ONU convoca reunião após assassinato de presidente da Guiné-Bissau

Do UOL Notícias*
Em São Paulo

A ONU está acompanhando "com preocupação" a situação na Guiné-Bissau, após o assassinato do presidente João Bernardo "Nino" Vieira, segundo o porta-voz da organização em Bissau. Foi anunciada uma reunião da comunidade internacional para "esclarecer" o assunto na terça-feira.

LOCALIZAÇÃO DE
GUINÉ-BISSAU NA ÁFRICA

  • Arte UOL


Vladimiro Monteiro disse que a reunião com o ministério das Relações Exteriores "é a única decisão que foi tomada" em um encontro de representantes da comunidade internacional que aconteceu nesta manhã. Participaram diplomatas de Angola, Portugal, França, Nigéria, Espanha, Cuba, Guiné-Conacri, Nigéria, Gâmbia, Brasil, Comissão Europeia, Nações Unidas, Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) e Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

"Estamos a acompanhar (a situação) com atenção e preocupação. Apelamos a que as instituições republicanas sejam respeitadas", afirmou o responsável das Nações Unidas.

Questionado sobre a possibilidade de o assassinato de Vieira ter sido uma represália após a morte de Tagmé Na Waié, na noite de domingo, o porta-voz da ONU recusou-se a comentar. "Não podemos comentar nada disso (...) ainda não tivemos os contatos com as autoridades", disse Monteiro.

Soldados mataram o presidente de Guiné-Bissau, João Bernardo "Nino" Vieira, nesta segunda-feira (2) em um aparente ataque motivado por vingança, horas depois de o comandante do Exército da nação no oeste africano general Batista Tagme Na Wai ter sido assassinado, disseram à agência "Reuters" moradores e fontes da área de segurança.

Na noite passada, o chefe do Estado-Maior foi morto, e o presidente foi assassinado nesta manhã, enquanto tentava deixar sua casa. Sua casa foi atacada por um grupo de militares", disse à "Reuters" uma autoridade do bloco regional da África ocidental, Ecowas, que pediu para não ser identificada.

GUINÉ-BISSAU

Nome: República da Guiné-Bissau
Capital: Bissau
Idioma: português
População: 1,5 milhão de habitantes
Expectativa de vida: 47,52 anos


Uma fonte de segurança disse que soldados da etnia balante, a mesma de Tagmé Na Waié, lideraram o ataque a Vieira, e saquearam sua casa.

Um texto, assinado pelo capitão de Mar Zamora Induta, ao qual a agência "Lusa" teve acesso, indica que "no dia 1º de março pelas 19h41 (16h45 em Brasília), uma bomba colocada por indivíduos ainda não identificados explodiu no edifício principal do Estado-Maior vitimando mortalmente o general Tagmé Na Waié, tendo deixado gravemente feridos três escoltas seus quando subiam para o gabinete".

As Forças Armadas informam em nota que "a situação está sob controle, apela à população para se manter calma e serena e não abandonar as residências". A instituição também reafirmou "o compromisso e a firmeza em obedecer ao poder político e às instituições da República" e garantiu que "vai manter-se intransigente com a sua missão constitucional".

Confusão em Bissau
Tiroteios e explosões ressoaram na cidade de Bissau (capital do país) nas primeiras horas da segunda-feira. A maior parte dos moradores ficou em casa, e não estava claro quem controlaria o país.
  • Tiago Petinga/EFE - 16.nov.2008

    Imagem de arquivo de 16 de novembro de 2008 mostra o presidente assissanado da
    Guiné-Bissau, João Bernardo Vieira, votando para as eleições legislativas



A ex-colônia portuguesa, de 1,5 milhão de habitantes, sofreu com anos de golpes e conflitos civis e tem sido usada nos últimos anos como rota por traficantes latino-americanos de cocaína visando o mercado europeu.

Vieira, o presidente assassinado, é um ex-militar que governou o país até ser deposto em uma guerra civil na década de 1990. Ele retornou ao poder em uma eleição em 2005.

O presidente vinha entrando em choque com o chefe das forças armadas, general Batista Tagme Na Wai, que foi morto no ataque da noite de domingo. O atentado taO atentado também destruiu parte do quartel-general das forças armadas.

Repercussão
Portugal condenou ambos os ataques em um comunicado e fez um apelo para "o total respeito à ordem constitucional no país".

Em nota oficial, o país "lamenta profundamente a morte do presidente 'Nino' Vieira, vitimado por um atentado verificado nas últimas horas na Guiné-Bissau, e apresenta sentidas condolências ao presidente da Assembleia Nacional, bem como a todo o povo da Guiné-Bissau".

Na mensagem, o executivo de Lisboa "condena veementemente" o atentado, "assim como os atos de violência registrados desde a madrugada de ontem (domingo) na Guiné-Bissau e que também provocaram a morte do Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, general Tagmé Na Waié".

Para o governo português, é "fundamental que todas as autoridades políticas e militares do país respeitem a ordem constitucional guineense".

O ministério luso das Relações Exteriores aponta ainda que "nenhum membro da comunidade portuguesa foi afetado pelos graves incidentes registrados em Bissau".

Portugal diz ainda que vai convocar nas próximas horas uma reunião de emergência da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) para debater os acontecimentos no país africano.

Terceiro assassinato de chefe militar em 10 anos
A morte de Tagmé Na Waié é a terceira de um chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas na Guiné-Bissau na última década, depois das de Ansumane Mané (2000) e de Veríssimo Correia Seabra (2004), ambos abatidos em circunstâncias ainda desconhecidas.

De etnia Balanta, uma das mais importantes da Guiné-Bissau, Tagmé Na Waié era chefe de Estado-Maior desde o princípio de 2005, sucedendo ao general Veríssimo Correia Seabra, morto em 6 de outubro de 2004.

Em 4 de janeiro deste ano, Tagmé Na Waié acusou membros das milícias do presidente guineense, João Bernardo "Nino" Vieira, os "Aguenta", de o terem tentado assassinar.

Depois disso, um grupo de militares teria atacado a residência de "Nino" Vieira, em 23 de novembro de 2008, quando o o presidente guineense saiu ileso.

* Com informações das agências "Lusa" e "Reuters"

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