Após mortes em protestos, governo do Irã critica o Ocidente; Reino Unido se defende

Do UOL Notícias
Em São Paulo

Crise no Irã: polícia aumenta repressão

  • Policiais se reúnem em Teerã para reprimir as manifestações contra o resultado das eleições...

  • ... e manifestantes atacam com paus e pedras

A inquietação e violência em Teerã, causada pela reeleição de Mahmoud Ahmadinejad nas eleições presidenciais de 12 de junho e as alegações de fraude no pleito, adquiriram um caráter mais externo neste domingo. Um dia após a morte de ao menos 10 pessoas pelas ruas da capital iraniana, o governo apontou o foco de seu ataque para a imprensa e os líderes ocidentais.

O presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad, reeleito na contestada eleição de 12 de junho, exigiu que os Estados Unidos e o Reino Unido parem de interferir nos assuntos internos do Irã. Já o ministro Manouchehr Mottaki afirmou que o Reino Unido, junto com a Alemanha e a França, está alimentando os protestos e distúrbios no país.

Também neste domingo, o correpondente da BBC Jon Leyne foi expulso do Irã. Leyne foi acusado de dar "informações falsas", "não manter a objetividade", alimentar os distúrbios com suas reportagens e desrespeitar o código de ética da profissão.

Reações do Ocidente
O ministro de Assuntos Exteriores britânico, David Miliband, rebateu as acusações de Manouchehr Mottaki.

"Rejeito categoricamente a ideia de que os manifestantes no Irã estão sendo manipulados ou motivados por países estrangeiros", afirmou Miliband em nota oficial.

Em discurso aos diplomatas estrangeiros exibido na TV iraniana, Motakki deu a entender que Reino Unido, Alemanha e França estão por trás dos distúrbios e manifestações que sacodem o Irã desde a divulgação dos resultados das eleições presidenciais de 12 de junho.

No entanto, o chefe da diplomacia britânica acusou seu colega iraniano de tentar "transformar as disputas dos iranianos pelos resultados das eleições numa batalha entre o Irã e outros países", o que "não tem fundamento".

Miliband ressaltou que cabe ao povo iraniano "escolher seu Governo" e às autoridades do país "garantir a justiça do resultado (eleitoral) e a proteção de seu próprio povo".

Na opinião do ministro britânico, as informações sobre a morte de manifestantes "eleva o nível de preocupação" da comunidade internacional.

"Portanto", ressaltou, "condeno a contínua violência contra os que buscam exercer seu direito de expressão. Isso só consegue prejudicar a imagem do Irã aos olhos do mundo".

Diante da escalada da crise, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pediu ainda no sábado ao governo iraniano o fim das ações violentas e injustas.

"O governo iraniano precisa entender que o mundo está observando. Nós lamentamos cada vida inocente que se perde", disse Obama num comunicado.

COLUNISTAS: Europeus temem que
conflito no Irã se torne guerra civil

  • O colunista do UOL, Luiz Felipe de Alencastro, comenta a crise política no Irã. Para Alencastro, o discurso do aiatolá Ali Khamenei deve fazer aumentar ainda mais os protestos da oposição.


Em Paris, o presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet, disse que as tensões no Irã aumentaram os riscos que a economia mundial enfrenta e destacou a necessidade de se fortalecer o sistema financeiro mundial.

"Qualquer tensão geo-estratégica adicional é obviamente um risco extra para a economia internacional", disse ele à rádio Europa 1. "Temos de conviver com esses riscos e reforçar a solidez da economia internacional, reforçar a solidez das finanças internacionais", disse ele.

A chanceler alemã, Angela Merkel, pediu uma recontagem dos votos e que as autoridades de Teerã renunciem à violência contra os manifestantes. O governo da Itália se disse aflito com a perda de vidas humanas.

O canal por satélite em inglês da televisão pública iraniana Press TV chegou a informar 13 mortes nos confrontos entre policiais e "terroristas" sábado em Teerã, mas a televisão estatal informou que dez pessoas morreram e mais de 100 ficaram feridas, destacando a presença de "agentes terroristas" com armas de fogo e explosivos.

Dia mais calmo
Milhares de políciais e membros da milícia Baiji se espalharam por Teerã neste domingo para evitar novas manifestações como as de sábado.

Segundo a CNN, algumas testemunhas enviaram informações de pequenos protestos pela cidaade, como um ocorrido em uma universidade. O trânsito era tranquilo, nenhum tanque foi visto por Teerã e a maioria das lojas estava de portas fechadas.

  • Arte UOL




*Com informações das agências internacionais

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