Israel vota cessar-fogo unilateral em Gaza neste sábado

Das agências internacionais

Atualizado às 22h13

O governo israelense votará neste sábado (17) uma proposta para declarar trégua unilateral na faixa de Gaza, que não inclui um acordo de cessar-fogo com o Hamas, informou a imprensa de Israel, que cita como fonte funcionários de alto escalão do Governo que pediram para não ser identificados.

A proposta inclui o apoio de Egito e Estados Unidos aos esforços de Israel em pôr fim ao tráfico de armas por parte do Hamas por meio do território egípcio, mas nenhuma outra condição. Assim que a trégua unilateral entrar em vigor, Israel passará a observar a reação do movimento islamita, e retomará sua ofensiva se o lançamento de foguetes contra o sul de seu território recomeçar.

Segundo as fontes, a decisão de submeter a proposta à votação foi adotado depois que o Governo de Israel chegou à conclusão de que cumpriu "a maioria dos objetivos" em Gaza.

A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, e a ministra de Exteriores israelense, Tzipi Livni, assinaram nesta sexta-feira (16) um memorando de entendimento no qual os Estados Unidos oferecem importantes garantias a Israel para que possa aceitar um cessar-fogo na faixa de Gaza.

O acordo reúne o compromisso dos EUA de oferecer recursos, meios, assistência técnica e informação a Israel para prevenir o contrabando de armas do Sinai egípcio para Gaza, e impedir que o movimento islâmico Hamas se rearme, uma exigência do Governo israelense para poder aceitar um cessar-fogo

Diante do tratado, o gabinete de segurança israelense deve votar, no sábado (17), a favor de um cessar-fogo unilateral na faixa de Gaza, informou nesta sexta-feira uma fonte oficial.

"O gabinete de segurança provavelmente votará a favor de um cessar-fogo unilateral amanhã (sábado), depois da assinatura de um memorando em Washington (sobre o combate ao contrabando de armas em Gaza) e do progresso significativo realizado no Cairo", declarou um membro do governo, que pediu o anonimato.

Israel havia afirmado, nesta sexta-feira, que sua ofensiva em Gaza poderia estar "no último ato", e despachou enviados para discutir termos de uma trégua, depois de o Hamas fazer uma oferta de cessar-fogo para encerrar três semanas de combates, que mataram 1.140, segundo o chefe dos serviços de urgência do Ministério da Saúde em Gaza, Muawiya Hassanein. No entanto, o Hamas já avisou que não vai aceitar as condições de Israel e vai manter a resistência armada até o fim da ofensiva.

Na última quinta-feira (15), Israel rejeitou pelo menos dois elementos importantes do acordo proposto pelo Hamas, a duração e o gerenciamento dos cruzamentos de fronteira, e a luta continuou, embora com menos intensidade.

O Hamas disse ao Egito que concordaria com uma trégua renovável de um ano, caso Israel retire suas forças da região em entre cinco e sete dias. Além disso, o grupo também pede a liberação da fronteira imediatamente

O jornal saudita internacional "Asharq al-Awsat" informou hoje, sem citar nenhuma fonte, que o Hamas aceitou uma trégua nas hostilidades a partir de amanhã em Gaza, que poderia se transformar em um cessar-fogo de um ano.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, voltou a dizer que espera uma trégua nos próximos dias, e insistiu para que Israel pare imediatamente. "É hora de pensar até em um cessar-fogo unilateral", declarou ele em Ramallah, na Cisjordânia. Ele, no entanto, insistiu que Israel precisa ter certeza de que o grupo palestino Hamas não vai voltar a disparar foguetes após um cessar-fogo

Ban chegou nesta sexta-feira a Ancara (Turquia) para uma breve visita como parte de sua viagem a vários Estados do Oriente Médio para tentar pôr fim à operação militar israelense em Gaza, informou a agência de notícias Anatólia.

Ban, que já passou por Egito, Jordânia, Israel e pelos territórios palestinos, deve se reunir com o presidente Abdullah Gul e com o ministro das Relações Exteriores Ali Babacan, antes de jantar com o primeiro-ministro Recep Tayyip. Ele deixará a Turquia no final desta sexta-feira rumo ao Líbano. Sua viagem o levará depois a Síria e Kuwait, onde assistirá a uma cúpula da Liga Árabe na segunda-feira (19)

Árabes se reúnem em Doha
O presidente sírio, Bashar al Assad, pediu nesta sexta-feira aos países árabes que rompam suas relações, tanto diretas quanto indiretas, com Israel, incluindo com o fechamento de embaixadas, na cúpula que aconteceu hoje em Doha (Catar).A Mauritânia e o Catar decidiram hoje suspender suas relações políticas e econômicas com Israel.

