EUA ameaçaram atacar parentes de suspeitos do 11 de Setembro, diz relatório

Do UOL Notícias Em São Paulo

Atualizada às 18h30

Um relatório da CIA que foi trazido a público nesta segunda-feira revelou que os Estados Unidos ameaçaram atacar familiares de prisioneiros como técnica de interrogatório após os ataques de 11 de Setembro de 2001.

O que diz o relatório secreto

Durante interrogatório, agentes da CIA ameaçaram matar os filhos de um dos suspeitos de planejar os ataques do 11 de Setembro
Um interrogador disse que iria estuprar a mãe de um suspeito de terrorismo na sua frente
Afogamento simulado, "paredões" de execuçãoe ameaças com furadeira e armas eram técnicas de interrogatório correntes
Agentes simulavam execuções para assustar os prisioneiros
Um suspeito pelo ataque ao USS Cole em 2000 foi atacado com uma escova para limpar banheiros
Na frente do mesmo preso, um agente falava dialeto árabe que o ligaria a um serviço de segurança famoso por abusar sexualmente de familiares dos detidos
"Vamos matar seus filhos" se outro ataque acontecer nos EUA, teria dito um interrogador a Khalid Sheikh Mohammed, suspeito de envolvimento no ato terroristas contra as Torres Gêmeas de Nova York, segundo aponta um relatório divulgado hoje pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos.

O mesmo documento, escrito em 2004, relata que outro funcionário teria ameaçado violar sexualmente a mãe de um prisioneiro em sua presença, a fim de obter informações. O denunciado nega ter feito essa ameaça.

As práticas da CIA também são alvos de críticas pelo uso de simulação de afogamento e humilhação, práticas consideradas tortura por grupos de direitos humanos.

A agência também é acusada de usar de armas e mesmo furadeiras durante interrogatórios para coagir os suspeitos. Detalhes do relatório adiantados pela revista "Newsweek" afirmam que os interragadores tinham o hábito de simular execuções: uma arma era disparada na sala ao lado para que o preso vizinho achasse outro suspeito de terrorismo havia sido morto.

Investigando os interrogatórios
Após avaliar o conteúdo deste relatório, o procurador-geral dos Estados Unidos, Eric Holder, nomeou o promotor John Durham para investigar se os interrogatórios da CIA com suspeitos de terrorismo foram ilegais, informou o Departamento de Justiça.

Desde janeiro de 2008, Durham investiga a destruição pela CIA de 92 vídeos contendo interrogatórios de prisioneiros, e a nomeação de hoje amplia o objeto de seu trabalho.

"Concluí que a informação disponível justifica a abertura de uma investigação preliminar sobre de violaram as leis relacionadas com os interrogatórios de determinados presos em localidades no exterior", afirmou o procurador-geral em um comunicado.

Obama aprova reformas
O tema também mobiliza o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que aprovou a criação de uma unidade especial de interrogatório no combate ao terrorismo, segundo confirmou hoje um porta-voz. A nova unidade, denominada High-Value Detainee Interrogation Group (HIG), deverá ser supervisionado pela Casa Branca.

O grupo deverá ter como objetivo garantir que os futuros interrogatórios estejam de acordo com o manual do exército dos EUA, que, segundo autoridades norte-americanas, oferece "meios adequados e efetivos" de conduzir interrogatórios.

Obama prometeu fechar Guantánamo

Um oficial americano de inteligência disse nesta segunda-feira que a CIA aprova a mudança e afirmou que a agência não pretende se manter por um longo período na atividade de executar interrogatórios. O oficial falou sob anonimato porque não está autorizado a falar sobre o tema publicamente.

Obama atacou a política de interrogatórios de George W. Bush durante a campanha presidencial de 2008. Ele afirmou recentemente que não é particularmente favorável a abrir processo contra oficiais da administração Bush que tenham relação com suspeitas de abuso contra presos. Mas a medida tomada agora é exatamente isso: reabrir vários casos tendo em vista a possibilidade de um processo criminal.

O presidente dos EUA criou forças-tarefa para estudar a política norte-america e as práticas sofridas por presos suspeitos por terrorismo logo após assumir o poder. Obama prometeu fechar o centro de detenção em Guantánamo, em Cuba, no próximo ano, permitindo a libertação de presos sem envolvimento em qualquer caso e a transferência de outros para a custódia de outros países.

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