Zelaya forçou erros do governo golpista de Honduras, diz "The Economist"

Do UOL Notícias* Em São Paulo

O retorno do presidente deposto Manuel Zelaya a Honduras levou a gestão golpista liderada por Roberto Micheletti a cometer graves erros, como o decreto de estado de sítio no país, a imposição de toque de recolher e a censura a meios de comunicação, escreveu a revista inglesa "The Economist" na edição que será lançada no próximo fim de semana. Com isso, diz a publicação, aparecem as primeiras rachaduras na administração em Tegucigalpa.

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"O retorno do sr. Zelaya levou o sr. Micheletti a agir como o autoritário que ele diz não ser", afirma o texto da revista. "Agora, pela primeira vez, há rachaduras no governo atual. O Congresso se recusou a apoiar o estado de sítio. Os dois principais candidatos presidenciais e o chefe do Exército pediram um acordo negociado. O setor privado está começando a se preocupar com o custo da briga pelo poder."

A revista cita que depois de assumir o cargo, Micheletti tinha o apoio das Forças Armadas, do Congresso e do Judiciário por conta da decisão de Zelaya de organizar um referendo para mudar a Constituição. "O governo de fato disse que seu único trabalho seria organizar uma eleição presidencial prevista para 29 de novembro". Depois de rejeitar a entrada de embaixadores da Organização dos Estados Americanos (OEA) e de pressionar o governo brasileiro, diz a "Economist", "a insistência de Micheletti de que a eleição será livre e justa soa vazia".

A revista também criticou o que chamou de "tática inflamatória do sr. Zelaya", que gerou críticas dos EUA na OEA e ponderou que a volta do presidente deposto ao poder não deve ser uma pré-condição para a OEA reconhecer as eleições presidenciais. "Essa intratável pequena briga ameaça se tornar um conflito mais amplo", afirma o texto.

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  • Desde que foi eleito, em 2005, Manuel Zelaya se aproximou cada vez mais dos governos de esquerda da América Latina, promovendo políticas sociais no país. Ao mesmo tempo, seus críticos argumentam que Zelaya teria se tornado um fantoche do líder venezuelano Hugo Chávez e acabou sendo deposto porque estava promovendo uma tentativa ilegal de reformar a constituição



Governo é golpista, dizem especialistas
A falta de devido processo legal, a inexistência de apoio da comunidade internacional e a origem em um levante para remover um chefe de Estado legitimamente eleito só permitem chamar o governo de Honduras de golpista, não de interino, afirmam especialistas consultados pelo UOL Notícias. A atual administração do país centro-americano acusa o presidente deposto, Manuel Zelaya, de tentar violar a Constituição para buscar a renovação de seu mandato presidencial.

A administração liderada por Roberto Micheletti afirma que Zelaya está sujeito a ser preso se deixar a Embaixada do Brasil por ter violado a 4ª Cláusula da Constituição hondurenha, segundo a qual tentativas de mudar a Carta implicam perda imediata do cargo público. Os golpistas acusam o presidente deposto de abuso de poder e de traição à pátria.

Para os analistas, ainda que Zelaya tenha tentado promover um referendo para mudar a Constituição hondurenha, nada nela prevê que o mandatário seria expulso do país, o que reforça os contornos de golpe de Estado na ação promovida pelo grupo de Micheletti. Além disso, dizem eles, pesa contra o regime de Tegucigalpa a ausência de reconhecimento não apenas por outros países, mas também pela Organização das Nações Unidas (ONU) e pela Organização dos Estados Americanos (OEA).

Os especialistas ouvidos foram unânimes ao considerar que chamar o governo de Micheletti de interino seria uma concessão a uma gestão com traços autoritários - inclusive com suspensão de direitos constitucionais e censura à imprensa - e que carece de respaldo globalmente. Nenhum governo do mundo até o momento reconheceu o regime estabelecido em Tegucigalpa após a deposição de Zelaya, que desde a semana passada está abrigado na Embaixada do Brasil na capital do país.

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