Voto de repúdio a Honduras gera discussão no Senado; Itamaraty cria núcleo de acompanhamento

Claudia Andrade Do UOL Notícias Em Brasília

Atualizada às 20h56

No dia em que o Ministério das Relações Exteriores criou um núcleo de acompanhamento da situação em Honduras, a tentativa de aprovar um voto de repúdio ao governo golpista de Roberto Micheletti gerou discussão no plenário do Senado. Sem consenso, a discussão foi adiada para esta quinta-feira.

Veja a cronologia da crise

  • Desde que foi eleito, em 2005, Manuel Zelaya se aproximou cada vez mais dos governos de esquerda da América Latina, promovendo políticas sociais no país. Ao mesmo tempo, seus críticos argumentam que Zelaya teria se tornado um fantoche do líder venezuelano Hugo Chávez e acabou sendo deposto porque estava promovendo uma tentativa ilegal de reformar a constituição


O requerimento apresentado pelo líder do PT na Casa, senador Aloizio Mercadante (SP), solicitava o voto de censura ao cerco da embaixada do Brasil em Tegucigalpa e seu uso como palanque político e repúdio à violação da liberdade de imprensa e à livre manifestação dos partidários de Manuel Zelaya.

A oposição foi contra a aprovação do documento. "Por que o Senado vai entrar nessa trapalhada? Por que vamos trazer um desgaste para o Senado? Acho que se aprovarmos será uma atitude irresponsável do Senado sem que haja nesse texto qualquer condenação à diplomacia brasileira que quebrou as regras internacionais", afirmou o senador Demóstenes Torres (DEM-GO).

"Eu acho que não devia mais ter embaixada brasileira lá. Se o Brasil não reconhece o governo, que se ausente de lá. O Brasil precisa compreender que os 'paísetes' que ele quer liderar não querem a liderança do Brasil", acrescentou Demóstenes.

O presidente da CRE (Comissão de Relações Exteriores), que aprovou o requerimento, também fez críticas à posição do governo brasileiro na crise hondurenha, mas defendeu a aprovação do voto de censura. "Eu sou o primeiro a dizer que é um absurdo o que está acontecendo em Honduras. Também acho que o Brasil não deve ficar gastando nessas embaixadas em micropaíses", disse o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG). "Mas esse foi o texto que teve consenso na comissão".

Azeredo também lembrou da afirmação do embaixador Brian Michael Fraser Neele, que compareceu à CRE em julho deste ano, quando teve sua indicação para a embaixada de Antigua e Barbuda aprovada pelos parlamentares. Ele atuava em Honduras. "Ele disse que os dois lados estão errados".

Saiba como funciona o cerco à embaixada


O nome de Neele foi aprovado pelo plenário do Senado para Antígua e Barbuda no dia 26 de agosto. Mais de dois meses antes, em 17 de junho, a Casa aprovou Mario da Graça Roiter para substituir Neele em Tegucigalpa. Ele ocupava anteriormente o cargo de embaixador no Kuait.

Contudo, nenhum dos dois ocupou o cargo ainda. O ministério aguarda a solução da crise em Honduras para deslocar os embaixadores.

Nesta quarta (30), o Ministério das Relações Exteriores criou um núcleo de acompanhamento da crise em Honduras, que trabalhará em regime de plantão. A função do grupo será receber informações de Tegucigalpa e também monitorar a repercussão da crise na imprensa nacional e internacional.

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