Doações para Gaza são insuficientes sem acordo político, diz Abbas; Hillary anuncia US$ 900 milhões

Das agências internacionais Em Sharm El-Sheikh

Atualizada às 08h19

O presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, advertiu nesta segunda-feira na conferência de doadores para a reconstrução de Gaza em Sharm el-Sheikh (Egito) que o apoio à economia palestina será "insuficiente" sem uma solução política para o conflito com Israel.

"Todos somos conscientes de que os esforços de reconstrução e de desenvolvimento serão insuficientes e impotentes e estarão ameaçados pela falta de uma solução política", declarou.

"Embora apreciemos sua presença e o apoio financeiro, econômico e técnico que vocês concedem ao povo palestino, insistimos na necessidade diligente de obter avanços substanciais para uma solução justa ao conflito com Israel", completou Abbas.

A posição do líder palestino foi endossada pela secretária de Estado americana, Hillary Clinton. Na conferência em Sharm el-Sheikh, ela disse que ajuda dos Estados Unidos à faixa de Gaza não pode ser dissociada do processo de paz.

Washington anunciou uma contribuição total de US$ 900 milhões para os palestinos durante a reunião, mas somente US$ 300 milhões seguirão diretamente para a faixa de Gaza. O restante será destinado à Autoridade Palestina.

"Ao conceder uma ajuda humanitária a Gaza, também queremos promover as condições nas quais seja possível ver um Estado palestino", acrescentou.

Hillary afirmou ainda que obteve de Abbas garantias de que o dinheiro americano não seguirá para o movimento radical Hamas, que desde junho de 2007 controla a Faixa de Gaza e que Washington considera uma organização terrorista.

Cúpula
O presidente egípcio, Hosni Mubarak, inaugurou hoje a Conferência Internacional para a Reconstrução de Gaza com um apelo para conseguir o mais rápido possível um cessar-fogo durável entre Israel e os palestinos.

"A guerra de Gaza descobriu a fragilidade do processo de paz no Oriente Médio", disse Mubarak na abertura da reunião, na qual se analisará a possibilidade de ajudar com cerca de US$ 3 bilhões os palestinos dessa região.

Vários chefes de Estado e de Governo, ministros e representantes de mais de 70 países, assim como delegados de dezessete organizações internacionais, participam da reunião.

É a primeira vez que a comunidade internacional se reúne a fim de reconstruir uma região castigada por um conflito no Oriente Médio. A ofensiva militar israelense contra Gaza, entre 27 de dezembro e 18 de janeiro, causou cerca de 1.400 mortos, mais de 5.500 feridos e danos multimilionários.

Mubarak, em sua mensagem, insistiu em que a reconstrução de Gaza está ligada necessariamente a um cessar-fogo na faixa que substitua a frágil trégua provisória que foi decidida, separadamente, por Israel e pelo Hamas.

O presidente egípcio, que em nenhum momento chamou o Hamas pelo seu nome, insistiu em que a tarefa mais urgente é conseguir esse cessar-fogo para poder realizar a reconstrução.

Mubarak disse que, para que o processo de reconstrução atinja seus objetivos, são necessárias várias condições, entre as quais citou a abertura dos postos fronteiriços de Gaza e a criação de um Governo de unidade entre os diferentes grupos palestinos.

Em discurso equilibrado, o dirigente egípcio também se mostrou partidário de encontrar um mecanismo internacional que goze da confiança dos países doadores para supervisionar o processo de reconstrução de Gaza.

Entre os delegados internacionais que se sentaram na cabeceira com Mubarak estavam o presidente francês, Nicolas Sarkozy, e o primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi.

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