Futebol aumenta simpatia de iranianos pelo Brasil, diz embaixador em Teerã

Michel Daoun
Do UOL Notícias
Em São Paulo

  • Governo do Irã/Divulgação

    O embaixador brasileiro, Antonio Salgado (dir.), é recebido pelo ministro iraniano Manouchehr Mottaki


Um país visto com simpatia pelos iranianos, grande parte dessa impressão positiva devido ao futebol. Pelo governo, é considerado um ator regional no cenário mundial, além de ser visto como a principal força da América Latina, que é tratada atualmente como uma das prioridades do Irã no momento. Essa é a imagem que o Brasil tem perante os iranianos, diz o embaixador brasileiro em Teerã, Antônio Salgado. No cargo desde junho do ano passado, Salgado vê com otimismo a visita do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, ao Brasil nesta semana.

De acordo com o embaixador, entre as diversas questões previstas para serem discutidas, como agricultura, comércio, energia, ciência, também será abordado o teor das declarações de Ahmadinejad na Conferência antirracismo da ONU que aconteceu no mês passado.

MAIS SOBRE O IRÃ

  • Arte UOL

    Nome oficial: República Islâmica do Irã
    Capital: Teerã
    População: 66,4 milhões (julho de 2009, est.)
    Expectativa de vida: 71,14 anos
    Divisão: 28 Províncias
    Línguas: persa (oficial), curdo, azeri, balúchi, árabe, armênio
    Religião: islâmica (xiitas)
    Moeda: rial iraniano
    Natureza do Estado: república islâmica



Durante seu discurso, o presidente iraniano afirmou que os imigrantes judeus da Europa e dos Estados Unidos foram enviados ao Oriente Médio para estabelecer "um governo racista". Além disso, Ahmadinejad também minimizou a importância dos acontecimentos do Holocausto. Enquanto o iraniano discursava, diplomatas europeus se levantaram e abandonaram o local. O governo brasileiro, por meio do Ministério das Relações Exteriores, emitiu nota se dizendo "preocupado" com as declarações do líder do Irã e afirmando que o tema seria levantado na visita do iraniano ao Brasil.

Apesar disso, Salgado enfatiza, nesta entrevista ao UOL Notícias, que as relações entre os dois países não ficou abalada.

UOL Notícias - A relação Brasil-Irã sofreu algum tipo de abalo pela postura de Ahmadinejad em relação ao Holocausto e Israel?
Antonio Salgado -
Não sofreu. O governo brasileiro se posicionou por meio de uma nota do Itamaraty, na qual mostra particular preocupação com o discurso do presidente do Irã. Como foi dito na nota, esse tema certamente, estará na pauta de discussões entre os dois presidentes.

UOL Notícias - O senhor encontra ou já encontrou alguma dificuldade diplomática com o Irã?
Salgado -
Não. Desde que cheguei aqui, nunca passei por nenhuma situação desse tipo. Eles sempre foram muito acessíveis.

UOL Notícias - O Irã tem proximidade com países como Venezuela, Equador e Bolívia e agora viaja ao Brasil. O país pretende adotar uma política de aproximação com a América Latina?
Salgado -
Sem dúvida. Eles sabem da importância que o Brasil representa hoje, seja no cenário mundial em que está se destacando cada vez mais, como na América Latina, em que é uma liderança.

UOL Notícias - Qual o histórico das relações Irã-Brasil? Como era antes de Ahmadinejad? E na época dos xás?
Salgado -
A relação entre ambos os países começou em 1904 e nunca passou por atritos. Na época do xás também ocorria bem, tanto que o xá Reza Pahlevi visitou o Brasil em 1965. Comercialmente, houve um avanço significativo nos últimos anos. Em 2007, o Brasil exportou mais de US$ 1,7 bi, principalmente em minérios, cereais e veículos. Já o volume de produtos iranianos importados pelo Brasil é bem menor, pois consiste basicamente em tapetes e pistache. Antigamente o Brasil importava petróleo também.

UOL Notícias - O que o Irã pensa sobre o governo brasileiro?
Salgado -
Os iranianos têm uma imagem muito positiva do Brasil e a visita do presidente Ahmadinejad mostra que eles estão dispostos a estreitar as relações com o Brasil. E em relação ao nosso país, o futebol aumenta a simpatia dos iranianos pelo Brasil.

UOL Notícias - Quantos brasileiros moram no Irã atualmente? Existe alguma atividade profissional específica em que eles atuam no país?
Salgado -
O número de brasileiros morando aqui é muito pequeno. Nós temos registradas 125 pessoas morando aqui atualmente. Por ser um número muito baixo, eles não têm associações, e pelo que sabemos, não se comunicam entre si. Há brasileiros em um escritório da Petrobras que funciona aqui e de um frigorífico do Brasil, mas é bem pouco. O restante são mulheres donas de casa casadas com iranianos.

UOL Notícias - Há alguma explicação para tão poucos brasileiros no Irã?
Salgado -
Diferentemente dos países do Oriente Médio como Líbano e Síria, em que houve um grande movimento de imigração no começo do século, em relação ao Irã, isso não aconteceu. No começo do século não havia grandes movimentações migratórias para fora do Irã.

UOL Notícias - Qual a maior demanda dos brasileiros na embaixada?
Salgado -
Não há uma demanda específica, na verdade há pouquíssimas solicitações. Não quantificamos, mas em geral são demandas burocráticas, com documentação em geral.

UOL Notícias - O senhor vê semelhanças entre o Irã e o Brasil?
Salgado -
Ambos são países em desenvolvimento que, por diferentes meios, têm uma capacidade nacional muito forte de crescer. Além disso, são países que estão em posição em comum e com muito potencial. Por isso, creio que o encontro entre os presidentes será muito importante.

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