Por novo ânimo, Washington encara dia de caos para empossar Obama

Fernanda Brambilla Enviada especial do UOL Notícias Em Washington (EUA)

Bandeiras hasteadas em todo trajeto da Pennsylvania Avenue anunciam a proximidade da posse do 44º presidente dos Estados Unidos. Mas apesar das exaustivas projeções do comitê de transição de Barack Obama, das autoridades locais e até da imprensa norte-americana de que o evento terá proporções históricas, não se sabe ao certo o que esperar da próxima terça-feira, dia 20.
  • Jewel Samad/AFP

    Trabalhadores armam andaime que será utilizado nos preparativos da cerimônia de posse de Obama


É certo que uma multidão é aguardada para a cerimônia, mas a diferença de números traça cenários bem diferentes. "Não temos um número exato. Esperamos entre 1 e 3 milhões de pessoas, o que é bem vago", admitiu nesta sexta-feira Robert Rouse, diretor da Câmera de Comércio de Washington, que coordena parte do esquema. "É um acontecimento único, que nunca vimos, então não há como fazer previsões mais precisas. Se pensarmos no número de pessoas envolvidas na campanha de Barack Obama... receberemos gente de todos os cantos do país, e visitantes do mundo inteiro."

Para Rouse, o principal desafio será manter as linhas de transporte operantes com tanta demanda. "Vamos tentar impedir que haja um colapso em toda a área das festividades, mas é o que deve acontecer, inevitavelmente", diz o diretor. "A cidade vai parar."

Se o clima de organização parece escorregar na falta de precisão, o objetivo com a suntuosa festa é claro: revigorar uma cidade ofuscada pela decadente aceitação da gestão George W. Bush, mandatário de saída, pela opinião pública.

"É claro que será um dia difícil, mas só temos a ganhar com o evento", vislumbra Rouse. "Washington passou a ser palco de uma mensagem de esperança, de mudança. Acho que precisávamos desse novo ânimo, a cidade estava apagada."

Para a chefe de polícia de D.C., Cathy Lanier, o clima é de festa apesar das preocupações. "Será uma ocasião muito bonita, e estamos fazendo de tudo para que os transtornos sejam minimizados. Será um dia memorável para Washington."

Entre as medidas para conter a superlotação, os acessos à área presidencial serão fechados uma vez que as arquibancadas (somente para quem tem ingressos) e as ruas do cerco (para o público geral) começarem a encher. "Depois de 300 mil pessoas, ninguém mais entra. É drástico, mas assim impedimos o risco de confusões que vêm com o confinamento", diz Robert Rouse.

Além do cerco fechado, a Guarda Nacional mobilizará cerca de 10 mil membros para o suporte de civis, que ficarão espalhados em diversas áreas da capital. "Teremos policiamento reforçado em diversas áreas que não têm nada a ver com a posse, e esse esquema já começou a operar hoje", apontou a chefe de polícia. Cães farejadores já estão em ação, e até revistas aleatórias podem ser implantadas no dia.

Faça parte, mas não venha
Em mais um de seus vídeos divulgados na Internet, Obama, por sua vez, tentou dissuadir o público da motivação de prestigiar seu juramento.

"Você deve ter ouvido que um número sem precedentes de norte-americanos se prepara para vir à posse. Esteja preparado para longas filas e caminhadas e exposição ao vento e ao frio em um duro dia de inverno. A inauguração não é sobre mim, é sobre todos vocês, que tornaram isso possível. Você não precisa estar aqui para fazer parte dessa celebração", disse Obama, lembrando até mesmo que eventos serão transmitidos por TVs e pela internet.

Questionado sobre o anúncio, o diretor da Câmara de Comércio aprovou a medida. "É uma ação sensata e, vindo dele, traz credibilidade."

Encarando o frio de - 12ºC que atingiu Washington na sexta-feira, o policial W. Griffith lamentou não poder evitar fazer parte do que chamou de "uma multidão gelada". "É duro dizer isso, mas a verdade é que eu preferiria ficar em casa se não precisasse vir trabalhar. Será um dia de baixa temperatura e muito vento", disse.

"Daqui do lado da arquibancada, só vou poder ouvi-lo (o discurso inaugural) pelos alto-falantes. Até veria melhor da TV, mas prefiro pensar que estive aqui nesse dia histórico."

Seu colega de posto, o oficial C. Woody, também prevê ânimos exaltados, e vê dificuldades para quem viaja pela primeira vez. "Muitas pessoas que vieram conhecer os Estados Unidos não estão familiarizados com a região e podem ter dificuldades em se locomover e localizar acessos e saídas", diz o policial, que recomenda "calma e muitos casacos".

Para abrandar o inverno, prédios públicos nas proximidades e igrejas ficarão abertos e servirão de abrigo. Dezenas de banheiros públicos já estão espalhados ao longo do trajeto.

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