Milhares de simpatizantes de Mousavi voltam a protestar em Teerã

Do UOL Notícias* Em São Paulo

Milhares de simpatizantes da oposição iraniana voltaram a se reunir nesta quarta-feira (17), em Teerã, para pedir tanto a anulação como a repetição das eleições presidenciais da semana passada.

Como nos últimos dias, milhares de iranianos marcharam em silêncio até a zona norte da cidade. Muitos usavam roupas verdes - a cor da oposição - e carregavam fotos do candidato pró-reformista Mir Hussein Mousavi.

Alguns iranianos estavam de luto por causa das sete mortes provocadas na manifestação de segunda-feira, relataram manifestantes à agência de notícias Efe. Outros carregavam cartazes dizendo "Onde está meu voto?".

A manifestação, assim como a de ontem, também não pôde ser gravada ou fotografada pela imprensa internacional.

O veto aconteceu 24 horas depois que uma manifestação a favor da oposição, com cerca de um milhão de pessoas, terminou com sete mortes.

Apesar dos impedimentos, a oposição decidiu continuar com as manifestações. Mousavi convocou para amanhã uma manifestação e um dia de luto pelas vítimas da repressão policial durante os últimos dias.

Em comunicado divulgado em seu site, o opositor convoca todos os iranianos a se aproximar das mesquitas e a marchar de forma pacífica pelas ruas para honrar "os mártires e os feridos nos recentes eventos". "Durante os últimos dias e como consequência de ações violentas e ilegais (pessoas que protestavam) contra o resultado da eleição presidencial, um número de cidadãos foi ferido ou martirizado", disse Mousavi. "Peço que o povo expresse sua solidariedade às famílias... comparecendo juntos em mesquitas ou tomando parte em manifestações pacíficas", disse.

Mousavi se declarou vencedor das eleições presidenciais de sexta-feira passada, pouco depois do fechamento dos colégios eleitorais, e denunciou uma fraude a favor de seu rival, o atual presidente Mahmoud Ahmadinejad, a quem o Ministério do Interior atribuiu vitória por maioria absoluta.

Desde então, o Irã tem sido palco de protestos e choques entre a oposição e as forças de segurança - apoiadas pela milícia islâmica Basij - que provocaram a morte de pelo menos sete pessoas.

Além disso, não se sabe exatamente o que aconteceu no fim de semana nas residências da Universidade de Teerã, invadida pela polícia e por grupos de milicianos Basij, que, segundo os estudantes, teriam matado pelo menos cinco pessoas.

Governo restringe banda larga
O governo do Irã reduziu pela metade a capacidade de banda larga em seu país para evitar o envio de imagens ao exterior através da internet, disseram fontes diplomáticas nesta quarta-feira (17). Na mesma data, a Guarda Revolucionária do Irã advertiu em um comunicado emitido pela agência de notícias estatal que seus investigadores iriam tomar medidas contra "sites de notícias dissidentes" que encorajem distúrbios públicos e tumultos nas ruas. A Guarda promete tomar "ações legais fortes" e exigir "a remoção de materiais" desses sites.

AFP 
Imagem publicada hoje no TwitPic, do Twitter, mostra suposta manifestação em Teerã

A Guarda Revolucionária é uma das partes que compõem as Forças Armadas iranianas. Ela tem grande influência interna e controla os principais programas de defesa do país. É considerada uma das chaves para a manutenção do poder no Irã e tem fortes vínculos com o líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, e o presidente Mahmoud Ahmadinejad, que é um de seus ex-membros.

Com o bloqueio do acesso a diversas páginas na internet, iranianos adotaram a postura de utilizar ferramentas online para tentar driblar a censura do governo e propagar informações, imagens e vídeos do clima de tensão no país.

Os sites mais populares têm sido o Twitter e o Facebook, mas iranianos também têm usado o YouTube, o Flickr e o MySpace para postar material, por meio de ferramentas que driblam os bloqueios impostos pelas autoridades iranianas, escreve a BBC Brasil.

A importância do Twitter e outros sites de relacionamento como instrumento de informação aumentou na terça-feira, depois que o governo proibiu a presença da imprensa estrangeira nas ruas de Teerã. Além disso, o governo corta o funcionamento de telefones celulares e de serviços de SMS em determinadas horas e locais da cidade.

Apesar das restrições, os iranianos estão acostumados a buscar servidores e proxy estrangeiros para tentar driblar o controle governamental. Todos os servidores iranianos estão controlados por uma rede do ministério, que filtra e permite o acesso às páginas no interior do país e no exterior.

Irã protesta contra "intromissão" dos EUA
O Ministério iraniano das Relações Exteriores convocou o embaixador da Suíça, que representa os interesses americanos no Irã, para protestar contra o que chamou de "intromissão" dos Estados Unidos em seus assuntos internos, informou nesta quarta-feira a televisão iraniana.

"Após as declarações intervencionistas de dirigentes americanos, o embaixador suíço foi convocado na qualidade de representante dos interesses americanos no Irã e uma nota protesto foi entregue a ele", segundo a televisão de Estado.

Na terça-feira, o presidente Barack Obama afirmou ter "profundas preocupações" com as eleições presidenciais iranianas, estimando, no entanto, que não seria proveitoso para os Estados Unidos imiscuir-se na política interna iraniana.

Procurador defende pena de morte
O procurador-geral da cidade iraniana de Isfahan, Mohamad Reza Habibi, advertiu nesta quarta-feira que os causadores dos distúrbios que há cinco dias agitam o país podem ser condenados à morte.

Em declarações divulgadas pela agência de notícias local "Fars", Habibi afirmou que as agitações podem ser consideradas "atividades criminosas" contra a segurança do Estado, delito que, segundo a lei islâmica iraniana, pode levar à pena de morte.

"Advertimos esses poucos ativistas controlados pelo exterior que tratam de violar a segurança nacional incitando outros a destruir que, segundo o código penal islâmico, a condenação contra aqueles que fazem a guerra a Alá é a morte", afirmou.

Habibi pediu para que os que provocaram distúrbios nesta cidade "evitem as ações ilegais e voltem a se unir à nação".

Governo chama imprensa de "porta-voz de agitadores"
O governo iraniano, que enfrenta a maior onda de protestos desde a revolução islâmica de 1979, criticou as "armadilhas" dos inimigos da nação.

O ministério iraniano das Relações Exteriores acusou nesta quarta-feira os meios de comunicação estrangeiros de ser "porta-vozes" dos "agitadores" que mancham a imagem do país, após a recente reeleição do presidente ultraconservador Mahmoud Ahmadinejad, questionada pela oposição.

As autoridades iranianas, que com frequência consideram os membros da imprensa estrangeira em seu território como representantes oficiais de seus respectivos países, acusam "certos países" de apoiar o que chama de manifestações ilegais contra o poder e de terem se transformado em "porta-vozes do movimento de agitadores", segundo um comunicado oficial.

"Alguns países, em uma reação rude e rápida em relação às manifestações ilegais, as apoiaram contra os princípios democráticos e as leis e se converteram nos porta-vozes dos agitadores", completa o comunicado da chancelaria.

O texto recomenda à imprensa estrangeira "mudar sua interação incorreta com os acontecimentos iranianos". Caso contrário, "no momento oportuno e sem espaço para dúvidas os inimigos da unidade nacional iraniana serão neutralizados".


*Com informações das agências internacionais

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos