Governo israelense expulsa embaixadores venezuelanos em Israel e perante à ANP

Das agências internacionais

Israel declarou dois diplomatas que a Venezuela tinha credenciado no território sob seu controle como personae non gratae e deu o prazo de até a próxima quinta para que abandonem seus postos, repetindo o que Hugo Chávez havia feito há duas semanas com os membros da delegação israelense em Caracas, em protesto pela matança de civis na faixa de Gaza, qualificada pelo venezuelano como "holocausto".

Dorit Shavit, diretora geral adjunta para a América Latina no Ministério de Relações Exteriores, explicou que na última segunda entregou aos dois diplomatas as cartas pelas quais são declarados personae non gratae após a ruptura de relações entre Israel e Venezuela decidida pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez.

"É uma decisão inevitável após Chávez romper as relações com Israel", alegou a diplomata israelense, que afirmou que foi dado a eles "um prazo até amanhã, quinta-feira, ao meio-dia para que saiam do país".

Outras fontes diplomáticas consultadas pela Efe disseram que os dois funcionários venezuelanos em questão - Roland Betancourt, credenciado perante Israel, e Jonathan Velásquez, perante a Autoridade Nacional Palestina (ANP) -, poderiam não esgotar este prazo e partir ainda hoje de volta à Venezuela.

Israel não adotava uma decisão desta natureza desde a guerra do Yom Kipur, em 1973, quando representantes de vários Estados africanos foram expulsos do país. Os vínculos estreitos que Chávez mantém com o regime iraniano aprofundaram o distanciamento com Israel, que, agora, culminou em ruptura aberta.

Um dos diplomatas expulsos, Jonathan Velásquez, declarado persona non grata, era representante da Venezuela ante a Autoridade Nacional Palestina (ANP), que protestou com amargura e impotência pelo ocorrido. O outro diplomata expulso foi Roland Betancourt, credenciado perante Israel.

Pelos Acordos de Oslo, de 1994, a ANP é descrita como um território "autônomo" e qualquer diplomata estrangeiro perante a sede do Governo palestino na cidade cisjordaniana de Ramala está formalmente credenciado perante Israel.

Segundo Shavit, para romper relações diplomáticas só é necessária uma parte, por isto quando Chávez fez isto em 15 de janeiro tirou o status diplomático de seus dois representantes na região.

"Não há necessidade de responder à ruptura de relações diplomáticas, por isto basicamente o que fizemos é pedir ao encarregado de negócios e a sua equipe que abandonem Israel", declarou a funcionária.

Tensões diplomáticas
Na quarta-feira (21), um comboio de diplomatas europeus foi barrado na fronteira com Erez durante seis horas, logo após soldados israelenses soltarem um alerta para os veículos diplomáticos que visitavam a faixa de Gaza.

O ministro de Relações Exteriores da França convocou o embaixador de Israel, Daniel Shek, para protestar contra este "incidente inaceitável".

É difícil não associar este episódio com a recente iniciativa francesa dentro da União Européia (UE). Paris defende o reconhecimento de um governo de unidade na Palestina com a presença do Hamas, o que supõe uma ruptura em relação à postura adotada em Bruxelas, que desde janeiro de 2005 rejeita qualquer inclusão do Hamas em um governo palestino, a não ser que o grupo islâmico renuncie à violência e que expresse formalmente o reconhecimento do Estado sionista.

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