Bombardeio da Otan mata pelo menos 90 no Afeganistão; Gordon Brown defende presença britânica no país

Do UOL Notícias* Em São Paulo

O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, fez uma defesa contundente da presença das tropas do Reino Unido no Afeganistão, nesta sexta-feira (4). Brown insistiu que a campanha militar é crucial para proteger os civis afegãos, que os britânicos não poderiam simplesmente "ir embora" e afirmou que os insurgentes no Afeganistão e no Paquistão ainda representam as maiores ameaças terroristas. A declaração acontece no mesmo dia em que um bombardeio da Otan deixou pelo menos 90 mortos em Kunduz, no Afeganistão. O ataque tinha como alvo dois caminhões-tanque, que haviam sido sequestrados pelos talebans na província de Kunduz.
  • Afegão observa local de bombardeio da Otan que deixou pelo menos 90 mortos


O secretário-geral da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), Anders Fogh Rasmussen, admitiu nesta sexta-feira que pode haver civis entre as vítimas do bombardeio aéreo. A Força Internacional de Assistência à Segurança (Isaf) da Otan anunciou que investiga as informações de que civis morreram.

"Noventa pessoas morreram e em sua maioria são talebans. Foi um ataque aéreo das forças da Otan", declarou à agência de notícias AFP Mahbubullah Sayedi, porta-voz do governo de Kunduz. "Uma pequena quantidade de vítimas é de civis locais, incluindo algumas crianças, que buscavam gasolina gratuita", completou, sem revelar mais detalhes.

A ONU pediu uma profunda investigação sobre o bombardeio da Otan no norte do país. "A missão das Nações Unidas no Afeganistão (Unama) enviou uma equipe ao local para avaliar a situação", afirmou o diretor-adjunto do organismo, Peter Galbraith. "A ONU pretende examinar o que aconteceu e por quê se lançou um ataque aéreo em circunstâncias difíceis de determinar que não há civis na área", completou.

Paz no Afeganistão deixará Reino Unido mais seguro, diz Brown
O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, cujas chances de reeleição foram afetadas por sua política no Afeganistão, disse que levar a paz ao Afeganistão tornará o Reino Unido um lugar mais seguro.


Brown está sob ataque da oposição, da mídia e de generais aposentados, que o acusam de colocar as vidas dos soldados britânicos em risco no Afeganistão por não disponibilizar helicópteros e veículos blindados suficientes contra bombas.

Ele sofreu um novo golpe quando um assessor parlamentar de Defesa renunciou na quinta-feira em protesto à estratégia do governo.

O Reino Unido tem 9.000 soldados lutando contra insurgentes do Taleban, o segundo maior contingente estrangeiro depois dos EUA, e pesquisas mostram que o apoio da população é cada vez menor depois que o número de soldados britânicos mortos chegou a cerca de 50 nos últimos quatro meses.

Um aumento das baixas pode prejudicar Brown ainda mais nas eleições marcadas para junho do ano que vem, para as quais o Partido Conservador é favorito.

"Quando a segurança de nosso país está ameaçada, não podemos ir embora", disse Brown em discurso no Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, em Londres.

* Com informações do The Guardian e agências internacionais

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