Micheletti aceita dialogar com Zelaya, mas rechaça hipótese de reconduzi-lo ao poder

Do UOL Notícias Em São Paulo*

Atualizado às 3h05

O presidente do governo interino de Honduras, Roberto Micheletti, afirmou que está disposto a conversar com Manuel Zelaya para resolver a crise no país, desde que o líder deposto reconheça a convocação das eleições de 29 de novembro.

A informação foi passada pelo chanceler Carlos López, que leu uma mensagem de Micheletti em cadeia nacional de televisão: "Estou disposto a discutir como resolver a crise política (...), estou pronto para conversar com o senhor Zelaya sempre e quando reconhecer explicitamente as eleições de 29 de novembro".
  • Oswaldo Rivas/Reuters

    Micheletti: "Estou pronto para conversar com
    o senhor Zelaya sempre e quando reconhecer explicitamente as eleições de 29 de novembro"



Em resposta, o presidente deposto afirmou que a oferta de diálogo de Micheletti é uma "manipulação" e o acusou de não ter vontade de resolver a crise que vive o país.

"Tudo isto é uma manipulação", disse Zelaya em entrevistas a Rádio Globo e ao Canal 36. "Eles devem deixar de manipular a opinião pública. Eu vim aqui para que o diálogo seja direto, para que não tenha comparsas nem nenhum tipo de distúrbios", ressaltou o líder deposto, que retornou a Honduras na segunda-feira 21, e se encontra abrigado na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa.

O ministro de Micheletti esclareceu, no entanto, que "de nenhuma maneira a mensagem [do presidente interino] fala do retorno do senhor Zelaya à presidência da República", como exige o líder deposto e a comunidade internacional. Lopez enfatizou que a proposta não pode desfazer a ordem de prisão da Suprema Corte de Honduras. "Minha proposta é alcançar uma solução política, mas não pode resolver suas dificuldades legais", disse.

Além disso, Micheletti descartou a possibilidade de se encontrar com o líder deposto. Em entrevista à BBC Mundo, o presidente interino disse que os dois líderes possuem representantes que podem iniciar o diálogo numa tentativa de encerrar de forma pacífica a crise política no país.

O regresso de Zelaya à presidência é o ponto central do Acordo de San José, apresentado pelo presidente da Costa Rica, Oscar Arias, durante o processo de mediação do impasse na Organização dos Estados Americanos (OEA). Mas Micheletti tem rechaçado a proposta, o que fez fracassar a tentativa de mediação.

Brasil pede reunião na ONU sobre impasse
O Brasil trabalha por uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) para discutir a crise em Honduras, após o retorno ao país do presidente deposto, informou a agência Reuters.

Brasil deve entregar Zelaya para a Justiça de Honduras?



Em carta aos membros do Conselho, o Brasil se disse preocupado "com a segurança do presidente Zelaya e com a segurança e integridade física das instalações da embaixada (brasileira) e funcionários", informou a agência.

Nesta tarde, uma comissão da ONU foi à embaixada do Brasil em Tegucigalpa para entregar alimentos às pessoas que estão dentro do edifício, entre elas o presidente hondurenho deposto. De acordo com o jornal hondurenho "El Heraldo", a ONU entregou cachorros-quentes e refrigerantes para as pessoas que estão no local, entre apoiadores de Zelaya, jornalistas e funcionários brasileiros.

Toque de recolher ampliado
O presidente interino de Honduras, Roberto Micheletti, afirmou nesta terça que ele não tem nenhuma intenção de entrar em confronto com o Brasil ou invadir a embaixada brasileira em Tegucigalpa. "Se ele [Zelaya] quiser ficar vivendo lá uns 5 ou 10 anos, nós não temos nenhum inconveniente em que viva lá", afirmou Micheletti em entrevista à agência Reuters.

O governo decretou a ampliação do toque de recolher em todo o país até as 6h desta quarta (23). A medida foi estendida por 12 horas em razão dos distúrbios na capital. O porta-voz presidencial, René Zepeda, afirmou à AP que "a medida ocorre em razão de questões de segurança nacional".

Zelaya, que retornou a Tegucigalpa na segunda (21) em um movimento surpresa, recebeu autorização da chancelaria do Brasil para se abrigar na embaixada brasileira em Honduras. Toda embaixada possui status de território estrangeiro, e por isso a polícia e o exército hondurenhos não podem entrar no local sem autorização.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse a Zelaya que não dê um pretexto para que os líderes do golpe de Estado possam invadir a embaixada. "O normal que deveria acontecer é que os golpistas deveriam dar um lugar a quem tem direito de estar nesse lugar, que é o presidente eleito democraticamente pelo povo", disse Lula à imprensa em Nova York, onde se encontra para participar da Assembleia Geral da ONU.

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, havia afirmado durante uma entrevista coletiva em Nova York, que o Brasil estudava enviar uma carta ao Conselho de Segurança da ONU para abordar a questão da segurança da embaixada.

*Com agências internacionais.

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