Zelaya diz que deve se encontrar com Hillary na próxima semana

Claudia Andrade Do UOL Notícias Em Brasília

Zelaya discursa no Senado brasileiro

  • Zelaya visitou o Senado brasileiro, onde foi recebido pelo presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP). No plenário, fez pronunciamento destacando o caráter de ilegalidade do governo interino

    Após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nesta quarta-feira (12), em Brasília, o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, afirmou que poderá se encontrar com a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, na próxima semana. "Tenho um convite da secretária Clinton. Ainda não há data certa, mas possivelmente será na próxima semana", afirmou.

    Zelaya disse que os Estados Unidos precisam ter uma postura "mais firme" para reverter o golpe de Estado em seu país, destacando que 70% da economia hondurenha depende dos EUA. "Falei sobre isso com o presidente Lula, já tinha falado com Felipe Calderón, do México, amanhã estarei no Chile, com (Michele) Bachellet. É preciso agir para combater esse estado de violência nas ruas. É preciso lutar pela democracia". O presidente deposto viaja para Santiago na manhã desta quinta.

    Questionado sobre quando deverá voltar a Honduras, Zelaya disse que não há tempo determinado, mas garantiu que vai lutar "indefinidamente". "Não há tempo determinado, mas sim a convicção de que só meu retorno a Honduras garante a paz, o sistema eleitoral e o sistema político no país".

    Os elementos da crise

    • Desde que foi eleito, em 2005, Manuel Zelaya se aproximou cada vez mais dos governos de esquerda da América Latina, promovendo políticas sociais no país. Ao mesmo tempo, seus críticos argumentam que Zelaya teria se tornado um fantoche do líder venezuelano Hugo Chávez e acabou sendo deposto porque estava promovendo uma tentativa ilegal de reformar a constituição

    Para ele, as eleições presidenciais previstas para novembro estão "em risco". "Minha presença é a única garantia de um processo transparente, porque o povo não vai às eleições em um processo viciado, de irregularidade, com um governo ilegítimo que ninguém reconhece".

    Sobre as medidas que podem ser adotadas para persuadir os golpistas a saírem do comando do país, Zelaya afirmou que a estratégia foi dividia em três etapas. "Começamos com medidas diplomáticas, como a retirada de embaixadores e o congelamento de contas. Agora serão adotadas medidas políticas, com respeito à eleição. Depois virão medidas comerciais. Esperamos que sejam suficientes para que tenham um mínimo de sensibilidade social para sentir que o golpe de Estado está sendo repudiado pelo mundo inteiro".

    Zelaya destacou a iniciativa de não-reconhecimento das eleições em Honduras, que buscará anuência da OEA (Organização dos Estados Americanos). "A Unasul tomou essa posição e hoje o presidente Lula a ratificou. O Brasil não vai aceitar eleições provenientes de um Estado ilegal".

    "Golpe em Honduras é semelhante ao golpe militar de 1964 no Brasil"

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