Enquanto Zelaya e Hillary marcam novo encontro, Honduras caminha para próximas eleições

Do UOL Notícias Em São Paulo

A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, planeja se reunir novamente com o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, em Washington, na próxima quinta-feira (3). O anúncio da chancelaria dos EUA chega um dia depois do início da campanha eleitoral hondurenha, que deverá escolher um presidente em novembro.

Os elementos da crise

  • Desde que foi eleito, em 2005, Manuel Zelaya se aproximou cada vez mais dos governos de esquerda da América Latina, promovendo políticas sociais no país. Ao mesmo tempo, seus críticos argumentam que Zelaya teria se tornado um fantoche do líder venezuelano Hugo Chávez e acabou sendo deposto porque estava promovendo uma tentativa ilegal de reformar a constituição


Segundo o porta-voz da secretaria de Estado norte-americana, o encontro tem por objetivo "discutir sobre a melhor maneira de proceder diante da atual situação de Honduras".

A posição dos EUA, acrescentou o porta-voz, é defender o chamado Acordo de San José, proposto pelo presidente da Costa Rica, Óscar Árias, como melhor solução à crise. O documento contempla a criação de um governo de "reconciliação nacional", liderado por Zelaya, uma possível anistia política para os envolvidos e uma comissão para investigar a história da crise, entre outros aspectos.

O encontro acontece em um momento em que os Estados Unidos avaliam se qualificam oficialmente como "golpe militar" os eventos que tiraram Zelaya do país e da presidência há mais de dois meses.

Essa qualificação teria implicações jurídicas e econômicas, pois segundo a lei norte-americana seria necessário cortar toda a ajuda que Washington envia ao país centro-americano.

Zelaya chegou ontem aos Estados Unidos, em sua quinta visita desde que 28 de junho, domingo em que foi expulso de seu país por uma coalizão de forças militares, jurídicas e legislativas. A agenda do presidente deposto inclui conversas com a Organização dos Estados Americanos e encontros com entidades civis e de direitos humanos.

Começa campanha para eleições gerais

Em campanha eleitoral
A campanha eleitoral para as eleições gerais em Honduras teve início nesta segunda-feira, apesar da falta de reconhecimento da comunidade internacional.

O pleito está agendado para o dia 29 de novembro. Além do novo presidente, os eleitores votarão ainda para eleger 128 deputados, 20 representantes do Parlamento Centro-Americano e 300 prefeitos, entre outras centenas de cargos.

O governo interino de Roberto Micheletti, que assumiu após a deposição de Zelaya, deu continuidade ao calendário eleitoral mesmo sem o respaldo da OEA.

"Estas eleições são a solução única, final e definitiva à atual crise política", expressou Micheletti em mensagem emitida por rádio e televisão a todo o país no início da campanha, nesta segunda-feira.

"Tenho a segurança que estas eleições serão as mais livres, as mais movimentadas, transparentes e confiáveis de nossa história e assim poderemos demonstrar ao mundo inteiro que somos uma nação de resoluções firmes, que amadureceu democraticamente e quer viver em paz, em democracia e com liberdade", acrescentou.

Raio-X de Honduras

  • UOL Arte

    Nome oficial: República de Honduras
    Capital: Tegucigalpa
    Divisão política: 18 Estados
    Línguas: espanhol, garifuna, dialetos ameríndios
    Religião: católica 97%, protestantes 3%
    Natureza do Estado: república presidencialista
    Independência: da Espanha, em 1821
    Área: 112.088 km²
    Fronteiras: com Guatemala (256 km), El Salvador (342 km), Nicarágua (922 km)
    População: 7.792.854 de pessoas
    Grupos étnicos: mestiços 90%, ameríndios 7%, negros 2%, brancos 1%
    Economia: segundo país mais pobre da América Central; dependente de exportação de café e banana; principal parceiro econômico é EUA
    Taxa de desemprego: 27,8%
    População abaixo da linha da pobreza: 50,7%

O atual calendário eleitoral prevê a posse de um novo presidente no dia 27 de janeiro.

Impacto negativo
Segundo Susanne Gratious, especialista em América Latina da Fundação para Relações Internacionais e Diálogo Exterior, o avanço do calendário eleitoral não traz benefícios a Honduras.

"As implicações são negativas porque é um país polarizado e podemos supor que os seguidores de Zelaya não participarão. Além disso, o governo que resulte dessas eleições não terá nenhuma legitimidade", disse a especialista à BBC Mundo.

Segundo ela, o governo que depôs o presidente Zelaya "não pode se legitimar com estas eleições".

"Honduras é um dos países mais pobres da América Latina e 15% de seu Produto Interno Bruto vinha da ajuda internacional e um país assim vive também do reconhecimento internacional. Se isso não chega, vamos ver Honduras, que já é um Estado muito frágil, ainda mais debilitado", disse Gratious.

A especialista afirmou ainda que não há "nenhum ator crucial neste momento que possa negociar um acordo entre as partes" e descarta que os Estados Unidos possam assumir esse papel.

"Acredito que o papel dos EUA não seja tão crucial. Pode ser que com o Obama as coisas mudem, mas os EUA quase nunca têm sido parte da solução, e ainda menos na América Central", disse.


Com informações da EFE e da BBC.

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