Líder comunista afirma que irá pedir pena de morte para envolvidos em conflito étnico na China

Do UOL Notícias*
Em São Paulo

O líder do partido comunista chinês em Urumqi, Li Zhi, afirmou nesta quarta-feira que irá pedir pena de morte para qualquer um que esteja por trás dos conflitos étnicos que já deixaram ao menos 156 mortos na região autônoma de Xinjiang, na China, informa o jornal "The New York Times".

Zhi disse que muitos suspeitos de terem incentivado a violência entre uigures e chineses da etnia han já foram presos. A maioria era estudante.

Fontes em Urumqi disseram que mais de mil chineses han se reuniram para protestar nesta quarta-feira, mas a polícia e as tropas militares conseguiram impôr a calma na cidade, de acordo com Zhi.

De acordo com a agência de notícias Xinhua, muitas lojas fecharam as portas. Já é difícil encontrar comida e água para comprar.

Em uma entrevista coletiva, Zhi afirmou que nove dos 156 mortos continuam sem identificação. Isso porque seus corpos estão severamente queimados. O chefe do partido comunista não confirmou as etnias das pessoas mortas, mas um membro de uma família han afirmou que conseguiu identificar um parente por meio de uma foto.

Nos bairros de maioria uigur, onde a violência foi maior nos últimos dias, as mulheres que tiveram seus maridos e irmãos presos pela polícia, falaram da frustração de serem obrigadas a viver em um local que anteriormente pertencia a eles e que agora é dominado por um governo han.

"Eles não respeitam nosso modo de viver. Queremos nossa dignidade, justiça e igualdade", disse uma mulher uigur de 26 anos.

O governo local é acusado de limitar a prática religiosa muçulmana dos uigures e o ensino do idioma uigur nas escolas, além de facilitar o acesso dos chineses han a oportunidades economicamente vantajosas.

Metade dos 20 milhões de habitantes de Xinjiang é da etnia muçulmana uigur. Desde domingo, a região é barril de pólvora no qual explodem distúrbios o tempo todo.

A origem dos conflitos étnicos surgiu em Cantão, no sul da China, em junho, quando um grupo de operários uigures foi linchado após ser falsamente acusado de ter estuprado duas jovens.

No domingo passado, um grupo de 300 estudantes uigures convocou um protesto em Xinjiang para pedir justiça por esse linchamento.

Nas últimas décadas, o número de colonos chineses aumentou na região e assumiu a economia local.

*Com informações do The New York Times e da EFE

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