Acompanhe a cronologia da crise política em Honduras

Do UOL Notícias Em São Paulo

2006: Eleições presidenciais

- Manuel Zelaya é eleito presidente de Honduras, com mandato até 2010

- Entra em vigor um acordo de livre comércio com os Estados Unidos. O Congresso de Honduras havia aprovado o Acordo Centro-Americano de Livre Comércio (Cafta, na sigla em inglês) em março de 2005
  • AFP

2007: Visita a Cuba

- O presidente Zelaya ordena que todas as emissoras de rádio e TV exibam propaganda do governo duas horas por dia, durante dez dias, para combater o que diz ser uma campanha de desinformação

- Zelaya visita Cuba, na primeira visita oficial de um mandatário hondurenho à ilha em 46 anos
  • AFP

2008: Alba

- Honduras adere à Aliança Bolivariana para as Américas, bloco liderado por Venezuela e Cuba. Aproximação com governos "bolivarianos" do continente e reformas sociais despertam oposição da elite hondurenha
  • AFP

2009: A polêmica do referendo

- Zelaya propõe que durante as eleições presidenciais de 29 de novembro, uma urna extra seja instalada para colocar em votação possível mudança na Constituição de Honduras

- Críticos argumentam que a iniciativa permitiria que Zelaya se perpetuasse no poder; o presidente rebate afirmando que a reeleição só seria possível para seus sucessores e nega interesse em continuar no poder

- O Congresso aprova uma lei que proíbe a realização de referendos 180 dias antes ou depois de eleições, o que torna ilegal a proposta de Zelaya

- Em sintonia com os parlamentares, o chefe das Forças Armadas se nega a fornecer apoio logístico para um pré-referendo (marcado para 28 de junho) e é destituído por Zelaya
  • AFP

28 de junho de 2009: Zelaya deposto

- Sem apoio do exército e em uma situação de tensão, o presidente convoca partidários para viabilizar a votação de 28 de junho, que decidiria sobre a realização do polêmico referendo

- Na manhã deste dia, militares tiram Zelaya de sua casa ainda de pijamas e o enviam para fora do país. Uma carta-renúncia falsa é lida no parlamento e o líder do Congresso, Roberto Micheletti, assume a presidência
  • AP

Pós-golpe: governo interino sob críticas

- Desde que assumiu, o governo de Micheletti não foi reconhecido por nenhum país. Logo após o golpe, Honduras teve suas linhas de crédito internacionais congeladas e foi suspensa da Organização dos Estados Americanos.

- No dia 5 de julho, Zelaya tenta voltar de avião, mas é impedido de pousar. Manifestantes protestam no aeroporto e são registradas as primeiras mortes no contexto da crise política.

- O presidente da Costa Rica, Oscar Arias, é indicado como mediador do processo de diálogo, mas suas propostas são recusadas e as conversas ficam suspensas.

- Em 24 de julho, o presidente deposto pisa em território hondurenho de modo simbólico por alguns instantes, na fronteira com Nicarágua.

- Nessa região, começa a organizar um "exército pacífico", ao mesmo tempo em que mantém uma agenda de visita a governos estrangeiros que o apoiam
  • AP

Lançado período eleitoral em Honduras

- No final de agosto, tem início a campanha para as eleições gerais em Honduras, apesar da falta de reconhecimento da comunidade internacional. O pleito está agendado para 29 de novembro

- Em 3 de setembro, os Estados Unidos confirmam o corte de toda a ajuda financeira não-humanitária destinada a Honduras, em uma manobra para aumentar a pressão sobre o governo temporário. No mesmo dia, Brasil suspende acordos e passa a exigir visto para hondurenhos que entrarem no país
  • Reuters

21 de setembro: Zelaya retorna

- O presidente deposto retorna a Honduras "por meios próprios e pacíficos" e recebe autorização do Brasil para ter abrigo na embaixada brasileira em Tegucigalpa. Manifestantes favoráveis a Zelaya se reúnem na ruas da capital.

- No dia seguinte (22), a polícia dispersa manifestantes que estavam diante da embaixada brasileira e cerca o local. Energia elétrica, água e telefones são cortados; embaixada fica dependente de geradores. Zelaya reitera que Brasil não teve participação em seu retorno e diz que escolheu esta embaixada por causa da "tradição democrática" do Brasil.

- Em decreto assinado no domingo (27), governo suspende por 45 dias as garantias constitucionais. No dia seguinte (28), as oposicionistas rádio Globo de Tegucigalpa e a emissora de TV "36" são fechadas pelo governo Micheletti.

- O presidente interino de Honduras, Roberto Micheletti, revoga no dia 5 de outubro o decreto que instaurava o estado de sítio no país e suspendia as garantias constitucionais, mas a publicação não acontece no Diário Oficial do país.

  • AFP

Acordo entre Zelaya e Micheletti falha

- Roberto Micheletti e Manuel Zelaya anunciam acordo em 30 de outubro. Os principais pontos do acordo defendiam que a restituição de Zelaya ao governo deveria ser votado pelo Congresso Nacional com uma opinião prévia da Suprema Corte de Justiça e que um governo de unidade e reconciliação deveria ser criado.

- Em 5 de novembro, Micheletti anuncia um governo de "unidade nacional" sem a participação do presidente deposto Manuel Zelaya, ou dos ministros de seu governo. Zelaya declara o "fracasso" do acordo e culpa Micheletti.

  • EFE

Eleições de 29 de novembro

- Uma semana após o fracasso do acordo, o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, afirma que "nem cogita" enviar observadores para acompanhar as eleições presidenciais de 29 de novembro.

- No dia 19 de novembro, o presidente de facto de Honduras, Roberto Micheletti, anunciou que se afastaria de modo temporário do cargo entre os dias 25 de novembro e 2 de dezembro. Estados Unidos defendem a decisão como uma maneira de dar legitimidade ao pleito.

- Mesmo sem sucesso nas negociações, no final do mês de novembro os Estados Unidos se posicionam a favor da eleição hondurenha. "Estamos fornecendo assistência técnica para ajudar os hondurenhos a garantir que esta seja uma eleição livre, justa e transparente", anuncia chancelaria norte-americana. Panamá também manifesta seu apoio.

- Porfírio "Pepe" Lobo é eleito presidente nas eleições de novembro. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva diz que "está fora de questão reconhecer o governo de Porfírio "Pepe" Lobo.

2 de dezembro: Congresso rejeita restituição de Zelaya

- Os parlamentares hondurenhos decidem que o presidente deposto, Manuel Zelaya, não deve retornar ao poder. A decisão ratifica as ações do Congresso durante o golpe de 28 de junho como um movimento "em defesa da democracia". A proposta de restituição é recusada por 111 deputados. Apenas 14 parlamentares votam pelo retorno de Zelaya. Para ser restituído, Zelaya precisava dos votos de 65 dos 128 deputados do Congresso Nacional.

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