Milhares vão às ruas de Teerã em apoio a Ahmadinejad

Do UOL Notícias* Em São Paulo

Milhares de pessoas fizeram um ato nesta terça-feira (16) no centro de Teerã em apoio à reeleição do presidente do país, Mahmoud Ahmadinejad, acusado pela oposição de fraude nas eleições da última sexta-feira.

A imprensa internacional não foi autorizada a cobrir a manifestação, que só pôde ser acompanhada através das imagens fornecidas pela televisão nacional iraniana.

AFP/AL-ALAM TV 
Imagem de televisão mostra manifestação em apoio ao presidente reeleito Ahmadinejad

A emissora, controlada pelo líder supremo, aiatolá Ali Khamanei, qualificou a passeata de "concentração pela unidade" e assegurou que do ato participaram milhares de pessoas procedentes "de todas as camadas da sociedade".

No entanto, durante a transmissão televisiva apenas foram mostrados planos fechados, que não permitiam saber qual o real tamanho da concentração na praça de Valy-e Asr, situada no centro de Teerã e epicentro da manifestação.

Uma hora mais tarde havia sido convocado outro ato dos seguidores do candidato reformista, Mir Hussein Moussavi.

Irã suspende permissão de trabalho de jornalistas
O Ministério de Guia e Orientação Islâmica iraniano anulou nesta terça-feira (16) todas as permissões de trabalho das agências de notícia estrangeiras e advertiu que não podem cobrir nenhum ato na rua que não conte com a autorização do órgão.

Sregundo um fax enviado ao escritório da agência de notícias Efe em Teerã, o ministério diz que "todas as representações da imprensa estrangeira devem evitar qualquer atividade jornalística sem coordenação e sem permissão do escritório geral dos meios de comunicação estrangeiros e de Guia Islâmica".

"Não devem participar de nenhum ato que não tenha sido anunciado por parte deste escritório e devem evitar cobrir concentrações que sejam ilegais", acrescenta.

Procurados pela agência de notícias Efe, os funcionários do ministério explicaram que as credenciais que tinham sido estendidas aos jornalistas para se movimentar pela cidade "foram canceladas" e que, por enquanto, os repórteres devem permanecer nos escritórios.

Além disso, afirmaram que não se responsabilizarão pelo que acontecer caso os jornalistas não respeitem a ordem.

No domingo, o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad -cuja vitória eleitoral foi qualificada de fraudulenta pela oposição-, acusou a imprensa estrangeira de intervir nos assuntos internos do país e de mostrar uma imagem negativa e enganosa do que está acontecendo no Irã.

Depois, acrescentou que os estrangeiros não devem se preocupar com o que ocorre no país, porque no Irã há total liberdade.

Hoje, a rádio estatal divulgou informações de agências de notícias estrangeiras para demonstrar que, em sua opinião, estes meios de comunicação tentam criar distúrbios no país.

Opositor pede suspensão de protestos
O líder da oposição iraniana, Mir Hussein Moussavi, aconselhou seus seguidores a não participarem de uma manifestação que tinha sido convocada para "não colocar suas vidas em risco".

Em comunicado divulgado nesta terça-feira (16), Moussavi alerta seus seguidores sobre a possibilidade de que se deparem com grupos "que promovem confrontos".

Moussavi, que denunciou uma fraude em massa nas eleições presidenciais da última sexta-feira, liderou na segunda-feira (15) uma manifestação de mais de um milhão de pessoas para pedir a repetição do pleito.

O ato terminou com choques entre manifestantes e grupos de milicianos islâmicos Basij, aliados ao regime, nos quais pelo menos sete pessoas morreram.

Os protestos, aos gritos de "morte ao ditador" e "abaixo o Governo golpista", se repetem em Teerã desde que, neste sábado, foi anunciada a vitória, por maioria absoluta, do presidente, Mahmoud Ahmadinejad.

Há quatro dias, o Irã é palco de protestos e violentos confrontos - que já deixaram sete mortos- entre forças de segurança e seguidores da oposição, que exigiu que as eleições da última sexta sejam repetidas.

"Governo deve responder por ataques em Universidade"
O presidente do Parlamento iraniano, Ali Larijani, afirmou que o Ministério do Interior deverá responder pelo ataque registrado dias atrás no alojamento estudantil da Universidade de Teerã.

"O Ministério do Interior é responsável por isto e deve responder por isto. O Parlamento observa de perto o caso", disse Larijani em declarações à agência de notícias "Isna".

Segundo o relato de vários grupos de estudantes à agência de notícias Efe, no fim de semana passado dezenas de policiais antidistúrbios e milicianos islâmicos Basij invadiram, durante a noite, o alojamento estudantil, onde teriam matado quatro estudantes, três homens e uma mulher.

A notícia sobre as mortes foram negadas pelo reitor da Universidade, Farhad Rahbar, em declarações à "Irna".

Larijani, considerado um dos críticos ao governo do presidente Mahmoud Ahmadinejad, afirmou que ações deste tipo "não fazem sentido".

Ahmadinejad evita comentar protestos
"A era dos impérios acabou", afirmou o presidente iraniano Mahmud Ahmadinejad na reunião de cúpula da Organização da Cooperação de Xangai, que acontece na cidade russa de Ekaterinburgo.

"A ordem capitalista internacional está se dobrando", afirmou Ahmadinejad na abertura da reunião do grupo integrado pela Rússia, China e países da Ásia central.

"É evidente que a era dos impérios acabou e não voltará a renascer", acrescentou.

Ahmadinejad se recusou a fazer qualquer comentário sobre a situação em seu país, onde a oposição convocou para esta terça-feira um novo protesto contra sua questionada reeleição na votação de sexta-feira.
  • Arte UOL

*Com as agências EFE e AFP

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