Mahmoud Ahmadinejad é reeleito presidente do Irã

Do UOL Notícias* Em São Paulo

*Atualizada às 10h

  • AFP

    Antes de sua surpreendente vitória nas eleições presidenciais de 2005, Mahmoud Ahmadinejad foi prefeito da capital Teerã. Filho de um ferreiro, mudou-se do norte do Irã para a capital com sua família durante a infância; mais tarde, doutorou-se em engenharia civil. Durante a corrida eleitoral de quatro anos atrás, Ahmadinejad prometeu dedicar aos pobres o dinheiro que o país consegue com o petróleo, mas durante seu governo o país encontrou graves problemas econômicos (em parte devido a sanções internacionais), que agora são denunciados pelos outros candidatos presidenciais. Ahmadinejad ficou conhecido por seus comentários polêmicos, entre os quais a negação do Holocausto, o desejo de "tirar Israel do mapa" e declarações homofóbicas. Ele reivindica o direito de enriquecer urânio no Irã para gerar energia elétrica, um programa que Israel e os Estados Unidos acusam de ter fins bélicos


A Comissão Eleitoral Iraniana divulgou a vitória no primeiro turno do atual presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad. Os votos dos outros três candidatos não totalizaram os 50% necessários para que houvesse um segundo turno eleitoral.

Segundo o Ministério do Interior, Ahmadinejad conseguiu 62,63% dos votos (24.527.516), o dobro de votos do segundo colocado, o reformista ex-primeiro-ministro Mir Hossein Mousavi.

Mousavi ficou com 33,75% (13.216.411) da preferência dos eleitores. Os outros dois candidatos - o conservador Mohsen Rezaei teve 1,73% e o clérigo reformista Mehdi Karrubi ficou com 0,85%.

A campanha do candidato reformista pediu ao Conselho de Guardiães do Irã que revise os "erros" ocorridos nas eleições presidenciais e anule seu resultado.

O líder supremo da Irã, o aiatolá Ali Khamenei, saiu em defesa da vitória de Ahmadinejad e pediu aos candidatos derrotados que aceitem os resultados das eleições.

Disputas internas

Samareh Hachemi, chefe de campanha do presidente ultraconservador, qualificou de propaganda e ato de irresponsabilidade a decisão de Mousavi de reclamar também a vitória e afirmou que a derrota é o episódio final de três meses de irrealidade.

Ahmadinejad "é o presidente de todos os iranianos. Os outros candidatos devem respeitar o desejo do povo, respeitar as regras democráticas e ajudar a criar uma atmosfera sã que elimine as tensões", afirmou. "A diferença de milhões de votos demonstra quem são aqueles que têm mentido", completou.

Os resultados finais devem ser validados e ratificados pelo Conselho de Guardiães.

Os dois candidatos chegaram a cantar vitória antes da apuração dos votos. A agência oficial Irna anunciou a vitória de Ahmadinejad, pouco depois de seu principal adversário ter reivindicado o triunfo no primeiro turno.

A votação começou às 8h (local). Segundo os primeiros dados divulgados pelo Ministério do Interior, a participação dos eleitores pode ter quebrado um recorde, e estaria em 75%. As filas adiaram o fechamento dos locais de votação em mais de quatro horas, para que todos os eleitores pudessem votar.

Com 46 milhões de iranianos convocados às urnas, o resultado oficial, deverá ser divulgado 24 horas após a apuração dos votos de 49 mil colégios instalados e das urnas espalhadas por outros 130 países, para iranianos que vivem no exterior. O eleito toma posse em setembro.

A eleição também foi marcada por denúncias de supostas irregularidades pela direção de campanha de Mousavi que teriam sido cometidas em diferentes colégios do Teerã. "Mais de 40% dos colégios da capital ficaram sem observadores", disse Ali Akbar, chefe do comitê de supervisão dos votos do candidato.

Um grupo de desconhecidos atacou com bombas de fumaça uma das sedes eleitorais de Moussavi, sem deixar feridos, em um ato que causou pânico entre os eleitores, informou a agência EFE.

Em uma campanha que fez transparecer extremos da sociedade iraniana, jovens e mulheres clamaram por mudança nas ruas do Teerã, apoiando o líder reformista Hossein Mousavi.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou nesta sexta-feira acreditar em mudança no país. "Estamos entusiasmados de que haja, ao que parece, um forte debate no Irã", declarou à imprensa.

Campanha
A campanha refletiu as divisões profundas sobre o futuro do Irã, depois de quatro anos de mandato de Ahmadinejad. Os adversários criticaram a retórica violenta de Ahmadinejad durante a crise nuclear e contra Israel, o que contribuiu para isolar o país no cenário internacional.

O presidente ultraconservador retomou a bandeira da justiça social e da defesa dos mais pobres, que já havia usado em 2005. Endureceu o discurso com ataques pessoais contra Mussavi, a quem acusou de ser apoiado pelos "aproveitadores" do regime.

Mussavi, que retornou à vida política iraniana com força após 20 anos de ausência, denunciou as "mentiras" do presidente sobre seu balanço econômico e sua política populista.





*Com agências internacionais

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