Irã anuncia data da posse de Ahmadinejad; autoridades prometem lição aos "desordeiros"

Do UOL Notícias* Em São Paulo

Atualizado às 12h45

O Parlamento do Irã anunciou nesta terça-feira (23) que a cerimônia de posse do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, reeleito no pleito do último dia 12, acontecerá entre 26 de julho e 19 de agosto.

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Segundo a agência iraniana "Mehr", a mesa diretora do Parlamento acrescentou que os ministros do décimo governo iraniano jurarão o cargo no mesmo dia que o presidente.

Também nesta terça-feira, o ministério do Interior pediu que o principal adversário de Mahmoud Ahmadinejad, Mir Hossein Mousavi, "respeite a lei e o voto do povo" que reelegeu o atual presidente, informou a agência Irna.

"Pedimos ao senhor Mousavi que respeite a lei e o voto do povo e se comporte em confirmidade com a lei", declarou o ministério em um comunicado.

Em 13 de junho, no dia seguinte às eleições, o Ministério do Interior deu a vitória a Ahmadinejad. Porém, em virtude das denúncias de fraude apresentadas pela oposição, o resultado definitivo da votação ainda não confirmado.

Desde então, a vitória de Ahmadinejad gerou uma série de protestos e distúrbios nas maiores cidades do país.

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Lição aos desordeiros
As autoridades iranianas disseram que darão uma lição nos "desordeiros" presos durante as maiores manifestações já realizadas no país desde a revolução islâmica de 1979.

Um clérigo moderado derrotado nas eleições presidenciais deste mês convocou todos os iranianos a realizarem cerimônias na quinta-feira para lembrar os mortos durante os protestos da semana passada.

Caminhões e policiais foram enviados às principais praças de Teerã na terça-feira (23), mas até o meio-dia não havia sinais de manifestações na cidade.

A Guarda Revolucionária, leal ao regime religioso do país, declarou que reprimiria os protestos, deflagrados pelas eleições que deram ao atual presidente Mahmoud Ahmadinejad uma vitória esmagadora.

Centenas de pessoas foram presas pela polícia, que usou gás lacrimogêneo e cassetetes para conter as manifestações, iniciadas após a divulgação dos resultados eleitorais em 13 de junho.

"Lidaremos com aqueles que foram presos nos eventos recentes de maneira que aprendam uma lição", disse na segunda-feira Ebrahim Raisi, autoridade judiciária de primeiro escalão do país, à TV estatal segundo a agência de notícias oficial Irna. Ele acrescentou que tribunais especiais estão estudando os casos.

"Os desordeiros têm de ser tratados de forma exemplar, e o Judiciário fará isso", acrescentou.

Dois candidatos derrotados no pleito, o ex-primeiro-ministro Mir Hossein Mousavi e o clérigo reformista Mehdi Karoubi, acusam as autoridades de fraude eleitoral e exigem que as eleições sejam realizadas novamente. Mas o principal órgão judiciário do país, o Conselho de Guardiões, voltou a descartar essa possibilidade na terça-feira (23).

O episódio produziu as primeiras evidências claras de um racha público no regime religioso do país entre os conservadores e aqueles que buscam políticas liberais.

Mahmoud Ahmadi, um parlamentar iraniano, disse na terça que Teerã convocará temporariamente seu embaixador Reino Unido, país acusado pela República Islâmica de fomentar os tumultos. Uma autoridade do governo iraniano não confirmou a informação, divulgada por várias agências de notícias do país.

Enquanto isso, o clérigo moderado Mehdi Karoubi manteve a pressão sobre as autoridades. "Karoubi convoca todos os iranianos ao redor do país a realizarem cerimônias na quinta-feira para lembrar (os mortos) nos protestos", disse o assessor Issa Saharkhiz.

Os protestos acontecem em meio a um contexto de tensões entre o Ocidente e o Irã, fator-chave para a estabilidade da região.

A liderança linha-dura do Irã trava uma disputa com potências ocidentais sobre o programa nuclear do país, o qual a República Islâmica diz ser voltado à geração de energia, mas o Ocidente suspeita ser um disfarce para a fabricação de armas nucleares que podem desestabilizar a região.

A TV estatal diz que mais de 450 pessoas foram presas durante confrontos em Teerã no sábado, nos quais pelo menos 10 pessoas morreram.



* Com informações da EFE e da Reuters

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