Combatendo o extremismo com democracia no Paquistão

Do Global Viewpoint

O líder da oposição Nawaz Sharif é considerado por muitos -inclusive, dizem, por membros do governo Obama- como o homem que pode ajudar a unir os paquistaneses contra a praga da talebanização que ameaça a nação nuclear do Sul da Ásia.

Nesta entrevista concedida a Faheem Al-Hamid, editor do jornal "Okaz" da Arábia Saudita, conduzida em Ilsmabad na quarta-feira (6), Sharif diz que há um consenso nacional para reforçar o Estado de direito, como demonstrado pelo sucesso de sua "longa marcha" no dia 15 de março, que forçou o governo do presidente Asif Ali Zardari a restaurar os juízes da Suprema Corte exonerados pelo ex-presidente Pervez Musharraf. Ele defende uma estratégia diversificada que trate das causas do extremismo taleban. "Eu enviei uma carta ao primeiro-ministro Yusuf Raza Gilani para que convocasse uma conferência com todas as partes", disse Sharif. "Sua resposta foi positiva, mas a conferência ainda não aconteceu."

Trechos da entrevista:

Pergunta - Como o senhor vê a situação do Paquistão, particularmente a talebanização que está ocorrendo?
Sharif -
Primeiro de tudo, sou contra a militância e o extremismo na sociedade. A nação inteira está unida no esforço para reforçar o Estado de direito no país e com a firme opinião que ninguém pode ditar os termos à ponta de uma arma. A talebanização é uma consequência de oito anos de uma ditadura que dependia de apoio externo. Quando eu fui primeiro-ministro, não havia ataques suicidas no país, que era uma região completamente pacífica. Nunca tínhamos ouvido falar de talebanização aqui. Este problema de extremismo pode ser abordado por um consenso nacional. Não queremos que ninguém seja morto. Queremos uma estratégia de várias frentes. Vejo mãos escondidas.

Pergunta - Como o senhor vê o papel da Arábia Saudita em ajudar a levar a paz ao Paquistão?
Sharif -
A Arábia Saudita tem sido uma amiga sólida do Paquistão. Este país é agradecido pelo apoio diplomático -e sólido- do rei Abdullah, guardião das Duas Mesquitas Sagradas. Toda vez que o Paquistão enfrentou dificuldades, a Arábia Saudita se apresentou para ajudar com preocupação genuína. Temos a sorte de ter tamanha amiga.

Pergunta - A sua bem sucedida "longa marcha" do dia 15 de março de 2009, que resultou no retorno dos juízes exonerados pelo ex-presidente general Pervez Musharraf, lhe deu grande apoio público. O seu partido, o PML-N, tem hoje uma posição forte. E agora?
Sharif -
As pessoas mostraram a força da democracia, e essa causa não beneficiou a ninguém em particular, mas a este país. Com um judiciário independente, todo mundo se beneficia. Foi a primeira vez no Paquistão que vimos tamanha decisão do povo. Todo mundo enfrentou o ditador, mas, no dia 15 de março, as pessoas se levantaram contra as medidas imorais de Musharraf. As pessoas demonstraram grande confiança na democracia.

Pergunta - Em sua opinião, como devem ser tratados e resolvidos os atuais problemas do Paquistão?
Sharif -
Enviei uma carta ao primeiro-ministro Yusuf Raza Gilani para que convocasse uma conferência com todas as partes. Sua resposta foi positiva, mas a conferência ainda não foi feita. Poderíamos ter organizado a conferência nós mesmos, mas não queríamos lucrar politicamente com a situação. O governo deve concentrar-se no desenvolvimento social e econômico, fornecer emprego e as amenidades básicas da vida. A sensação de privação da sociedade deve ser resolvida. Queremos ver os resultados da democracia.

Pergunta - O Partido do Povo do Paquistão (do presidente Asif Ali Zardari) cumpriu suas promessas feitas na carta da democracia?
Sharif -
Não, o PPP não cumpriu suas promessas feitas na carta de democracia assinada entre o PML-N e a falecida Benazir Bhutto. O PPP prometeu repelir a 17ª emenda da constituição, feita por Pervez Musharraf. Apesar disso, estamos cooperando e apoiando o governo. Queremos ser uma posição responsável e não queremos criar problemas para o governo, mas acreditamos fortemente que as emendas feitas na constituição por todos os ditadores devem ser eliminadas. Isso é do interesse da nação.

Pergunta - O senhor está pleiteando um cargo importante no governo, com base no compartilhamento de poder?
Sharif -
Não estou pedindo um cargo. Minha primeira prioridade é livrar o país dos problemas que enfrenta hoje. O governo deve compreender que a sinceridade é sua melhor política. Zardari nos desqualificou usando tribunais capengas e o governador foi imposto no Punjab onde o PML-N estava no poder. Apesar disso, estamos apoiando o governo no interesse nacional.

Pergunta - Qual é a sua opinião dos militares do Paquistão?
Sharif -
Os militares mostraram maturidade não interferindo durante a longa marcha. Eles seguiram a lei e a constituição. Toda vez que os militares tomaram o poder, o país mergulhou em confusão. Todos os responsáveis por subverter a constituição -durante os vários períodos de lei marcial no Paquistão- fizeram algo inaceitável em qualquer sociedade civilizada. Musharraf fez uma injustiça a este país matando (o líder do Baluquistão) Nawab Akbar Bugti e dando as mãos ao MQM (Movimento Muttahida Qaudi). Após matar 48 pessoas em Karachi em 2007, usou seu poder e disse que isso era o poder do povo!

Tradução: Deborah Weinberg

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