Não sei se chamaria isso de um erro, mas é claro que eu lamento muitíssimo", afirmou Bush, que desmentiu que os Estados Unidos tiveram sua imagem prejudicada perante o resto do mundo durante sua gestão.

"Vocês se lembram como era o clima aqui em Washington no 11 de setembro? Pois eu me lembro. Todos apontaram o dedo e questionaram: 'Como vocês não conseguiram prever o ataque?'", disse Bush em menção ao atentado terrorista sobre as torres gêmeas do WTC em 11 de setembro de 2001. "Todos sabem que os Estados Unidos defendem a liberdade."

Bush fez um alerta para o que chamou de "ameaça mais urgente" de Obama no cargo, um ataque contra o território norte-americano. "Gostaria de poder dizer que este não é o caso, mas ainda há um inimigo lá fora que quer causar danos aos americanos. Essa será a maior ameaça", disse Bush.

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