Governo iraniano intensifica bloqueios na internet às vésperas da posse de Ahmadinejad

Do UOL Notícias* Em São Paulo

O clima fica mais tenso no Irã à medida que se aproxima a posse do presidente, Mahmoud Ahmadinejad, marcada para a próxima semana. O governo tem feito cada vez mais esforços para conter a atuação de ativistas da oposição na internet, que denunciam fraudes nas eleições de 12 de junho e relatam o que vem acontecendo no país. No entanto, para Demi Getschko, engenheiro que introduziu a internet no Brasil, impedir a circulação de informações na web é uma tarefa bastante difícil.

Facebook, Twitter e Youtube continuam bloqueados, e especialistas em internet acreditam que o governo iraniano deve iniciar a busca e apreensão de computadores de onde as imagens e vídeos oposicionistas tenham partido. Os ativistas acreditam que cada movimento online está sendo monitorado.
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"Estamos realmente preocupados com isso. Para me proteger, limitei meus posts a redes sociais, Twitter e também deletei algumas partes de meu blogs pessoais e outras notas na web", disse à agência de notícias Associated Press um iraniano que sempre posta no Twitter informações sobre as eleições. Outro ativista completa: "Todos os sites onde as pessoas podem estar em contato e trocar fotos e informações estão bloqueados". Ambos concederam entrevistas anônimas por e-mail, com medo de retaliações do governo.

Acredita-se que o governo iraniano vem desenvolvendo softwares e tecnologia nos últimos anos para filtrar e monitorar os sites da internet. "Eu acho que o governo iraniano está aprendendo rápido como controlar e conter essas coisas", disse Andrew Lewman, diretor executivo do The Tor Project, baseado em Boston, nos Estados Unidos.

O programa Tor, de download livre, permite que os usuários acessem sites bloqueados e não deixem pistas do que fizeram na internet. No Irã, os acessos ao Tor saltaram de algumas centenas para milhares antes da eleição, afirma a organização.

"É fácil escapar do bloqueio na web"
Para Demi Getschko, engenheiro e um dos responsáveis por implementar a internet no Brasil, restringir por completo a circulação de informações na web é bastante difícil. "Uma das características da rede é a inexistências de pontos de controle rígidos e a dificuldade em implementá-los", disse. "Medidas de controle de informação são apenas parcialmente bem-sucedidas e por pouco tempo. Elas se baseiam na informação de fonte, ou seja, de onde partiu a dado. Mas na internet é simples fazer com que o dado seja espelhado em outro local e deste outro local enviado, escapando do bloqueio", explica.

Exemplo disso pode ser comprovado na última semana, quando dois novos sites do líder da oposição Mir Hossein Mousavi - que afirma ter vencido as eleições - foram criados, após outros serem removidos da rede.

A internet tem sido uma chave para a oposição iraniana em duas frentes. Uma é interna - para organizar protestos e trocar informações. A outra é externa - para mostrar ao mundo o que está acontecendo no país, já que restrições impedem a mídia de reportar, fotografar e gravar imagens.

Os protestos denunciando fraudes nas eleições - que levaram a prisão de centenas e mataram ao menos 20 pessoas - foram relatados no Twitter. Vídeos de confrontos entre manifestantes e autoridades do governo também foram publicados. Um, em especial, chocou o Irã e o mundo: a jovem Neda Agha Soltan, de 27 anos, sangrando até a morte depois de ter sido baleada nas ruas de Teerã. O vídeo foi visto milhares de vezes no Youtube.

Segundo Getschko, no entanto, esse movimento online não é novo. "Já tivemos muitas outras ocasiões em que a internet foi utilizada para fins políticos. Lembro que na guerra dos Bálcãs, ela foi uma alternativa bem explorada, e houve casos de "conflagração eletrônica" também entre russos e letões quando uma estátua que comemorava o soldado russo na Segunda Guerra foi removida de algum lugar. Lembro também da influência do meio internet nas eleições dos EUA recentemente", avalia.

Durante o auge dos protestos, as autoridades também contaram as linhas de celular e as mensagens de textos para impedir a organização de manifestações. O serviço de telefone retornou, mas às vezes é cortado em partes de Teerã quando as autoridades acreditam que um protesto deve acontecer. Já as mensagens de textos estão retornando aos poucos.

O governo também tem lançado mão de um meio mais tradicional para impedir os protestos: as prisões. Ao menos 34 jornalistas e blogueiros foram detidos após das eleições, unindo-se a sete outros que já estavam presos, segundo o Comitê de Proteção aos Jornalistas.

Cerca de um quarto dos 65 milhões de iranianos tem acesso a internet. O governo sempre usou filtros para restringir o acesso a notícias políticas e pornografia. Mas desde as eleições, o número de sites bloqueados subiu. No dia seguinte a eleição, o tráfego na Iiternet no Irã quase parou, segundo pesquisa feita pela Arbor Networks.

*Com informações da AP

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