Jornalista que atirou sapatos em Bush será julgado nesta quinta

Edilson Saçashima Do UOL Notícias Em São Paulo

O jornalista iraquiano Muntazer al-Zaidi vai a julgamento nesta quinta-feira (dia 12) por ter atirado sapatos no ex-presidente dos EUA, George W. Bush. Se condenado pela Corte de Bagdá, no Iraque, al Zaidi pode receber a sentença de até 15 anos de prisão por atacar um líder estrangeiro.

VEJA O VÍDEO DA SAPATADA CONTRA BUSH



O julgamento estava marcado para 19 de fevereiro. Na época, o jornalista disse que o plano inicial era atirar os sapatos contra Bush em uma coletiva em Amã, na Jordânia, há dois anos. Al Zaidi também revelou que filmou a si mesmo treinando o lançamento dos sapatos.

A sapatada aconteceu durante uma entrevista coletiva do então presidente dos EUA e do primeiro-ministro iraquiano Nouri al Maliki, em 14 de dezembro do ano passado. "Esse é o beijo de despedida, seu cachorro", disse al Zaidi. Então ele lançou o primeiro sapato, que acertaria o alvo, se Bush não tivesse reflexo suficiente para se desviar do calçado voador. O segundo tiro passou um pouco mais distante do alvo, e Bush ainda recebeu a proteção da mão direita de Al Mariki.

Bush escapou sem um único arranhão e fez um gracejo. "Tudo o que posso dizer é que [os sapatos] eram número 42", disse. Al Zaidi foi preso e, segundo familiares, foi torturado na prisão. O advogado de al Zaidi, Mauro Poggia, disse à Agência Estado que o iraquiano teve seu braço e costelas quebrados, além de sofrer hemorragia interna.

Herói e inspirador
No mundo muçulmano, atirar um sapato em alguém é considerado uma grande ofensa. Em uma leitura psicanalítica, o calçado ainda pode ser símbolo de poder e daí a idéia de "pisar em alguém". Mas a sapatada de Bush acabou se tornando também uma espécie de "musa inspiradora".

O ato de al Zaidi serviu para municiar novas manifestações. Atirar sapatos se tornou uma alternativa de protesto. Fotos de líderes políticos viraram alvo para chinelos, sapatos e tênis.

Wen Jiabao, premiê chinês, no entanto, teve o infortúnio de estar em carne e osso na mira de um manifestante. Jiabao foi alvo de um tênis de um manifestante que o chamou de ditador durante um discurso na universidade de Cambridge, em Londres, em fevereiro deste ano. Como Bush, ele também não foi atingido. Como al Zaidi, o manifestante também foi detido.

No Afeganistão, a sapatada virou uma comédia de sucesso. No Egito, o sapato voador virou exposição de arte. Na internet surgiram jogos inspirados no ato. Até o presidente Lula não resistiu e fez um gracejo "ameaçando" lançar um sapato aos jornalistas durante um evento da indústria de calçados.

Melhor sorte teve Ramazan Bayden, proprietário da Baydan Shoe Company, uma fabricante de calçados da Turquia. Bayden lançou o sapato "Bye Bye Bush", uma réplica do calçado arremessado por al Zaidi. No final de dezembro, ele já havia recebido pedidos que totalizavam 300 mil pares do "Bye Bye Bush", o que o obrigou a criar cem novos postos de trabalho na sua fábrica - uma contribuição, ainda que involuntária, de Bush para combater a crise econômica mundial.

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