EUA estão preparados para intervir caso estoure guerra entre as Coreias, diz general

Do UOL Notícias* Em São Paulo

Os Estados Unidos estão preparados para intervir caso as demonstrações de poder da Coreia do Norte desencadeiem um conflito real com a vizinha Coreia do Sul, afirmou nesta quinta-feira o chefe do Estado Maior do Exército norte-americano, George Casey.

"A resposta curta é 'sim'", declarou o general George Casey, acrescentando que "poderia levar um tempo para mudar de marcha" entre a atividade atualmente desenvolvida pelas tropas na região e uma atividade de conflito tradicional.

O general estima que esse período seja em torno de 90 dias. "Mas isso não significa que levaria 90 dias para que os EUA efetivamente combatessem o exército norte-coreano, nós moveríamos as tropas tão logo conseguíssemos prepará-las", explicou.

O líder militar norte-americano também sugeriu que um eventual combate com a Coreia do Norte poderá ser diferente do antigo modelo de guerra terrestre que motivou o posicionamento das forças norte-americanas na região.

Por sua parte, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates, declarou que a tensão coreana não atingiu um nível que justifique aumentar a presença militar norte-americana na região.

Gates explicou que não foi visto nenhum movimento de tropas norte-coreanas que justificasse o aumento das tropas dos EUA, atualmente cerca de 28 mil soldados posicionados na Coreia do Sul.

O secretário de Defesa também apontou que qualquer conflito desta dimensão deverá ser decidido e organizado por um amplo acordo internacional.

Tensão
As declarações de Gates buscam moderar a retórica, depois de as forças conjuntas de Coreia do Sul e dos Estados Unidos terem elevado o nível de alerta militar. O recrudescimento da tensão aconteceu após a Coreia do Norte suspender o armistício assinado em 1953 entre as duas Coreias, segundo informou o ministério sul-coreano da Defesa.

"Às 7h15 desta quinta-feira, o comando das forças conjuntas de Estados Unidos e Coreia do Sul elevou as condições de alerta em um grau, passando ao nível dois", afirma um comunicado do ministério da Defesa sul-coreano. "A vigilância sobre a Coreia do Norte será reforçada com aviões e a mobilização de pessoal", disse o porta-voz do ministério, Won Tae-Jae.

"Esta é a quarta vez, desde 1982, que o alerta entre as forças americanas e sul-coreanas é elevado ao nível 2", destacou Won Tae-Jae. O alerta precedente de nível 2 ocorreu em 2006, após o primeiro teste nuclear da Coreia do Norte. "Vamos manter uma sólida posição defensiva para prevenir provocações militares do Norte", disse Won.

Segundo o porta-voz, a vigilância vai se concentrar ao longo da Zona Desmilitarizada entre as duas Coreias, sobre a zona de segurança conjunta na cidade de Panmunjom e na região em disputa no Mar Amarelo.

Ainda de acordo com o comunicado, a Coreia do Norte está "distorcendo severamente" as intenções por trás do apoio da Coreia do Sul à iniciativa americana contra o tráfico de armas de destruição em massa para justificar o tom das ameaças de guerra.

Secretária de Estado dos EUA diz que ações de Pyongyang terão consequências

Ameaça
Pyongyang ameaçou nesta quarta-feira (27) a Coreia do Sul com uma resposta militar, após a adesão de Seul ao Programa de Segurança contra a Proliferação de armas de destruição em massa, e comunicou a suspensão do armistício de 1953, que encerrou a Guerra da Coreia.

O governo norte-coreano informou que considera uma declaração de guerra a decisão de Seul de aderir ao Programa de Segurança contra a Proliferação. "Qualquer ato hostil contra nossa República, em particular deter ou inspecionar nossos navios, se traduzirá de imediato em uma forte resposta militar", advertiu Pyongyang.

Lançado em 2003 pelos Estados Unidos, o programa contra a proliferação, que teve a adesão de 90 países, autoriza a inspeção em alto mar dos navios suspeitos de transportar material nuclear e outras armas de destruição em massa.

Na quarta-feira, a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, reiterou que o país cumprirá o compromisso de defender a Coreia do Sul.

Histórico
Nesta segunda-feira (25), a Coreia do Norte desafiou o mundo com um teste nuclear subterrâneo e o disparo de três mísseis de curto alcance, antes de lançar outros dois mísseis, na terça, e mais um, na quarta.

O teste nuclear de segunda-feira, o segundo da Coreia do Norte desde 2006, foi cinco vezes mais potente que o de três anos atrás, segundo os sismólogos.

Em reação, o Conselho de Segurança da ONU prepara uma resolução que deve incluir novas sanções ao governo da Coreia do Norte.

Para analistas, o ditador norte-coreano Kim Jong-Il atua desta maneira para aumentar sua autoridade e impor os planos de sucessão.

Confira cronologia e a proliferação nuclear no mundo:



*Com agências internacionais

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