Escolas e instituições públicas de Honduras fazem paralisação pela volta de Zelaya

Do UOL Notícias* Em São Paulo

As escolas e algumas instituições públicas de Honduras fecharam suas portas nesta quinta-feira (23) para pressionar pelo retorno do presidente deposto Manuel Zelaya, enquanto a tensão crescia no país após o fracasso do diálogo na Costa Rica, disseram dirigentes.

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A tensão foi estimulada por uma onda de rumores, enquanto a mídia favorável ao governo interino de Roberto Micheletti alertava que o anunciado retorno de Zelaya ao país provocaria desordem e violência.

A associação de professores suspendeu as aulas nas escolas do país. Este mês, os alunos tiveram apenas três dias de aula devido ao conflito político. O sindicalista Juan Barahona, que apoia a restituição do presidente deposto no golpe de Estado de 28 de junho, disse que trabalhadores de diversas instituições públicas também se juntaram à paralisação.

"As forças progressistas permanecem em pé de uma forma que não se via desde a Guerra Fria", disse Barahona à agência de notícias AFP.

Personagens da crise: os protagonistas

  • AP Photo/Jose Luis Magana

    Manuel Zelaya foi eleito presidente de Honduras pelo Partido Liberal (centro-direita) em 2005 e assumiu no ano seguinte, com mandato até 2010. Durante seu governo, aproximou-se dos governos de esquerda da região e Honduras passou a fazer parte da Aliança Bolivariana para as Américas (ALBA), bloco liderado por Venezuela e Cuba. Em junho deste ano, tentou promover um referendo para mudar a Constituição e permitir a reeleição presidencial, iniciativa que foi considerada ilegal pelo Parlamento e pelo poder Judiciário. No dia 28 de junho, quando iria levar adiante a votação, Zelaya, ainda de pijamas, foi expulso do país por militares e deposto do cargo de presidente

  • REUTERS/Tomas Bravo

    Roberto Micheletti, também do Partido Liberal, era presidente do Parlamento hondurenho quando Zelaya foi deposto. Assumiu a Presidência e defende que a manobra foi legítima, com o objetivo de proteger o país de um suposto golpe de Zelaya contra a democracia. Durante seu governo interino, que não foi reconhecido por nenhum outro governo, o país foi expulso da OEA e teve parte do financiamento externo congelado. Micheletti anunciou que Zelaya será preso caso volte ao pais



Zelaya promete retorno
O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, prometeu iniciar o regresso a seu país nesta quinta-feira, em uma nova tentativa de recuperar o poder depois do fracasso das negociações para solucionar a crise política decorrente do golpe de Estado que o expulsou do país.

Zelaya considerou encerradas na quarta-feira as negociações para resolver a pior crise política das últimas duas décadas e decidiu jogar uma última cartada. O conflito tem como mediador o presidente da Costa Rica, Óscar Arias.

"Amanhã (quinta-feira) irei para três municípios na fronteira com Honduras", disse na quarta-feira à noite em Manágua à rede de tevê Telesur, sem revelar quando, nem por onde atravessaria a fronteira.

O governo interino instalado em Tegucigalpa após o golpe de 28 de junho informou que Zelaya será aguardado com um mandado de prisão sob acusação de ter violado a Constituição ao tentar abrir caminho para a reeleição.

"Não posso prever o que vai acontecer", disse Zelaya em entrevista telefônica à agência de notícias Reuters em Manágua.

Muitos temem que seu regresso desencadeie violência. Sua tentativa anterior em 5 de julho, quando tentou aterrissar em Tegucigalpa a bordo de um avião venezuelano, terminou em tragédia. Um jovem morreu ao ser atingido por disparos de militares que faziam a segurança do local.

As forças de segurança aliadas ao governo interino do presidente Roberto Micheletti reforçaram a vigilância na fronteira leste com a Nicarágua depois do anúncio da volta de Zelaya.

Mobilização para receber Zelaya
O líder campesino Rafael Alegría, principal liderança da Frente Nacional contra o golpe de Estado, disse à Reuters que a mobilização à fronteira seria na sexta-feira e que o presidente não entraria em solo hondurenho até sábado.

Raio-X de Honduras

  • UOL Arte

    Nome oficial: República de Honduras
    Capital: Tegucigalpa
    Divisão política: 18 Estados
    Línguas: espanhol, garifuna, dialetos ameríndios
    Religião: católica 97%, protestantes 3%
    Natureza do Estado: república presidencialista
    Independência: da Espanha, em 1821
    Área: 112.088 km²
    Fronteiras: com Guatemala (256 km), El Salvador (342 km), Nicarágua (922 km)
    População: 7.792.854 de pessoas
    Grupos étnicos: mestiços 90%, ameríndios 7%, negros 2%, brancos 1%
    Economia: segundo país mais pobre da América Central; dependente de exportação de café e banana; principal parceiro econômico é EUA
    Taxa de desemprego: 27,8%
    População abaixo da linha da pobreza: 50,7%



Enquanto isso, sindicatos e militantes de esquerda preparam nesta quinta-feira o terreno bloqueando o acesso norte à cidade de Tegucigalpa, uma estrada que liga a capital com a cidade industrial de San Pedro Sula e os portos do Caribe. "Vão aumentar os protestos em nível nacional", disse Barahona.

A capacidade de mobilização de seus partidários caiu nas três últimas semanas desde o golpe.

Uma manifestação realizada na quarta-feira reuniu cerca de 500 pessoas, enquanto o governo interino mobilizou milhares de pessoas no centro de Tegucigalpa.

Mesmo assim, os manifestantes dizem que vão mobilizar milhares de pessoas na fronteira para receber a Zelaya.

As autoridades do governo interino ainda não rejeitaram formalmente a proposta do mediador Arias, de reconduzir Zelaya ao poder até que se encerre seu mandato em janeiro.

Alegaram que na quinta-feira colocariam o plano sob avaliação dos diferentes poderes do Estado. Entretanto, uma proposta similar foi rejeitada no domingo pelo governo interino, o que fez com que Zelaya considerasse encerradas as negociações sem esperar uma resposta formal da outra parte.

* Com informações da AFP e da Reuters

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