Unasul se reúne para superar tensão regional diante de acordo militar entre Colômbia e EUA

Do UOL Notícias* Em São Paulo

Os chanceleres dos países que compõem a União de Nações Sul-americanas (Unasul) se reúnem nesta terça-feira (15) em Quito (Equador) para tentar superar o clima de tensão regional desencadeado pelo acordo militar em negociação entre Bogotá e Washington, que permitiria a militares norte-americanos utilizarem bases na Colômbia.

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O representante brasileiro, Celso Amorim, afirmou em Quito que cada país é soberano em suas escolhas, mas destacou que algumas decisões podem causar apreensão entre os vizinhos.

"Por isso nós insistimos na questão da transparência, na criação de medidas de confiança e nas garantias", enfatizou Amorim em uma breve declaração antes de iniciar a reunião.

Por sua vez, o presidente do Peru, Alan Garcia, sugeriu, por meio de uma carta, que a região chegue a um "pacto de não agressão militar", como maneira de superar a tensão.

A polêmica teve início com o anúncio de que um acordo entre EUA e Colômbia iria permitir a presença de soldados e funcionários norte-americanos em sete bases situadas em território colombiano, oficialmente com o objetivo de realizar operações de combate ao narcotráfico e ao terrorismo.

Os termos do acordo, contudo, despertam suspeitas entre os vizinhos da Colômbia. O mais radical deles, o venezuelano Hugo Chávez, chegou a dizer que a presença dos militares dos EUA desencadearia uma guerra regional. Argentina e Brasil, mais moderados, pedem que sejam claros os termos do documento e que as ações conjuntas previstas no acordo sejam realizadas apenas em território colombiano.

O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, chegou a fazer um giro pelos países vizinhos - Brasil inclusive - para explicar que as operações dos EUA não devem despertar temor. Ainda assim, foi realizada no último dia 28 uma reunião de emergência na Argentina entre os presidentes da Unasul, na qual defenderam o futuro estabelecimento de medidas de confiança mútua e restrição às atividades americanas na região.







Armas na América do Sul
De sua parte, a Colômbia quer desviar os holofotes e também leva para a reunião de hoje a questão das compras de armamento russo feitas pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez.

"É preciso discutir os temas da presença do terrorismo na região, a compra de armas e acordos de cooperação com terceiros países, o narcotráfico. Todos os temas", afirmou o ministro colombiano das Relações Exteriores, Jaime Bermúdez.

A lista de países sul-americanos que também querem ampliar seu poder militar inclui ainda a Bolívia, disposta a comprar material militar da Rússia, e o Brasil, que negocia a compra de 36 aviões de caça franceses.

*Com agências internacionais

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