Irã se compromete a colaborar com transparência sobre nova usina nuclear, diz representante europeu

Do UOL Notícias* Em São Paulo

Atualizada às 17h05

O chefe da diplomacia da União Europeia, Javier Solana, disse nesta quinta-feira (1º) que o Irã concordou em cooperar com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) para a realização de inspeções na segunda usina de enriquecimento de urânio do país. A afirmação foi feita após reunião em Genebra entre representantes da teocracia islâmica e de seis potências mundiais.

O egípcio Mohamed ElBaradei, diretor-geral da AIEA, viajará em breve para Teerã, onde vai se reunir com as autoridades iranianas e conversar sobre o programa atômico nacional. Em Viena, Gill Tudor, porta-voz da AIEA, disse que ElBaradei "foi convidado pelas autoridades iranianas a ir a Teerã".

Embora a AIEA não tenha especificado a data da visita, a viagem terá que acontecer em breve, já que ElBaradei deixa a direção da agência no fim de novembro.

No encontro, representantes de Irã, Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido, França e Alemanha decidiram realizar uma nova rodada de negociações até o fim de outubro. "Isso representa o início do que, esperamos, será um processo intensivo", afirmou Solana. "A importância deste encontro foi intensificada pela participação plena, pela primeira vez, dos Estados Unidos", afirmou.

Para Solana, a reunião desta quinta-feira marca um novo começo nas negociações para obter garantias de que Teerã não busca obter uma arma atômica. Sobre a ameaça dos EUA de impor novas sanções ao Irã se até o fim do ano não o país colocar em prática suas promessas de cooperação transparente, Solana disse que "faltam três meses para que se evidencie a vontade de compromisso" do regime iraniano.

Durante um intervalo na reunião, o subsecretário de Estado americano, William Burns, teve um encontro privado com o principal negociador nuclear iraniano, Saeed Jalili.

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, disse que as reuniões em Genebra foram uma "jornada produtiva" e disse que agora espera "ações concretas". "Foi um dia produtivo, mas enquanto não há provas, não se pode festejar. Queremos ver ações concretas", disse Hillary.

Mais cedo, a emissora de televisão estatal iraniana IRIB afirmou que Jalili usou uma linguagem "clara e inequívoca" durante as discussões iniciais. "A República Islâmica não será dissuadida de maneira nenhuma de seus direitos", teria dito o negociador. Segundo a BBC Brasil, Jalili também teria destacado "a necessidade do desarmamento global completo".

"Vivemos em um mundo com ameaças de segurança reais, como as ogivas nucleares, e devemos cooperar todos para terminar com esta ameaça", acrescentou Jalili em coletiva de imprensa, após qualificar de "terrorismo da mídia" as ideias publicadas sobre uma suposta ameaça iraniana, qualificadas por ele como inventadas.

Para os diplomatas americanos, as reuniões com o Irã não podem continuar sem definição por muito tempo. "Esta é a primeira vez que concordamos em nos reunir com o Irã, como membro atuante das discussões. Queremos nos comprometer com este processo, mas não vamos fazer isso para sempre", afirmou Robert Wood, vice-porta-voz do Departamento de Estado americano.

O governo iraniano insiste que tem direito de desenvolver energia nuclear, mas a revelação da nova instalação para enriquecimento de urânio, na semana passada, aumentou o temor de que o país poderia tentar desenvolver armas nucleares.

*Com informações de agências internacionais

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