Amorim não estará presente na reunião de chanceleres que pode resolver impasse de Honduras

Thiago Scarelli Enviado especial do UOL Notícias Em Tegucigalpa (Honduras)

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Há quatro dias sem toque de recolher, a vida em Tegucigalpa, capital de Honduras, parece retornar pouco a pouco a sua rotina. Ao mesmo tempo, as duas principais figuras do impasse presidencial no país - o deposto Manuel Zelaya e o golpista Roberto Micheletti - lançaram sinais de moderação no final desta semana, aliviando a tensão entre os partidários de um e de outro lado

A missão diplomática da OEA (Organização dos Estados Americanos) que pode superar o impasse político de Honduras não vai contar com a presença do ministro das Relações Exteriores Celso Amorim. O Brasil estará presente na delegação na figura do diplomata Ruy Casaes, representante permanente do país na OEA, segundo apurou o UOL Notícias.

Esta delegação da OEA deve chegar na próxima quarta-feira (7) em Tegucigalpa, com o objetivo de facilitar o diálogo entre Manuel Zelaya e Roberto Micheletti, e assim colocar em marcha o Acordo de San José.

Este documento de 12 pontos, proposto pelo mediador e presidente da Costa Rica, Óscar Árias, prevê a reinstalação de Zelaya na presidência e a anistia de crimes políticos como soluções para superar a crise. A posição da OEA é que essa deve ser a base para o final do impasse, mas para isso seria necessário conseguir moderação dos dois lados, além do aval do Congresso e da Corte de Justiça de Honduras.

Veja a cronologia da crise

  • Desde que foi eleito, em 2005, Manuel Zelaya se aproximou cada vez mais dos governos de esquerda da América Latina, promovendo políticas sociais no país. Ao mesmo tempo, seus críticos argumentam que Zelaya teria se tornado um fantoche do líder venezuelano Hugo Chávez e acabou sendo deposto porque estava promovendo uma tentativa ilegal de reformar a constituição

Contudo, apesar das indicações de que o clima estaria agora mais propício ao diálogo, nenhuma fonte confirma se zelaystas e micheletistas concordaram em sentar na mesma mesa. A disposição do Congresso e da Justiça em flexibilizarem sua resistência ao retorno de Zelaya também é uma incógnita.

Ainda assim, o secretário de Assuntos Políticos da OEA, Victor Rico, encarregado de preparar essa missão, se mostrou otimista e reiterou que os termos finais do acordo podem ser alterados para que ele se torne viável.

Neste domingo (3), um encontro a portas fechadas foi realizado na Embaixada do México em Tegucigalpa (Honduras) para definir a logística da missão de quarta-feira. Entre outros detalhes, ficou acertado que os chanceleres e representantes de países-membros da OEA que integram a delegação devem partir juntos de Miami (EUA) para a capital hondurenha em um avião norte-americano.

Essa missão, maior do que a que visitou o país em agosto, deve contar com representantes de Brasil, Argentina, México, Canadá, República Dominicana, Costa Rica, Jamaica e Panamá, em um esforço para recuperar a credibilidade da OEA como instituição multilateral regional.

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