Saiba quem é a Nobel da Paz Aung San Suu Kyi

Do UOL Notícias* Em São Paulo

Aung San Suu Kyi, que está sendo julgada em Mianmar, ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 1991 e sempre advogou pela não-violência em um país que vem sendo governado por juntas militares sucessivas desde 1962.

  • Myanmar News Agency/HO/File/AP

    Foto de novembro de 2007 mostra Aung San Suu Kyi em Mianmar

  • Everett Kennedy Brown/EFE

    Protestos por todo o mundo pela libertação da líder pró-democracia birmanesa marcaram os dias do julgamento de Aung San Suu Kyi

Nascida em 19 de junho de 1945, Suu Kyi, filha de Aung San, herói da independência birmanesa assassinado em 1947, teve acesso às melhores escolas de Yangun, prosseguindo seus estudos na Índia - país onde sua mãe foi nomeada embaixadora - e depois seguiu para Oxford.

Assistente da Escola de Estudos Orientais de Londres, ele se casou em 1972 com o britânico Michael Aris, universitário especialista em Tibete e budismo, com quem teve dois filhos.

De volta à Mianmar em abril de 1988 para cuidar de sua mãe doente, Aung San Suu Kyi fez um discurso público pela primeira vez neste mesmo ano.

Em um país submetido à lei marcial, ela reivindicava a formação de um governo interino e eleições livres antes de fundar, com outros militantes, a Liga Nacional pela Democracia (LND).

Em maio de 1990, seu partido recebeu votação expressiva nas eleições pluralistas. A Junta Militar, mesmo com o resultado, se negou a deixar o governo. Até hoje os generais continuam no poder. Mas a líder da oposição birmanesa sempre se disse convencida de ter "o povo ao seu lado", apesar da repressão promovida pela junta.

Suu Kyi teve a prisão domiciliar decretada de 1989 até meados de 1995. Depois disso, chegou a ter um breve período de "liberdade" até 2000. Neste ano, porém, foi novamente confinada em sua residência por mais 19 meses.

Presa novamente em maio de 2003, depois de um ataque assassino contra seu carro, ela foi condenada a um terceiro período de prisão domiciliar e, a partir desse momento, sua pena não parou de ser prolongada.

Certa de sua causa e com o apoio ocidental, em particular o norte-americano e o europeu, Aung San Suu Kyi abandonou a queda-de-braço com o governo depois da abertura, no fim de 2000, de discussões históricas sobre a "reconciliação nacional".

Mas este diálogo com o primeiro-ministro Khin Nyunt foi bruscamente interrompido quando ele saiu do poder, quatro anos mais tarde.

Suu Kyi é vista como uma pessoa inteligente, carismática e corajosa. Seus opositores a acusam de intransigente.

Os pedidos de sanções internacionais e de boicote ao turismo feitos por Suu Kyi irritaram não só os militares birmaneses, mas também os empresários da área de turismo.

O regime de sanções, imposto há uma década pela União Europeia e Estados Unidos teve pouca eficácia, pois grandes países como a China, a Índia e a Tailândia mantêm relações com Mianmar. Esses países visam explorar os recursos naturais de Mianmar, especialmente os de gás.

Julgamento
A Junta Militar birmanesa, que ocupa o poder desde 1962, iniciou nesta segunda-feira (18) um novo julgamento contra Aung San Suu Kyi pela suposta violação das condições de sua prisão domiciliar.

O julgamento contra a líder opositora de Mianmar, de 63 anos e com a saúde frágil, por ter permitido a presença de um norte-americano em sua casa acontece na penitenciária de Insein, que vetou o acesso de quatro embaixadores europeus.

A primeira audiência do processo durou cinco horas. A segunda audiência, que aconteceu nesta terça-feira (19) começou após as 10h (0h30 de Brasília) e a sessão foi suspensa cerca de quatro horas depois. Como na véspera, foi proibida a presença da imprensa e do público, embora diplomatas tenham solicitado a permissão.

Dezenas de milhares de partidários da Nobel da Paz de 1991 se reuniram nas imediações da penitenciária, apesar da forte presença de policiais e das barreiras montadas para bloquear o acesso ao local. Um joven militante foi detido, segundo a Liga Nacional para a Democracia (LND), o partido político de Suu Kyi.

As medidas de segurança foram consideravelmente reforçadas em toda a cidade e o Exército impediu a entrada de representantes da Grã-Bretanha, França, Alemanha e Itália.

Na quinta-feira, Suu Kyi foi levada de sua casa, onde estava em prisão domiciliar desde 2003, para Insein, onde foi indiciada pela invasão de sua casa por um mórmon norte-americano, John Yettaw, que teria chegado a nado à residência e permaneceu dois dias no local, segundo as autoridades.

Suu Kyi declarou inocência por meio do advogado Kyi Win.

Se for considerada culpada, a Nobel da Paz pode ser condenada a uma pena de até cinco anos de prisão. O americano John Yettaw também pode ser sentenciado a uma pena similar.

Com este julgamento pelo caso Yettaw, caso seja condenada, a líder pró-democracia estaria fora das polêmicas eleições que a Junta Militar pretende organizar em 2010. O período de prisão domiciliar terminava, em tese, no dia 27 de maio.

*Com EFE e AFP

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