Estudante brasileira relata momentos de pânico após tiroteio em escola alemã

Thiago Varella
Do UOL Notícias
Em São Paulo

Winnenden é um pacata cidade do sudoeste alemão, com cerca de 28 mil habitantes. Quando a mineira Sylvia Chequer, 18 anos, descobriu que iria fazer intercâmbio por lá, achou que não veria sinais da violência que tanto atormenta a vida dos brasileiros. Na manhã desta quarta-feira, entretanto, Sylvia estava a apenas alguns metros do massacre em uma escola de Winnenden, em que um jovem de 17 anos assassinou 16 pessoas antes de ser morto pela polícia
  • Ambulâncias são dispostas em frente à escola em Winnenden

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"Eu estudo na escola ao lado de onde tudo aconteceu. De repente, o diretor apareceu e ordenou que todos entrassem rapidamente para uma sala de aula. Lá, ele começou a explicar que um maluco tinha invadido a escola vizinha e matado duas pessoas", conta.

Em meio ao clima de tensão, os estudantes, acostumados com a vida tranquila da cidade interiorana, começaram a chorar. Todo o complexo onde ficam as escolas de Winnenden estava cercado pela polícia. Boatos pipocavam, ao mesmo tempo em que o pânico aumentava.

"Primeiro falaram que o assassino tinha sido capturado. Depois desmentiram e nos proibiram de sair da sala. Em seguida, fomos levados de ônibus para um abrigo", explica.

Em meio ao terror, a brasileira tentava se manter o mais tranquila possível. Um professor chegou a perguntar para Sylvia se os ataques a escolas eram normais no Brasil.
  • A mineira Sylvia Chequer é intercambista em Winnenden



Ao chegar em casa, a brasileira descobriu que um amigo de sua "irmã hospedeira" havia sido baleado. As aulas na cidade foram suspensas. Nesta quinta-feira (12), os estudantes irão se reunir para tentar entender o que se passou.

Incrédulos, os habitantes de Winnenden também querem compreender o acontecido. "A cidade fica perto de Stuttgart e é conhecida por ter um grande hospício. Chega a ser normal ver doentes mentais andando pelas ruas daqui. Mas, pelo o que falam, o assassino não era nenhum doente. Pelo menos não um doente conhecido, e sim um ex-aluno revoltado", conta Sylvia.

Mesmo sabendo que o assassino foi morto pela polícia, Sylvia diz estar com medo. Não quer voltar ao Brasil ainda - seu retorno está previsto para julho -, mas ainda não sabe como será sua vida em Winnenden. Os moradores da cidade provavelmente têm a mesma dúvida.

Brasileira relata momentos de pânico em Winnenden; assista

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