Itamaraty diz que permanência de Zelaya deve continuar até a restauração da ordem em Honduras

Claudia Andrade Do UOL Notícias Em Brasília

Atualizado às 18h53

Representantes do Itamaraty afirmaram nesta quinta-feira (24) que não há prazo para a saída do presidente Manuel Zelaya na embaixada brasileira em Honduras. O presidente deposto está na embaixada desde a última segunda-feira.

"O limite (de permanência) é a pacificação do país e a restauração da ordem constitucional no país. Foi para isso que o presidente Zelaya voltou e nessas condições é que nós abrigamos ele na embaixada e é nessa direção que nós esperamos que se conduza a missão da OEA (Organização dos Estados Americanos) que vai até lá e que haja um início de conversa entre o governo de fato e o presidente Zelaya para que se chegue a esse fim", disse o diretor do departamento de América Latina e Caribe, embaixador Gonçalo Mourão.

"A presença do presidente Zelaya na embaixada não é um ato promovido pelo governo brasileiro, mas sim, consentido pelo governo brasileiro. Ele é hóspede e assim permanecerá. O propósito da permanência dele lá conforme ele mesmo declarou é para se oferecer um diálogo que possa promover a reconciliação entre todos os hondurenhos. Esse é o desejo de toda a comunidade internacional", disse o embaixador Ênio Cordeiro, subsecretário-geral da América do Sul.

Questionado sobre os riscos de manter o presidente Zelaya na embaixada, o embaixador Mourão disse que é preciso acreditar no "bom senso" do governo de fato. "O Micheletti fez declarações no sentido de que não cogitava nem nunca cogitou de entrar, invadir a Embaixada do Brasil. De maneira que isso dá um mínimo de segurança e até a gente tem que acreditar que as pessoas têm bom senso".

Situação em Tegucigalpa
Segundo o embaixador Cordeiro, a situação na embaixada brasileira em Tegucigalpa apresenta uma "melhora relativa". "Dentro das circunstâncias, que não são evidentemente normais, houve uma melhora relativa da situação interna na embaixada. Até porque, houve uma diminuição muito grande do número de pessoas na embaixada, nos últimos dias.

Em um determinado momento chegou a ter até 313 pessoas, hoje o número está reduzido a cerca de 70 pessoas". Ele disse ainda que houve um momento de "pequena apreensão" na noite de ontem, quando ocorreu uma queda de energia. "Houve uma pequena apreensão entre as pessoas que estão na embaixada porque houve um breve corte de luz, de alguns minutos, que logo se restabeleceu. Pode ter sido um fenômeno não provocado".

O subsecretário reafirmou que "não houve, em momento algum, conhecimento prévio das autoridades brasileiras" sobre a chegada de Zelaya à embaixada. A mulher de Zelaya teria dito que o presidente estaria "nas cercanias" e queria ir à embaixada.

"Foram feitas consultas e, uma vez autorizado, isso aconteceu. Na verdade, ele não estava nas cercanias; ele havia adentrado a embaixada, estava na garagem. Nós autorizamos nosso encarregado de negócios a buscá-lo na garagem".

O embaixador disse não ter informações sobre como Zelaya entrou para a garagem, qual carro utilizou para isso, ou se estaria escondido no veículo.

Reuniões
Para a manhã desta sexta-feira, está prevista uma reunião de consultas ao Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) em Nova York. "Não é ainda a reunião formal que o governo brasileiro pediu, uma reunião de emergência aberta, mas é a primeira resposta que o Conselho de Segurança dá".

Também amanhã, deverá ocorrer em Honduras uma reunião preliminar preparatória da OEA para a missão oficial com os representantes dos países que fazem parte da organização. "O que se confia é que um procedimento no âmbito da OEA é o que levará a uma solução definitiva para a situação", disse Cordeiro.

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