Manifestantes e polícia entram em confronto em Teerã; ao menos duas pessoas morrem em atentado

Do UOL Notícias*
Em São Paulo

*Atualizado às 15h03
Manifestantes da oposição e a polícia do Irã entraram em confronto nas ruas de Teerã, neste sábado, disseram testemunhas. De acordo com a TV estatal, pelo menos duas pessoas morreram em um atentado ocorrido hoje perto do mausoléu do aiatolá Khomeini, no sul da capital iraniana.

A polícia usou bombas de gás lacrimogêneo e canhões de água para dispersar a multidão.

Segundo testemunhas, os principais confrontos ocorreram na praça da Revolução, no centro da cidade, onde mais de 3.000 manifestantes gritavam "morte ao ditador" e "morte à ditadura".

Pelo menos 60 manifestantes foram agredidos pela polícia e por milícias pró-Ahmadinejad e levados ao hospital Iman Khomeini. Pessoas são vistas carregando colegas feridos e ensanguentados pelas ruas da capital iraniana.

Pelo céu da cidade é possível ver muitos helicópteros e uma densa fumaça negra. A Universidade de Teerã foi cercada pela polícia enquanto estudantes pediam a "morte do ditador".

Homem-bomba
Um homem-bomba detonou seus explosivos na tarde deste sábado no mausoléu do aiatolá Khomeini, em Teerã, e feriu um peregrino, informou o chefe adjunto da polícia iraniana, Hosein Sadjedinia, segundo as agências Fars e Mehr.

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"Há alguns minutos um terrorista detonou seu casaco de explosivos no mausoléu do imã Khomeini. A explosão danificou parte do local", afirmou Sadjedinia.

Foi o primeiro atentado ocorrido em Teerã desde a década de 80.

Mousavi pede greve nacional
O candidato derrotado à presidência do Irã Mirhossein Mousavi pediu que os iranianos realizem uma greve nacional se ele for preso pelas autoridades, disse uma testemunha.

"Em seu discurso a simpatizantes em Jeyhun (distrito a sudoeste de Teerã), Mousavi pediu que as pessoas realizem uma greve nacional se ele for preso", afirmou a testemunha à Reuters.

Ainda em discurso, Mousavi disse estar pronto para o martírio, afirmou à Reuters um de seus aliados.

"Mousavi disse que está pronto para o martírio e que vai continuar em seu caminho", afirmou o aliado, que pediu para não ser identificado, por telefone de Teerã

Recontagem aleatória
O Conselho dos Guardiães, encarregado de validar as eleições iranianas, recontará 10% das urnas do pleito do último dia 12, denunciado como fraudulento pela oposição.

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"Embora o Conselho dos Guardiães não seja legalmente obrigado, estamos dispostos a recontar 10% das urnas ao acaso, na presença de representantes dos três candidatos derrotados", disse à TV estatal o porta-voz do Conselho, Abbas Ali Kadkhodaei.

Segundo o funcionário, o resultado final e definitivo da votação será anunciado na quarta-feira.

Neste sábado, os três candidatos derrotados na eleição compareceriam a uma reunião extraordinária do Conselho dos Guardiães para analisar as 646 denúncias de fraude apresentadas às autoridades.

No entanto, nenhum dos dois candidatos reformistas, Mir Hussein Moussavi ou Mehdi Karroubi, participaram da sessão. Apenas o conservador Mohsen Rezaei esteve presente.

Na sexta-feira à noite, Kadkhodaei afirmou que os candidatos foram chamados para que expressassem sua opinião e levassem suas queixas aos 12 membros do Conselho antes de uma decisão final.

*Com informações da AP, EFE, Reuters e AFP

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