Zelaya pode morar na embaixada o tempo que quiser, diz Micheletti

Do UOL Notícias Em São Paulo

Atualizada às 20h01

O presidente interino de Honduras, Roberto Micheletti, afirmou nesta terça-feira que ele não tem nenhuma intenção de entrar em confronto com o Brasil ou invadir a embaixada brasileira em Tegucigalpa, onde o presidente deposto Manuel Zelaya recebeu abrigo.

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"Se ele [Zelaya] quiser ficar vivendo lá uns 5 ou 10 anos, nós não temos nenhum inconveniente em que viva lá", afirmou Micheletti em entrevista à agência Reuters.

Micheletti também voltou a dizer que Zelaya é acusado de ter violado a Constituição e pode ser preso assim que deixar a embaixada.

O governo de Honduras também decretou a ampliação do toque de recolher em todo o país até as 6h desta quarta (23). A medida foi estendida por 12 horas em razão dos distúrbios na capital. O porta-voz presidencial, René Zepeda, afirmou à AP que "a medida ocorre em razão de questões de segurança nacional".

Inicialmente, o toque de recolher foi estabelecido das 16h às 7h no horário local (entre 19h e 10h, no horário de Brasília), segundo comunicou o governo golpista em cadeia de rádio e televisão. Pouco depois, a medida foi estendida até as 18h locais da terça (22).

A embaixada brasileira teve a eletricidade, a água e o telefone cortados. Militares de Honduras cercaram o local na manhã desta terça e obrigaram a retirada dos manifestantes que passaram a noite em frente ao edifício. Pelo menos 170 manifestantes partidários do presidente deposto foram detidos na região.

Zelaya, que retornou a Tegucigalpa na segunda (21) em um movimento surpresa, recebeu autorização da chancelaria do Brasil para se abrigar na embaixada brasileira em Honduras. Toda embaixada possui status de território estrangeiro, e por isso a polícia e o exército hondurenhos não podem entrar no local sem autorização.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse a Zelaya que não dê um pretexto para que os líderes do golpe de Estado possam invadir a embaixada. "O normal que deveria acontecer é que os golpistas deveriam dar um lugar a quem tem direito de estar nesse lugar, que é o presidente eleito democraticamente pelo povo", disse Lula à imprensa em Nova York, onde se encontra para participar da Assembleia Geral da ONU.

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou durante uma entrevista coletiva em Nova York, que o Brasil estuda enviar uma carta ao Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) para abordar a questão da segurança da embaixada.

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