Assad afirmou que Israel "construiu sua existência sobre massacres, criou seu futuro sobre o genocídio e só conhece a linguagem do sangue". O sírio também reclamou do fato de os israelenses utilizarem como pretexto o lançamento de foguetes a partir de Gaza para atacar o território palestino. "Se esses foguetes não tivessem sido lançados, Israel os teria encontrado para justificar a agressão sobre Gaza", disse.

Participaram do encontro 13 países dos 22 membros da Liga Árab: Argélia, Líbia, Síria, Somália, Líbano, Sudão, Mauritânia, Iraque, Djibuti, Comores, Catar, Omã e Marrocos. Também foram à Doha o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, e enviados da Indonésia, Turquia, Senegal e Venezuela, além dos líderes dos grupos palestinos Hamas (Khaled Mashaal), Jihad Islâmico (Ramadan Shalah) e Frente Popular para a Libertação da Palestina (Ahmad Jibril). A cúpula coincidiu hoje com uma reunião ministerial da Liga Árabe no Kuwait, que foi organizada independentemente da de Doha.

Na ocasião, Ahmadinejad afirmou que o governo de Barack Obama é hostil com Gaza. "Muitos analistas pensam que a hostilidade com a população de Gaza é um plano americano que tem origem na nova administração", disse durante um discurso em uma reunião árabe sobre o conflito em Gaza. Obama toma posse na próxima terça-feira, dia 20.

O presidente iraniano demonstrou ainda interesse pela futura administração em revisar a política exterior dos Estados Unidos. "Nós achamos que nenhuma mudança que tenha ocorrido aumentou a animosidade dos novos líderes americanos continuarem com as politicas antigas", disse Ahmadinejad.

Já o ministro de Assuntos Exteriores iraniano, Manouchehr Motakki, condenou o assassinato do titular do Interior do Hamas, Said Siyam, e ressaltou que a ação israelense representa "uma violação das leis internacionais".

O governo da Bolívia, por sua vez, prepara um requerimento ao Tribunal Penal Internacional (TPI) contra Israel por sua ofensiva militar na faixa de Gaza e suas conseqüências sobre a população civil, e mantém negociações com outros países latino-americanos que poderiam aderir a esta iniciativa.

Violência não cessa
No total, as forças israelenses tinham matado até o meio da tarde oito pessoas, que se somam às 23 cujos corpos foram localizados hoje sob os escombros de uma casa bombardeada ontem por Israel, também na capital da faixa.

Incluídas essas vítimas, o chefe dos serviços de urgência do Ministério da Saúde em Gaza, Muawiya Hassanein, cifrou em 1.140 os palestinos mortos e em mais de 5.000 os feridos desde que Israel iniciou a ofensiva militar em 27 de dezembro do ano passado.

O dia também foi marcado pelo grande enterro do ministro do Interior do Hamas, Said Siyam, morto ontem junto a outras três pessoas em um ataque da aviação israelense e cujas honras fúnebres tiveram a participação de milhares de partidários do movimento islamita.

Uma mulher e seus cinco filhos morreram hoje devido ao disparo de um tanque israelense no campo de refugiados de Al-Bureij, no centro da faixa de Gaza, e outro civil perdeu a vida por um ataque em Khan Yunes, no sul do território, segundo fontes médicas

Um adolescente palestino foi morto quando tropas israelenses na cidade de Hebron, na Cisjordânia, entraram em choque contra manifestantes que pediam um fim para a ofensiva israelense na faixa de Gazainformaram médicos e testemunhas.

Autoridades médicas e um parente da vítima disseram que Musat Dana, 17, levou um tiro na cabeça disparado por um soldado israelense. Um porta-voz do Exército de Israel disse que os soldados não usaram munição letal, somente balas de borracha, e que o incidente está sendo investigado.

Israel impôs severas restrições adicionais à circulação dos palestinos na Cisjordânia e no leste de Jerusalém, além de alinhar um grande número de forças durante as orações semanais muçulmanas. Não houve registros de feridos em cerca de seis outros protestos no território ocupado.

A organização humanitária Médicos Sem Fronteiras (MSF) não consegue chegar até os civis doentes e feridos em Gaza, por causa dos bombardeios de Israel e talvez tenha de se retirar da área caso piore a situação de segurança, informaram funcionários do grupo.

Os profissionais de ajuda humanitária dizem que o bombardeio incessante tornou o seu trabalho impossível Longe de estar melhorando, temos razões para acreditar que esteja piorando", disse Christophe Fournier, presidente do conselho internacional do grupo. "Os serviços de emergência e nossas equipes não conseguem ter acesso às vítimas", afirmou ele a repórteres.

FAIXA DE GAZA

  • Arte UOL

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