Brasileira acusada de jogar filha em rio da Itália fica calada durante depoimento; criança será enterrada hoje

Do UOL Notícias Em São Paulo

A brasileira Simone Moreira, 22, permaneceu calada durante depoimento nesta quarta-feira (9) diante da Justiça italiana. Ela é acusada de ter matado a filha intencionalmente ao jogá-la em um rio. Segundo os advogados de Simone, ela não tem condições físicas e psicológicas para prestar depoimento.

A menina Giuliana Favaro, de dois anos de idade, morreu no hospital depois de ter ficado mais de uma hora na água do rio Monticano, em Oderzo, nordeste da Itália, na noite da última quarta-feira (2). O corpo da criança será enterrado hoje, na Itália.

Antes da audiência desta quarta-feira, Simone disse que a menina caiu na água acidentalmente, depois que as duas se perderam por um instante, mas a versão da mãe é contestada pela polícia italiana, que diz ter encontrado incongruências no relato da brasileira.

Por causa das suspeitas, Simone está detida desde sábado (5), acusada de homicídio doloso, ou seja, com intenção de matar. "Os indícios são claros e não deixam espaço para formular hipóteses alternativas", declarou sobre o caso o procurador italiano Antonio Fojadelli.
  • UOL Arte/ UOL Mapas

    No canto esquerdo, mapa mostra localização de Oderzo no nordeste da Itália.
    Ampliada, imagem aérea da região onde Giuliana teria caído nas águas do rio Monticano


Necropsia
Na necropsia de Giuliana, feita nesta terça-feira (8), os médicos não encontraram no corpo da menina ferimentos ou sinais compatíveis com a queda descrita pela mãe, o que indicaria mais uma fragilidade na hipótese de acidente. Segundo as autoridades, em caso de acidente, a menina deveria ter caído primeiro em uma superfície sólida à margem, e depois na água, caso tivesse passado pelas estreitas grades que cercam o rio.

Os primeiros resultados apontam que a morte se deu por asfixia por afogamento. Os resultados oficiais da necropsia devem sair dentro de alguns dias, quando ficarão prontos os exames toxicológicos, entre outros.

Giuliana é filha de Simone e Michele Favaro, 43, cidadão italiano que ela conheceu no Brasil há cerca de três anos. Os dois foram juntos para a Itália, onde a garota nasceu. Há mais de um ano, o casal se separou e o pai ficou com a guarda da criança. No dia do incidente, a brasileira estava passeando com a filha e deveria levá-la de volta à casa de Michele. O outro filho de Simone, que ela teve aos 17 anos, está com a avó materna, no Brasil.

"Questão de segundos"
A brasileira, que está medicada com tranquilizantes e sob acompanhamento médico na prisão, se diz inocente. "Foi uma questão de segundos, o tempo de me virar em direção ao carro, pegar a bolsa e checar uma chamada no celular", contou ela aos policiais, depois do incidente. "De repente voltei e Giuliana não estava mais lá. Estava tudo escuro e não vi mais nada." Naquela noite, houve um apagão elétrico nesta região da cidade.

Segundo o advogado de Simone, Alvise Tommaseo Ponzetta, ela está em choque desde então. "Simone não tem falado muito, nem mesmo comigo, porque está muito mal. Está completamente destruída pela dor".

A mãe de Simone, Márcia Moreira, diz acreditar na inocência da filha e qualifica a morte de Giuliana como "fatalidade". Márcia também disse à imprensa que sua neta era muito ativa e poderia ter caído no rio sem querer. A respeito das fragilidades do depoimento de Simone, Márcia diz que a filha está muito abalada, sob efeito de remédios, e que por isso é natural que não diga "coisa com coisa".

A avó de Giuliana também manifestou interesse em acompanhar o processo da filha na Itália, mas não teria o dinheiro para custear a viagem. Para isso, ela disse esperar ajuda das autoridades brasileiras.

A esse respeito, um porta-voz do Itamaraty disse não ter recebido nenhum pedido oficial, mas que de qualquer forma a hipótese de fornecer a viagem é remota.

"Existem quatro milhões de brasileiros no exterior", explicou o Itamaraty ao UOL Notícias. "Cada caso é um caso, mas em geral não temos como bancar as viagens de parentes nessa situação, isso precisa ser providenciado pela família".

A chancelaria brasileira também confirmou que o Consulado brasileiro em Milão foi notificado oficialmente da prisão pelas autoridades italianas e vai indicar um funcionário para acompanhar o caso e informar a família.

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